<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175</id><updated>2012-01-04T15:21:56.380-02:00</updated><category term='poesia'/><category term='evento'/><category term='infanto-juvenil'/><category term='tradução'/><category term='prosa'/><category term='citação'/><title type='text'>o mágico desinventor</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>131</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-2829970916726187085</id><published>2011-02-14T00:27:00.002-02:00</published><updated>2011-06-24T19:45:04.715-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>violeta (4)</title><content type='html'>Quem era a Violeta? Penso nisso enquanto caminho pelo jardim frontal daquela casa no Prado, onde ela e o marido viveram colados com meus avós, e a Marta, filha da Violeta, nos fundos com os gêmeos. Acho que se conhecemos alguém apenas quando crianças, a memória que temos dessa pessoa fica diferente, meio saudosista. Como se não a tivéssemos conhecido o suficiente, como se faltasse saber algo que uma criança teria sido incapaz de compreender. E que vem a existir quando alguém, anos depois, nos conta sobre ela. Mas ao mesmo tempo fica mais doce lembrar assim. É através do meu pai e da minha avó que fico sabendo mais da Violeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da casa do Prado lembro também do sol que entrava pela cozinha, minha avó preparando milanesas e ensalada rusa, o quintal lá fora tão convidativo. Sempre me empanturrava com aquelas comidas incríveis. Antes de ir para o asilo, a Violeta já chegava falando alto e rindo, rindo muito de alguma coisa, o que logo provocava gargalhada geral. Eram, minha avó e ela, espécie de Marta e Maria: enquanto minha avó vigiava o molho no fogo, a Violeta ficava na mesa com a gente, dando risada e contando história. Comigo ela adorava brincar de “medir o braço”; claro, como o dela era maior, alcançava com a mão a minha axila e começava mais uma sessão de cócegas. Lembro de poucas coisas que ela me falou diretamente. Mas sua risada tenho perfeitamente registrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois o começo do alzheimer, o silêncio cada vez maior. Então ela apenas sorria, não gargalhava mais. Me causava uma impressão muito forte esse riso silencioso. Parecia que queria rir de algo, mas não conseguia lembrar exatamente do quê. Conservou por isso o sorriso no rosto, e assim nos olhava quando chegávamos por lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que faleceu não pude ir ao Uruguai. Meu pai sim, ligou de lá, muito triste. Acho que, se eu tivesse ido, teria pedido que a maquiassem de forma que seus lábios formassem esse sorriso. Seria o ápice da risada silenciosa. Soube que o cemitério onde ficou era praticamente um parque, de tão grande e arborizado. Será que havia parreiras formando sombras cheias de bolotas? E aquela cadeira de balanço laranja e branca? E quem apareceria fazendo cócegas em todas as crianças reunidas ali?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;leia também:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/10/violeta.html"&gt;violeta (1)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/11/violeta-2.html"&gt;violeta (2)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://magicodesinventor.blogspot.com/2010/05/violeta-3.html"&gt;violeta (3)&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-2829970916726187085?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/2829970916726187085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=2829970916726187085' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2829970916726187085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2829970916726187085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2011/02/violeta-4.html' title='violeta (4)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-1495890942022708700</id><published>2011-02-09T00:12:00.001-02:00</published><updated>2011-02-09T00:12:46.359-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>consolação</title><content type='html'>Você me disse que se eu fosse reto na Consolação sairia na Rebouças, que por sua vez cruza a Faria Lima, dobrar à direita e pronto, era por ali o caminho do shopping. Você me esperava lá, uma mensagem de texto um pouco antes dizendo que já tinha chegado. Eu ainda demorava um pouco, que o trânsito estava bem ruim naquele dia. Estava com saudades do Rio e hoje você que está por lá de visita. Sua avó no apartamento do Leme, as enfermeiras que revezam. Ela diz: “minha netinha minha netinha”. Acho bonito à beça o fato de ela dizer sempre duas vezes qualquer coisa. Como quando fala “minha querida minha querida” ao te ver entrar pela porta com a mala e o computador na bolsa. Como se sempre tivesse de repetir para enfatizar aquilo, que você é mesmo querida, a única neta etc. No hospital ela me disse isso. E que era fundista, nadava da pedra do Leme ao forte numa boa. Ao me ver chegar perto da cama perguntou, como sempre: “tudo bem com você, tudo bem?”. Tudo parado na Consolação e você me esperava um pouco mais, sem problemas, era até bom que dava tempo de ir no Extra. Hoje é aniversário do meu pai e você vai no jantar, aí no Rio. Pensei em ligar de novo só pra pegar todo mundo junto por lá e ir falando com um de cada vez, essa mania do meu pai de logo passar o telefone pra quem está do lado e depois ir dando a instrução de passar adiante o celular, afinal era eu na linha. Como se quisesse me colocar lá no meio. Liguei mesmo porque o trânsito estava inacreditável. O barulho no restaurante era tanto que mal consegui ouvir o que falavam. Acho que já tinham cantado o parabéns. Só consegui te dizer que estava parado na Consolação, sorte que você volta amanhã, antes que você passasse o celular para o próximo da fila.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-1495890942022708700?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/1495890942022708700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=1495890942022708700' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1495890942022708700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1495890942022708700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2011/02/consolacao.html' title='consolação'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-7652538869256058015</id><published>2011-01-28T01:01:00.001-02:00</published><updated>2011-01-28T01:01:18.097-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>volta pelo aterro</title><content type='html'>Olhar o Pão&lt;br /&gt;de Açúcar aqui&lt;br /&gt;da Guanabara à noite&lt;br /&gt;leva uma tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas flores de luz&lt;br /&gt;dos postes atravessando&lt;br /&gt;o Aterro não mentem – &lt;br /&gt;a volta pra São&lt;br /&gt;Paulo não tarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E seu rosto &lt;br /&gt;iluminado também &lt;br /&gt;no banco de trás &lt;br /&gt;do carro&lt;br /&gt;(de tão perto vejo &lt;br /&gt;meio embaçado&lt;br /&gt;seu sorriso &lt;br /&gt;aberto&lt;br /&gt;escancarado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E penso &lt;br /&gt;o Aterro poderia ter&lt;br /&gt;mais vinte quilômetros &lt;br /&gt;até o aeroporto&lt;br /&gt;que eu observaria &lt;br /&gt;todas as flores de luz&lt;br /&gt;passando &lt;br /&gt;sem cansar&lt;br /&gt;e sussuro pra você&lt;br /&gt;a viagem foi&lt;br /&gt;tão rápida &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dois dias não &lt;br /&gt;dão pra nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-7652538869256058015?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/7652538869256058015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=7652538869256058015' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7652538869256058015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7652538869256058015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2011/01/volta-pelo-aterro.html' title='volta pelo aterro'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-5641664134770386705</id><published>2010-12-24T19:22:00.000-02:00</published><updated>2010-12-24T19:24:13.835-02:00</updated><title type='text'>navidad</title><content type='html'>Quer o Natal tenha significado ou não pra você, a história de um Deus que se torna ser humano, a Palavra (Verbo) que se faz carne, é belíssima. No meio do “jingle hells” (shoppings cheios, engarrafamento, ipads à venda, preparativos pro ano-novo), tento não perder isso de vista. Como disse o Guimarães Rosa, "narrar é resistir". Faço parte dessa resistência e vou continuar narrando por aí: Deus amou ao mundo tanto que se reaproximou dele de forma definitiva. Jesus Cristo é a face mais humana de um Deus que ainda nos ama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Feliz Natal a todos!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-5641664134770386705?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/5641664134770386705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=5641664134770386705' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5641664134770386705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5641664134770386705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2010/12/navidad.html' title='navidad'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-6925585419498276474</id><published>2010-07-08T23:50:00.004-03:00</published><updated>2010-07-08T23:54:26.051-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>vila forte</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;António Lobo Antunes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pai, na verdade eu tinha receio de subir com a ajuda do cara dos cavalos, aquela piscina redonda, os azulejos que deslizavam tanto, eu com quatro anos te escalando, vestindo a sunga azul que ganhei no aniversário (depois de abrir o embrulho com o novo megazord, claro), já dezenove anos que fomos ao Vila Forte, por causa do metal úmido escorreguei e cortei o queixo no trepa-trepa (ontem choveu, aqui em São Paulo a frente fria ainda não arredou), voltamos à Joatinga, o barulho do mar antes de dormir, as ondas lá embaixo – não disse, os cavalos não fazem mesmo sombra no mar, já se foram&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-6925585419498276474?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/6925585419498276474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=6925585419498276474' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6925585419498276474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6925585419498276474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2010/07/vila-forte.html' title='vila forte'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-3824880696432280169</id><published>2010-05-11T09:53:00.008-03:00</published><updated>2010-05-11T16:55:45.435-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>violeta (3)</title><content type='html'>Voltar do Uruguai é sempre diferente de regressar de outros países. Dentro do avião, eu ficava com meus olhos fixos naquele prado vazio, uma imensidão plana que se estendia até o horizonte. Mirava aquele deserto verde, pensando como seria possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, a caminho do aeroporto com meu tio no carro, minha atenção se deslocava lentamente pelas construções históricas da Ciudad Vieja, o porto, o mercado, a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;rambla&lt;/span&gt; repleta de pessoas tomando seu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mate &lt;/span&gt;no fim da tarde. Acho que o trajeto inteiro leva uma hora, mais ou menos. Olhando pela janela do avião no pátio, penso na melancolia que esse país sempre me causou, mas por que? Me parece que não são os prédios do centro antigo, nem o sol da tarde nos bancos de pedra vermelha da&lt;span style="font-style:italic;"&gt; rambla&lt;/span&gt;. Talvez sejam as pessoas e tudo que já me disseram, que o Uruguai era assim mesmo, ah o tempo em que o Zitarrosa ainda estava vivo etc., os ex-tupamaros. Talvez sejam os restaurantes e seus garçons idosos (os melhores), tomar &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pomelo&lt;/span&gt; em garrafas de vidro. Imagino Miguel Angel comendo em um desses bares com a Violeta, dizendo que seria capitão de um navio, ela pedindo ao garçom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Un fainá y dos cortados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(o marido chegaria logo logo). Meu pai abrindo os álbuns, o colégio militar, a vergonha. Levo comigo essa melancolia que não posso nem quero abrir mão. Meus olhos continuam fixos no imenso prado vazio ao redor do novo aeroporto de Carrasco. O segundo voo da morte, Miguel Angel despencando pelo ar. Após a decolagem, não consigo evitar o choro quando vejo, mais uma vez, os enormes quadrados demarcando as plantações, com seus diversos tons de verde. Poderia voltar, sim, a Violeta me esperaria no aeroporto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Miguelito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e me faria cócegas até eu não aguentar mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;Leia também:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/10/violeta.html"&gt;violeta (1)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/11/violeta-2.html"&gt;violeta (2)&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-3824880696432280169?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/3824880696432280169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=3824880696432280169' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3824880696432280169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3824880696432280169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2010/05/violeta-3.html' title='violeta (3)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-9085332681127532134</id><published>2010-03-29T23:37:00.007-03:00</published><updated>2010-04-29T01:28:50.110-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradução'/><title type='text'>para conhecimento – juan gelman</title><content type='html'>"enquanto nos amamos/ um cão &lt;br /&gt;late na cozinha íntima/ &lt;br /&gt;tecemos vida e morte/ &lt;br /&gt;olhos puros tua mão/ &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;onde está o cântico/ &lt;br /&gt;dos cânticos?/ o &lt;br /&gt;visível que munda noutro lugar?/ &lt;br /&gt;abrirá o ar que não se deu?/ &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estariam escritos os escritos&lt;br /&gt;de dois em um/ a obra&lt;br /&gt;que não preserva nada?/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nunca sabemos o que aconteceu/ a noite&lt;br /&gt;somos nós/ tranquila/&lt;br /&gt;cala abismos/"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;GELMAN, Juan. "Sépase", in &lt;/span&gt;Mundar&lt;span style="font-style:italic;"&gt;. Buenos Aires: Seix Barral, 2007, p. 47. Tradução minha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juan Gelman nasceu em Buenos Aires, em 1930. É um dos maiores poetas argentinos do século XX. No Brasil, apenas alguns de seus livros foram traduzidos. Este&lt;/span&gt; Mundar &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ainda é inédito por aqui. Abaixo, o poema original.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sépase&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"mientras te amo/ un perro &lt;br /&gt;ladra en la íntima cocina/&lt;br /&gt;cosemos vida y muerte/&lt;br /&gt;ojos puros tu mano/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¿a dónde se fue la canción/&lt;br /&gt;de las canciones?/  ¿el&lt;br /&gt;visible que munda en otra parte?/&lt;br /&gt;¿abre el aire que no sucedió?/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;¿estaba escrita la escritura &lt;br /&gt;de dos en uno/ la obra&lt;br /&gt;que no conserva nada?/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nunca sabemos qué pasó/la noche&lt;br /&gt;es nosotros/ tranquila/&lt;br /&gt;calla abismos/"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-9085332681127532134?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/9085332681127532134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=9085332681127532134' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/9085332681127532134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/9085332681127532134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2010/03/para-conhecimento-juan-gelman.html' title='para conhecimento – juan gelman'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-8847892708873335044</id><published>2010-02-10T22:43:00.013-02:00</published><updated>2010-04-29T01:27:59.037-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradução'/><title type='text'>a pequena chama – juana de ibarbourou</title><content type='html'>"Eu sinto um amor selvagem pela luz.&lt;br /&gt;Cada pequena chama me encanta e me ultrapassa.&lt;br /&gt;Não é cada lume um cálice que conduz&lt;br /&gt;O calor das almas que encontra em sua jornada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas são pequenas, azuis, tremelicantes,&lt;br /&gt;Iguais às almas taciturnas e bondosas.&lt;br /&gt;Outras são quase brancas: lírios fulgurantes.&lt;br /&gt;Outras, quase vermelhas: espíritos de rosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respeito e adoro a luz como se fosse inteira&lt;br /&gt;Uma coisa viva, que sente, que medita,&lt;br /&gt;Um ser que nos contempla, transformado em fogueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, quando morrer, hei de ser, a seu lado,&lt;br /&gt;Uma pequena chama de doçura infinita&lt;br /&gt;Em suas noites longas de amante desolado."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;IBARBOUROU, Juana de. "La pequeña llama", in &lt;/span&gt;Lenguas de diamante&lt;span style="font-style:italic;"&gt;. Montevidéu, 1919. Tradução minha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Juana de Ibarbourou (1892-1979) foi uma poeta uruguaia incrível. Começou a publicar seus poemas apenas com 16 anos de idade, antes de se começar a falar em modernismo aqui na América do Sul. Embora sua poesia seja composta de sonetos, versos com métrica e rimados, Juana influenciou muito sua geração e seus sucessores, não apenas no Uruguai, mas em todo continente e na Espanha. O desnudamento sincero da alma – muito além de fórmulas prontas e pastelões – impressiona, ainda mais vindo de uma mulher naquela sociedade. Suas obras completas já foram editadas três vezes na Espanha pela Aguilar, e ainda assim Juana nunca foi traduzida no Brasil. Abaixo, o soneto original.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;La pequeña llama&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Yo siento por la luz un amor de salvaje.&lt;br /&gt;Cada pequeña llama me encanta y sobrecoge.&lt;br /&gt;No será, cada lumbre, un cáliz que recoge&lt;br /&gt;El calor de las almas que pasan en su viaje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hay unas pequeñitas, azules, temblorosas,&lt;br /&gt;Lo mismo que las almas taciturnas y buenas.&lt;br /&gt;Hay otras casi blancas: fulgores de azucenas.&lt;br /&gt;Hay otras casi rojas: espíritus de rosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yo respecto y adoro la luz como si fuera&lt;br /&gt;Una cosa que vive, que siente, que medita,&lt;br /&gt;Un ser que nos contempla transformado en hoguera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Así, cuando yo muera, he de ser a tu lado, &lt;br /&gt;Una pequeña llama de dulzura infinita&lt;br /&gt;Para tus largas noches de amante desolado."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-8847892708873335044?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/8847892708873335044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=8847892708873335044' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8847892708873335044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8847892708873335044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2010/02/pequena-chama-juana-de-ibarbouroua.html' title='a pequena chama – juana de ibarbourou'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-5893848169385433283</id><published>2010-01-28T23:14:00.005-02:00</published><updated>2010-02-10T23:10:01.094-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradução'/><title type='text'>cheiros – salvador puig</title><content type='html'>"Casa, o cheiro de casa&lt;br /&gt;há muito tempo se foi&lt;br /&gt;e foi ao que busca&lt;br /&gt;entre as sombras a sombra&lt;br /&gt;de seu corpo, o pão caseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cheiro d’água, da água&lt;br /&gt;que habita num lugar&lt;br /&gt;onde as sombras andam&lt;br /&gt;por dentro de todas as sombras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com cheiros somente deveria ser possível &lt;br /&gt;fazer-se o sol, e a seguir a lua,&lt;br /&gt;as estrelas, uma mão e,&lt;br /&gt;se houvesse tempo, uma casa de&lt;br /&gt;verdade, um pão caseiro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;PUIG, Salvador. "Olores", in &lt;/span&gt;Escritorio&lt;span style="font-style:italic;"&gt;. Montevidéu: Linardi y Risso, 2006. Tradução minha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Olores&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Casa, el olor a casa,&lt;br /&gt;a tiempo que se fue de la mano,&lt;br /&gt;a la mano que busca&lt;br /&gt;entre las sombras la sombra&lt;br /&gt;de su cuerpo, el pan casero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olor a agua, al agua&lt;br /&gt;que habita en un lugar&lt;br /&gt;donde las sombras andan&lt;br /&gt;por adentro de todas las sombras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Con sólo olor debiera ser posible&lt;br /&gt;hacer el sol, luego la luna,&lt;br /&gt;las estrellas, una mano y&lt;br /&gt;si el tiempo alcanza, una casa&lt;br /&gt;visible, un pan casero."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-5893848169385433283?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/5893848169385433283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=5893848169385433283' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5893848169385433283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5893848169385433283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2010/01/cheiros-salvador-puig.html' title='cheiros – salvador puig'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-9149470848758092186</id><published>2010-01-09T20:26:00.005-02:00</published><updated>2010-01-10T20:41:13.580-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>abra as janelas assim o quarto respira</title><content type='html'>– Abra as janelas assim o quarto respira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cresci com essa ideia de cômodos sufocados após uma noite de sono, abro as janelas levanto a tela de mosquitos e pronto eis o quarto respirando, eis o vento levantando as cortinas e secando a cama cheia de suor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como pode suar tanto durante a noite Clarice&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;posso, reviro-me durante a noite, esses pesadelos que não param de vir, repetem-se, estou correndo na praia e tanta chuva contra meus olhos, o céu escuro o mar escuro a espuma branca das ondas imensas, quantas ondas que vão tomando toda a areia, o nível do mar subindo e já não vejo meus pés, a chuva espessa como o mar, tudo cinza à minha volta e logo negro e logo minha tia abrindo a porta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Como pode suar tanto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assustando-se mais uma vez com a cama molhada, criou-me sozinha dado que meu pai desconhecido e minha mãe morta no parto, como terá sido esse dia no hospital, uma vida chegando e outra partindo, terão comemorado meu nascimento, os hospitais que muitas vezes quase não têm janelas, corredores azuis e brancos, os quartos em sequência, talvez quando nasci e consequentemente minha mãe faleceu minha tia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Abra as janelas assim o quarto respira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;correndo até o outro lado do cômodo e abrindo as janelas antes de mim num movimento brusco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saindo apressada do hospital comigo em seu colo, minha sobrinha coitada não tinha mais ninguém, a Gabriela tão depressiva, dissemos à Clarice que ela morreu no parto mas a verdade é que jogou-se do quarto, não consigo entender o que chamam de depressão pós-parto, como uma mulher pode ficar daquele jeito depois de ter uma filha que deveria significar alegria, nossos primos vindo ao hospital onde a Gabriela já não estava, a polícia em volta, sacos plásticos pretos, a rua interditada, não abra a janela Clarice do contrário sua mãe &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do contrário ela &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;melhor não dizer, morreu depois do parto minha filha e pronto, sempre lhe tratei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Minha filha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;embora quando das janelas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Assim o quarto respira Clarice&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nunca entendi o porquê de dormir com o quarto tão fechado, suava a camisola inteira, era preciso trocar-lhe os lençóis quase de dois em dois dias, fecho as janelas tia porque do contrário minha mãe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(contou-me certa vez um primo de vocês)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quer dizer fecho as janelas tia porque incomoda-me este vento todo, as cortinas batendo contra a parede, as corujas lá fora e penso que só aqui onde moro elas ainda existem, incomoda-me toda esta agitação noturna e por isso fecho as janelas, por isso e não porque do contrário minha mãe &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(atira-se devo dizer?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque incomoda-me a agitação desta noite, não quero que a chuva espessa entre no quarto e cubra toda a areia e se misture com o mar e logo tudo negro à minha volta, corria com a Clarice no colo saindo do hospital horrorizada, os carros de polícia, nem sei se alguém prestou depoimento, talvez uma enfermeira, por sorte a Clarice já podia sair da incubadora e sendo assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Minha filha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levei-a para casa rapidamente, a Clarice embrulhada, a chuva espessa cobria meus olhos e misturava-se ao mar, abra as janelas Clarice e deixe-me entrar do contrário você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Minha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixe-me de janelas fechadas tia senão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixe-me dormir do contrário as corujas já vêm e a noite agita-se insuportavelmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-9149470848758092186?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/9149470848758092186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=9149470848758092186' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/9149470848758092186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/9149470848758092186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2010/01/abra-as-janelas-assim-o-quarto-respira.html' title='abra as janelas assim o quarto respira'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-3618777146856752814</id><published>2009-12-27T00:28:00.009-02:00</published><updated>2010-01-13T00:07:39.408-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>dulce</title><content type='html'>Meus primeiros cinco filhos nasceram um atrás do outro mas este último&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(que ninguém me ouça)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;parece que é mais, não sei, talvez pela diferença maior de idade em relação aos outros irmãos, o mais novo estava com oito e eu já não esperava mais um filho, talvez por ser o único branco e nós todos pretos em casa, o único filho do Osvaldo que obviamente é branco, meu ex-marido Moacir nem quero saber mas este sim que me acompanha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Meu velho &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;falo e ele sempre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Estamos juntos preta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ajudou-me a construir minha casa junto com o João e o Leandro, meus mais velhos, os três trabalham de pedreiros e eu uma empregada doméstica, o Jonathan foi o sexto e último, sem dúvida, afinal já tenho mais de quarenta anos, pensei em que nome daria sendo que todos os que um dia pensei já havia posto, Leandro Andreia João Andressa Leonardo e este agora, podia ter sido Jônatas mas acabei decidindo que Jonathan, minha casa em Queimados repleta de netos, a neta mais velha é a filha da Andreia que tem a mesma idade do Jonathan, imagine-se o tio com a mesma idade da sobrinha, essas voltas que a vida vai dando e quando um se dá conta &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Meu velho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desde os dezesseis anos que trabalho de empregada doméstica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(digo dezesseis mas a verdade é que já perdi a conta, minha data de aniversário vinte e três ou vinte e quatro de setembro, nunca lembro, o ano então nem se fala)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e os últimos vinte e poucos na casa da dona Sônia, seu filho Gabriel vi-o crescer então também meu filho, era meu único filho branco mas agora também o Jônatas, quer dizer, Jonathan porque achei melhor, quando eu era pequeno chamava a Dulce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Guegué&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porquanto não conseguia pronunciar seu nome que hoje acho belíssimo, Dulce que faz lembrar a Dulcineia do Quixote, certa vez contei-lhe esta história, um cavaleiro meio doido que se autointitulava Dom Quixote encontra uma mulher desconhecida e logo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Dulcineia &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;repare esse nome doce saindo da boca do cavaleiro e que beleza em nomear alguém que você não conhece, olhou-a simplesmente e &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Dulcineia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;segundo ele Dulcineia del Toboso, o que o Quixote teria enxergado naquele momento, não mais gigantes em moinhos de vento, os moinhos não tinham nome e era preciso derrubar a estes gigantes contudo Dulcineia teve nome e não teve necessidade de ser derrubada, essas coisas a que a literatura te leva, Dulce que nome doce mesmo e pensar que eu em pequeno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Guegué&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e logo não estava mais sozinho, meus pais no trabalho, os bonecos, o lego para montar, o videogame e a Dulce fingindo perder sempre, como as lembranças vão enchendo rapidamente a página Dulce, o Biel em pequeno dizia às outras empregadas do condomínio que não podiam conversar comigo, que coisa feia afinal não tinham seus trabalhos também, vi este menino crescer e meu Deus já quase trinta anos, hoje vou à sua casa apenas três vezes na semana, dona Sônia tão boa comigo, ajudou quando o Leo nasceu, o Jonathan eu podia levar comigo para o trabalho, meus dois filhos brancos juntos, o Biel quando pequeno ensinava-me o inglês que aprendia no colégio, queria me contar tudo que aprendia, eu trocando as panelas de boca no fogão e ele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Guegué&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;atrasando o jantar, dona Sônia se chegasse do trabalho e a mesa não estivesse posta encrencava, a casa na Joatinga tão longe, precisava apanhar três ônibus e toda aquela demora, hoje é tão mais fácil até porque de Queimados para a Tijuca tomo um ônibus só que me deixa muito perto, dona Sônia sozinha com o Biel, meus três filhos mais velhos já sairam de casa, todos casados, já me vieram quatro netos e agora é a Andressa que está grávida, o Leonardo dezoito anos já com um filho, que descuido, não adianta alertar que esses meninos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Está bem mãe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e não está, a família vai inchando, a Dulce junto comigo colhendo plantas no pátio do condomínio, colocando-as numa panela e pronto eu um grande cozinheiro mexendo com a colher de pau, aquelas plantas dentro da água movendo-se lentamente, o tempo também num movimento lento naquela época, ao menos parece-me hoje ao lembrar e viu só Dulce como as lembranças encheram mais uma página, viu como o Quixote estava certo embora eu em menino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Guegué&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já que não podia Dulce muito menos Dulcineia que dirá do Toboso e ela desfazendo-se em atenções e cuidados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Biel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;verdade que sempre &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Biel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em sua boca, nunca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como minha mãe, claro, nunca &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Querido &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou o que fosse, gritava &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Biel &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da cozinha e às vezes eu fazia de conta que não tinha escutado só para ela mais uma vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Biel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e com quanta alegria escutava meu nome em sua boca Dulce, o meu querido Biel, às vezes penso se ele lembra das naves espaciais de lego que montávamos juntos, dos desenhos animados, das espadas uma maior que a outra que ele colecionava, quantos brinquedos meu Deus, por sorte os que ele não usava mais iam lá para casa e o Leonardo e o Jonathan usavam-nos, a dona Sônia tão bondosa, tenho sete filhos preciso admitir, sempre quis poder dizer ao Biel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Querido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas como se era filho da dona Sônia, não meu, estive lendo mais uma vez o Quixote de Cervantes e não me canso de ler&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Dulcineia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aquele grito apaixonado e quanta beleza em nomear o desconhecido, coisas da literatura Dulce, às vezes não entendo porque só se escreve a respeito do que já passou, será que eles vão lembrar, prometo que não vou pedir mais nada se ao invés de &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Biel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Querido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou ainda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Filho &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;prometo que vou continuar enchendo as páginas Dulce, prometo que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e não me importa que a dona Sônia me ouça Biel, meu querido Biel, juro que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Querido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de agora em diante, Dulce venha comigo até o pátio colher algumas plantas, dê-me mais uma vez aquela colher de pau sem que minha mãe saiba, por favor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Guegué&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não a literatura, não os moinhos, não os jantares na mesa mas panelas repletas de plantas e água, espadas, naves espaciais, essas lembranças que como era de se esperar encheram mais uma página.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-3618777146856752814?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/3618777146856752814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=3618777146856752814' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3618777146856752814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3618777146856752814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/12/dulce.html' title='dulce'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-3981896738646982345</id><published>2009-12-24T12:35:00.008-02:00</published><updated>2010-02-16T00:36:25.531-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><title type='text'>put the lights on the tree</title><content type='html'>Dezembro foi um mês corrido e consequentemente sem posts. Mas era imprescindível deixar aqui um feliz Natal para todos os queridos leitores deste blog! Abaixo um belo poema de S. João, na tradução magistral de Eugene Peterson. Logo após, uma tentativa minha de tradução da tradução:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"The Word became flesh and blood,&lt;br /&gt;and moved into the neighborhood.&lt;br /&gt;We saw the glory with our own eyes,&lt;br /&gt;the one-of-a-kind glory,&lt;br /&gt;like Father, like Son,&lt;br /&gt;Generous inside and out,&lt;br /&gt;true from start to finish." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(John 1:14, The Message)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A Palavra tornou-se carne e sangue&lt;br /&gt;e mudou-se para a vizinhança.&lt;br /&gt;Nós vimos a glória com nossos próprios olhos,&lt;br /&gt;glória inigualável,&lt;br /&gt;como Pai, como Filho,&lt;br /&gt;Ricamente generoso,&lt;br /&gt;verdadeiro do início ao fim."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-3981896738646982345?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/3981896738646982345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=3981896738646982345' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3981896738646982345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3981896738646982345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/12/put-lights-on-tree.html' title='put the lights on the tree'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-8706187620339438047</id><published>2009-11-29T22:31:00.007-02:00</published><updated>2009-11-29T22:50:21.681-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>espantam-me essas flores</title><content type='html'>Minha avó costumava orgulhar-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Se cheguei aos setenta anos assim continuo pelo menos mais uns vinte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ajudante de enfermagem, hoje em seu funeral lembrava-me de como costumava me mostrar as seringas explicando que para achar a veia era necessário apertar bem forte o elástico, eu com os meus seis anos olhava-a como se pudesse curar qualquer doença, quando me resfriava era a vó trazendo os remédios, a vitamina C, o própolis para a garganta caso inflamasse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Anda sempre doente o menino Carla&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; minha mãe tendo que ouvir mais uma vez suas recomendações, que não me deixasse brincar ao sereno, que fosse à minha escola ver como nos cuidavam. Hoje neste funeral&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; digo, neste cortejo longuíssimo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; vejo minha avó deitada, as mãos sobre os seios que quando menino impressionavam-me por serem tão grandes, o volume em sua blusa, usava-os de almofada quando assistia televisão deitado em seu sofá, os doces que ela comprava na feira, gostava em especial daquele com recheio de goiabada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Querido olha o que te trouxe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; o apartamento em Copacabana ficava numa rua movimentadíssima mas era de fundos, ouviam-se os carros ao longe, a TV que assistíamos e ela gabando-se para mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Se cheguei aos setenta anos assim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; fazendo-me cafuné, não sei o que pensaria depois da ponte de safena, aos oitenta não era mais a mesma, a dificuldade para levantar, tomava banho apenas com a ajuda da enfermeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Lave-me as costas devagar Cecília não vê que machuca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; curvando-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Cecília um banco preciso sentar-me um pouco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; hoje mais cedo passamos pela parte mais pobre do cemitério, a terra que cobria os caixões, não haviam lápides nem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Descanse em paz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; nem datas, caminhávamos desviando os olhos dos urubus, a grama rala, a terra em nossos pés, os vira-latas com manchas pelo corpo, um deles seguiu-me de perto até onde minha avó seria enterrada, o alívio que foi quando avistamos os memoriais, as lápides imensas, os mausoléus, os &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Descanse em paz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; orações de padres e pastores pelo caminho, flores sendo jogadas dentro dos túmulos antes que se fechassem, por que flores sempre me perguntei, por que se morrerão no dia seguinte sem água, jogaram algumas também sobre o caixão da minha avó, as mãos sobre os seios enormes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Lave-me as costas devagar Cecília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; no hospital quando faleceu fui eu a escolher o caixão, aquele de madeira escura com a cruz dourada e o versículo, e claro também queremos a coroa de flores com a faixa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Com amor à nossa mãe e avó Júlia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; tudo resolvido em meia hora, minha mãe incapaz de pronunciar qualquer palavra, meu irmão mais novo sentado à porta, o agente funerário perguntando-me se o enterro seria hoje mesmo, se queríamos vê-la ainda antes que fosse devidamente preparada, minha mãe hesitante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Que mal há um minuto só&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; e chorando uma vez mais, afastando-se, o agente funerário poderia ser pago em cartão e a máquina ficava na portaria do hospital. Havia sido a segunda operação no coração mas a esta minha avó não resistiu, já estava enfraquecida demais, pensar que tudo isso foi hoje pela manhã, pensar que agora já está &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Descanse em paz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; debaixo da terra, nos últimos meses íamos com ela a qualquer pequeno evento que pudesse lhe interessar, sempre amou Clarice Lispector e quando soubemos que sairia uma nova biografia sobre a escritora levamo-la para o lançamento que teria a presença do autor, minha avó sentada na cadeira &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Estou ouvindo mas não aguento mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; tirando mais uma foto com o bisneto que não sabe o nome, falando baixinho à minha mãe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Que dor filha que dor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; e minha mãe colocando a mão em seu ombro, pedindo que se acalmasse afinal não era nada, que prestasse atenção no que o autor dizia sobre sua Clarice. Os familiares e amigos do hospital chegando hoje ao funeral, minha avó dizia a qualquer um que lhe fizesse um favor &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Obrigada passar bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; e assim livrava-se de ter que ver aquela pessoa novamente, imagino que se estivesse viva hoje diria a todos em volta de seu túmulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Obrigada passar bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; olhando-me de baixo pois já lhe ultrapassei a altura faz tempo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Se cheguei&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; eu segundo minha avó um negro bem sucedido e bonito, visitava-a vez ou outra quando saía do trabalho no Centro de terno e gravata&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Querido olha &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; saímos do cemitério do Caju às seis da tarde, o padre nos acompanhou até a porta, que podíamos ligar quando quiséssemos, que contássemos com ele, tive vontade de agradecer e como minha avó&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Passar bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; mas não disse nada, minha mãe calada no carro até chegarmos em casa, não herdara os seios de minha avó mas também amava Clarice, certa vez lera-me algo como&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Agradeço aos meus olhos que ainda se espantam tanto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; eu que nunca terminei um livro, ficou-me a frase na cabeça, meus olhos hoje se espantam com esses vira-latas manchados, os túmulos sem lápides, espantam-me os seios fartos de minha avó desaparecendo quando os coveiros fecharam o caixão, desciam-no com cordas, a madeira resvalando no concreto que ladeava o buraco, as flores por cima, as coroas colocadas de lado, espantam-me as flores caindo dentro do buraco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Que dor filha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; não pude olhar, o agente funerário ainda vai mas essas flores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Cecília um banco preciso sentar-me&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; essas flores que morrerão sem água, a veia, os elásticos apertados, as seringas, minha avó chegando com os remédios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Anda sempre doente o menino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; eu brincando no sereno junto às lápides&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Anda sempre &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; de paletó cinza acompanhado dos vira-latas manchados, tomando minha vitamina C como haviam-me acostumado, minha avó curaria o que fosse, poderia brincar ao sereno sem maiores preocupações que traria o própolis, traria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Cecília um banco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; o que fosse, dávamos voltas longuíssimas com o cortejo e ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; – Passar bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para todos, as flores continuavam caindo, resvalando nas paredes de concreto do buraco e atingindo a madeira escura do caixão que agora via-se cada vez menos, espantam-me sobremaneira essas flores, flores sobre a tampa do túmulo, flores pelo chão que provavelmente teriam sobrado nos cestos dos que estavam por ali.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-8706187620339438047?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/8706187620339438047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=8706187620339438047' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8706187620339438047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8706187620339438047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/11/minha-avo-costumava-orgulhar-se-se.html' title='espantam-me essas flores'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-5051663860848045566</id><published>2009-11-25T19:30:00.003-02:00</published><updated>2009-11-25T21:00:43.195-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='evento'/><title type='text'>I prêmio paulo britto de poesia e prosa</title><content type='html'>O prêmio foi promovido pela PUC-Rio mês passado, e ganhei na categoria prosa. Meu texto ("Carta para Ana"), junto com os outros vencedores, está lá no blog do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Plástico Bolha&lt;/span&gt;: &lt;a href="http://jornalplasticobolha.blogspot.com/2009/11/carta-para-ana-1-lugar-de-prosa.html"&gt;http://jornalplasticobolha.blogspot.com/2009/11/carta-para-ana-1-lugar-de-prosa.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto havia sido parcialmente publicado aqui um tempo atrás, mas modifiquei-o bastante. Confiram lá!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-5051663860848045566?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/5051663860848045566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=5051663860848045566' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5051663860848045566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5051663860848045566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/11/i-premio-paulo-britto-de-poesia-e-prosa.html' title='I prêmio paulo britto de poesia e prosa'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-2145766689282169331</id><published>2009-11-23T17:38:00.016-02:00</published><updated>2010-05-11T16:39:33.078-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>violeta (2)</title><content type='html'>Quando ingressou na Escola de Belas Artes, Miguel Angel provavelmente não sabia o que lhe esperava, o golpe militar, a vida de revolucionário. No Chile, tornou-se chofer da embaixada da Finlândia e extraditava uruguaios com a ajuda da namorada finlandesa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Con el arte solamente no se puede&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a ditadura também por lá, imagino que foi por isso que se refugiou na Argentina, o Partido por la Victoria del Pueblo, a prisão. Dias depois seria colocado no segundo voo da morte: todos os presos políticos dentro do avião, a rampa de lançamento abrindo e logo todos no ar girando, me pergunto o que ele pensaria naquele momento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Con el arte solamente&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pensaria na Violeta, na casa do Prado, na filha, meu pai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sempre tive vergonha de ter estudado no colégio militar, meu primo que abriu meus olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;chorando ao me contar, disse que não tivesse vergonha, que por vezes não vemos mesmo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(descendo em queda livre)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu pai abrindo os armários com os álbuns de fotos, hasteando a bandeira no colégio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Meu primo que abriu meus olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já no Rio ligando para a mãe, estava tudo bem e ela em breve poderia ir visitá-lo, a passagem de ônibus era barata, era atravessar o litoral do Brasil de preferência no inverno por conta do calor, Miguel Angel girava no ar, o avião distante, o telefonema da Violeta &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Chiche tu primo desaparició&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ela depois percorrendo o Chile e a Argentina atrás do filho, prestes a embarcar agora para a Bolívia e minha avó&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Viola no te vayas, no ves que Miguel Angel ya no está&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desistindo de convencê-la, servindo mais leite no chá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Chiche tu primo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(caindo numa velocidade cada vez maior)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Chiche&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu tinha o costume de ir para o quintal da casa do Prado e ficar sentado no balanço olhando durante muito tempo a parreira com sua sombra cheia de bolotas, a cachorrinha Blacky atrás de mim, a Violeta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Miguelito no tengas miedo, ella no muerde&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;falava um espanhol rápido e embolado mas isso pude entender&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Miguelito no tengas miedo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o nariz curvo que ficava ótimo nela, as cócegas e eu pedindo que parasse, meu avô Totito tinha um armário cheio de tralhas e fabricava espadas e escudos feitos de sucata pra mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Touché&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se agachando para lutarmos de igual para igual, se jogando no chão, estava derrotado e eu era mesmo o mais bravo cavaleiro que já se vira naquele quintal. Lembro de vê-lo jogando cartas com o marido da Violeta, depois a venda da casa, as bengalas encostadas na poltrona branca &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Viola no te vayas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se mudaram para Pocitos mas por sorte o asilo da Violeta era perto, nos dias que a levavam para casa ficava costurando no canto da sala, o alzheimer e as perguntas sempre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– ¿Telma donde está mi hijo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sempre &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Telma&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e mais leite no chá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a queda livre, o mar cada vez mais perto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Touché&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meses depois encontraram alguns corpos na baía de Cabo Polónio mas Miguel Angel continuou desaparecido, voltei ao Uruguai e a Violeta no aeroporto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Miguelito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;feliz por nos ver, me fazendo cócegas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Miguelito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vi uma foto dela com vinte anos debruçada num parapeito, botas até os joelhos, teria andado a cavalo naquele mesmo dia, teria levantado o rosto e sentido o vento forte de Lavalleja, meu pai fechando o álbum, guardando-o de volta no armário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sempre tive vergonha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o mar de Montevideo, nunca entendi por que quase ninguém mergulha, ficam apenas no calçadão tomando o mate, talvez porque tenham visto os corpos chegando à beira da praia em Cabo Polónio, talvez por causa da água marrom, quando vou à &lt;span style="font-style:italic;"&gt;rambla &lt;/span&gt;e vejo a areia vazia sinto uma pena, o mar sem ninguém, as pessoas na orla olhando em direção ao horizonte como se vissem algo, como se as ondas fossem lhes trazer alguém que não veem há muito tempo, como se fos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como se quisessem mergulhar mas não conseguissem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;Leia também&lt;br /&gt;&lt;a href="http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/10/violeta.html"&gt;violeta (1)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://magicodesinventor.blogspot.com/2010/05/violeta-3.html"&gt;violeta (3)&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-2145766689282169331?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/2145766689282169331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=2145766689282169331' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2145766689282169331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2145766689282169331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/11/violeta-2.html' title='violeta (2)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-5788691489402440399</id><published>2009-11-15T23:54:00.001-02:00</published><updated>2009-11-15T23:54:55.082-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>jasmim-manga (9)</title><content type='html'>Certa vez o jasmim estava preocupado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Minha manga querida, e Deus, onde está? Sinto-me longe&lt;br /&gt;– Meu jasmim, não se preocupe, veja bem: Deus é, por exemplo, esse vento no qual você agora acha prazeroso flutuar, é a doçura que eu contenho, o cheiro com que nós perfumamos o mundo. Deus é todas as belezas juntas e mais um pouco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ó, acho que agora entendo: Deus tem me perseguido&lt;br /&gt;– O que quer dizer, meu belo jasmim?&lt;br /&gt;– Que você, minha manga montanhosa e vistosa, você é Deus me perseguindo lindamente com amor e beleza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a manga sentiu o coração bater mais forte com aquela declaração do jasmim e ficou toda arrepiada)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sim, meu jasmim, e Deus é também ter novos olhos para enxergar as coisas que vemos sempre, vejo-o todos os dias aqui na Urca onde moramos&lt;br /&gt;– Ah, sim, e que belo bairro escolhemos para morar, não é mesmo?&lt;br /&gt;– De fato, jasmim querido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora, já despreocupado, o jasmim agarrou-se aos sulcos da manga e pôde descansar tranquilo. Pois a verdade é que, quando se pensa muito em um único dia, a melhor coisa a fazer é parar um pouco com todos esses pensamentos e viver com o que já conseguimos entender até o momento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-5788691489402440399?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/5788691489402440399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=5788691489402440399' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5788691489402440399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5788691489402440399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/11/jasmim-manga-9.html' title='jasmim-manga (9)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-1270556693585335057</id><published>2009-11-10T20:33:00.005-02:00</published><updated>2009-11-10T20:46:55.853-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>origamis</title><content type='html'>O que me impressiona &lt;br /&gt;é essa sua capacidade  &lt;br /&gt;de lidar com o mundo &lt;br /&gt;como se tudo se &lt;br /&gt;tratasse de dobrar &lt;br /&gt;e desdobrar origamis &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como se as pessoas &lt;br /&gt;objetos etc. fossem &lt;br /&gt;os papéis coloridos &lt;br /&gt;que você compra &lt;br /&gt;na Liberdade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-1270556693585335057?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/1270556693585335057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=1270556693585335057' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1270556693585335057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1270556693585335057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/11/origami.html' title='origamis'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-7826316286828579910</id><published>2009-10-31T00:05:00.009-02:00</published><updated>2010-05-11T16:45:01.484-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>violeta</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;para meu pai&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel Angel foi um dos primos do meu pai, tupamaro que desapareceu na ditadura uruguaia. Meu nome de batismo foi, portanto, uma homenagem. Por muitos anos ignorei a história da minha família, os 22 anos que meu pai passara em Montevideo antes de se mudar para o Rio, Miguel Angel etc. Aprendi sozinho o espanhol que nunca fizeram questão de me ensinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de pensar que Miguel Angel não tinha medo: olhava-se no espelho todos os dias pela manhã, pegava as armas, fazia duas ou três ligações-código&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Ahora el pájaro ya vuela sólo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e tomava seu chimarrão à tira colo, dizia adeus à filha Ximena que confiava a meu pai e ia se encontrar com os companheiros de luta. Violeta, a mãe de Miguel Angel, foi presa certa vez por conta das atividades ilegais do filho, sua cabeça nos galões d’água, os oficiais provocando ao despi-la&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Miren que no está tan vieja así&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lhe apertando, dizendo que seu filho havia sido capturado e o estavam torturando até a morte mas ele não contava, então era melhor que ela contasse para que os sofrimentos do filho tivessem um fim. Até que chegou à prisão uma companheira de Miguel Angel e logo combinaram que, caso a moça conseguisse sair antes dela, tão logo encontrasse alguém da família diria a pessoa que escrevesse à Violeta relatando, em código combinado, o estado de seu filho. Deu de cara com meu pai no segundo dia depois da soltura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Ay no puedo creer que te encontré, che tomemos un café que tengo algo a decirte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e explicou que, já que a Violeta costurava o tempo inteiro, combinaram que agulhas indicariam que Miguel Angel estava bem e novelos de lã que ele havia conseguido sair do país. Meu pai escreveu à tia que seu neto Pablito nascera e que estava precisando de roupas, por isso enviava a lã e as agulhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Ahora el pájaro ya vuela&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e a Violeta pulava de alegria, os guardas sem entender relendo uma duas três vezes a carta sem achar nenhum indício de coisa alguma, a Violeta dançava nua pela prisão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Miren que no está tan vieja&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu pai aluno de colégio militar percorrendo os quartéis, perguntando de uma senhora que se chamava Violeta, Miguel Angel havia saído do país, o novelo de lã, o Chile ainda sem ditadura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Ay no puedo creer que te encontré&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a Violeta de volta em casa, fazendo casacos, o Chile agora sob regime militar, a ausência de notícias. Penso que a esta altura Miguel Angel já havia sido capturado, os galões d’água, o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui à antiga casa na qual minha avó e a Violeta moraram grande parte da vida, no Prado, onde eu comia uvas da parreira que ficava sobre a pérgola do jardim dos fundos, numa Montevideo cinza e longe do centro. Prefiro Montevideo a Montevidéu como se deveria escrever aqui, Miguel Angel queria sua Montevideo sem milicos, minha avó nervosa com mais uma inspeção da polícia do governo em sua casa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Mi hijo hasta cuando eso va durar, por favor no te metas con estas cosas también como hizo tu primo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu pai tratando de acalmá-la, dizendo que ele não sabia de nada, que não pretendia se envolver, a mãe da minha irmã grávida, a mudança pro Rio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Ahora el pájaro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minha avó consolando a irmã, que iam encontrá-lo tão logo acabasse aquele pesadelo militar, que ele estaria no Chile ou quem sabe na Bolívia, Miguel Angel sempre fora esperto embora um pouco desbocado, meu novo casaco de lã&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Filho quando vim do Uruguai já não tínhamos mais notícias do meu primo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(eu ouvia com toda atenção)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o alzheimer da Violeta, as visitas ao asilo, a Ximena ganhando a pensão dos desaparecidos, o chá da tarde, minha avó &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– ¿Viola te acordás de cuando Miguel Angel era chiquito y decía que sería capitán de un navío?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minha tia-avó concordando com a cabeça, colocando leite no chá&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Filho quando vim do Uruguai já não&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a casa do Prado, a parreira do quintal, as uvas doces, o alzheimer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Viola te acordás de cuando Miguel Angel era chiquito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu batismo na igreja de São Conrado, o calor do Rio de Janeiro, cresci ouvindo esporadicamente o espanhol que me esforçava em aprender&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no avião de volta ao Rio o jantar era gnocchi com molho de tomate, nada comparado ao que a minha avó fazia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;– Viola te acordás de cuando Miguel Angel&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pousei no Galeão e chamei um táxi, o chimarrão do taxista gaúcho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Veio da onde patrão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conhecia o Uruguai e a Argentina também, claro, era inverno no Rio de Janeiro, fazia um frio incomum e meu casaco de lã estava na mala do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;Leia também&lt;br /&gt;&lt;a href="http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/11/violeta-2.html"&gt;violeta (2)&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://magicodesinventor.blogspot.com/2010/05/violeta-3.html"&gt;violeta (3)&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-7826316286828579910?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/7826316286828579910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=7826316286828579910' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7826316286828579910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7826316286828579910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/10/violeta.html' title='violeta'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-9196000485315005833</id><published>2009-10-27T01:13:00.001-02:00</published><updated>2009-10-27T01:56:45.085-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>jasmim-manga (8)</title><content type='html'>Um dia a manga apareceu toda verde e mais cheirosa do que nunca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O que aconteceu com você, minha manga?&lt;br /&gt;– Desamadureci&lt;br /&gt;– E o que isto quer dizer?&lt;br /&gt;– Que sinto-me mais nova, meu jasmim, como uma criança&lt;br /&gt;– Sim, e conseguiu ficar mais bonita ainda, como isso é possível?&lt;br /&gt;– Talvez seja o frescor da juventude&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o jasmim começou a lembrar que, quando era mais novo, seus olhos se espantavam muito com as coisas que via ao redor. Mas não era medo: espanto quer dizer assustar-se sem ter medo, com um quê de alegria por não conhecer bem aquilo que se sente ou se vê. Quem se espanta fica feliz de não saber tudo e de estar sempre aprendendo. E concluiu que, embora não estivesse verde, estava começando a desamadurecer também, junto com sua manga, porque estava enxergando muitas novas belezas em volta de si.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-9196000485315005833?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/9196000485315005833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=9196000485315005833' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/9196000485315005833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/9196000485315005833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/10/jasmim-manga-8.html' title='jasmim-manga (8)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-1375919201647679987</id><published>2009-10-20T00:39:00.001-02:00</published><updated>2009-10-20T00:49:42.583-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>jasmim-manga (7)</title><content type='html'>– Querida manga por favor me ensine a fotografar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pediu o jasmim quando descobriu que a manga era também exímia fotógrafa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É assim jasmim feche os olhos e depois abra-os para capturar os instantes que estão sempre passando, os instantes em movimento&lt;br /&gt;– Ah sim o que as pessoas chamam de passado&lt;br /&gt;– Nada disso, jasmim querido, o presente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e a manga explicou que, na verdade, vivemos em um eterno presente que vai se sucedendo, presentes atrás de presentes, e a fotografia seria então enquadrar um desses presentes que passa por nós naquela hora da foto, explicou que o passado é um presente que já passou mas que se torna presente de novo quando lembramos, que o futuro também se torna presente quando esperamos ansiosamente mas sem preocupações por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Compreendo, mas e a câmera?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(logo se vê que o jasmim entendia muito rápido as coisas, algumas pessoas talvez precisassem de dias para compreender isso que a manga disse, outras precisariam fazer um doutorado o que significa estudar muito mais do que você estudou em toda sua vida)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Segure ela assim ó, as melhores fotos são as tiradas na diagonal&lt;br /&gt;– Sempre achei que as fotos deviam ser retas&lt;br /&gt;– Esqueça isso jasmim, nada nesse mundo é reto, os maiores cientistas já afirmaram que o nosso próprio planeta é redondo e está no meio de um universo sem forma definida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(o jasmim estava pasmo de ver quanto conhecimento sua manga possuía, e ouvia tudo com enorme atenção e deleite)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pois bem outra coisa que você precisa saber é acerca das cores das fotos: podem ser em preto e branco ou coloridas&lt;br /&gt;– Ó meu Deus e agora como saberei quando usar cada tipo?&lt;br /&gt;– Isso depende do que você quer ver e mostrar com a foto&lt;br /&gt;– Ah minha manga vistosa se eu te fotografasse nunca seria em preto e branco, pois uma das coisas que mais admiro em você são essas cores maravilhosas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(e aqui a manga de novo começou a passar de amarelo a vermelho porque sempre se envergonhava quando o jasmim a elogiava assim). O jasmim então começou a tirar fotos, mas uma pergunta crescia dentro de si, até que não aguentou mais e perguntou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Querida manga penso que quando tiro fotos de coisas belas como você estou lhes roubando a beleza e tenho medo de que elas fiquem menos belas depois da foto&lt;br /&gt;– Isso nunca acontecerá jasmim, mas o contrário: as fotos acrescentam beleza às coisas que são belas por natureza e, às vezes, mostram a beleza que está escondida em coisas nas quais normalmente não a enxergamos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e desta forma o jasmim perdeu o medo e saiu fotografando mundo a fora, mundo a dentro, encontrando e se espantando com novas belezas que nunca havia visto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-1375919201647679987?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/1375919201647679987/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=1375919201647679987' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1375919201647679987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1375919201647679987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/10/jasmim-manga-7.html' title='jasmim-manga (7)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-6880113669710551337</id><published>2009-10-10T23:32:00.004-03:00</published><updated>2009-10-31T19:01:20.845-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>fotografia</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;para Carol&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrita de luz, a &lt;br /&gt;foto-&lt;br /&gt;grafia. &lt;br /&gt;Escreve-se com a &lt;br /&gt;luz &lt;br /&gt;e você ainda diz que &lt;br /&gt;não lê. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler o mundo,&lt;br /&gt;ler os mundos&lt;br /&gt;a partir de &lt;br /&gt;suas luzes,&lt;br /&gt;ausências –&lt;br /&gt;silêncios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo quando não há&lt;br /&gt;lentes;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ler,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo quando luz e trevas&lt;br /&gt;se juntam;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ler, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo que as lentes&lt;br /&gt;sejam os seus próprios&lt;br /&gt;olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paramos no cruzamento –&lt;br /&gt;seu casaco vermelho,&lt;br /&gt;o cachecol nos cabelos,&lt;br /&gt;você olhava &lt;br /&gt;lenta,&lt;br /&gt;diversa.&lt;br /&gt;Imersa&lt;br /&gt;nas cores do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Shall we cross&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;o mundo,&lt;br /&gt;as cidades e&lt;br /&gt;os sentidos –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cidade-texto&lt;br /&gt;cidade-luz&lt;br /&gt;cidade-cor&lt;br /&gt;cidade&lt;br /&gt;e seus olhos cheios de &lt;br /&gt;cimento,&lt;br /&gt;lágrimas,&lt;br /&gt;ternura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-130bc3df543c36d8" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param 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href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=6880113669710551337' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6880113669710551337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6880113669710551337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/10/fotografia.html' title='fotografia'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-3379227133881930294</id><published>2009-10-08T18:33:00.005-03:00</published><updated>2009-10-08T21:04:49.703-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><title type='text'>a alma e a matéria</title><content type='html'>Divulgando: publicaram um pequeno texto meu lá no site da editora e revista &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ultimato&lt;/span&gt;, na seção "Opinião".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra quem não conhece, a &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ultimato&lt;/span&gt; é, na minha opinião, uma das revistas cristãs mais sérias e agora está querendo ativar o seu espaço online. Tem uma chamada pro texto na primeira página do &lt;a href="http://www.ultimato.com.br"&gt;site&lt;/a&gt;, mas podem acessá-lo diretamente &lt;a href="http://www.ultimato.com.br/?pg=show_conteudo&amp;util=1&amp;categoria=3&amp;registro=1149"&gt;aqui&lt;/a&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto é o desenvolvimento de algo que comecei um tempo atrás &lt;a href="http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/11/heidegger-e-quadratura.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; no blog. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confiram!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-3379227133881930294?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/3379227133881930294/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=3379227133881930294' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3379227133881930294'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3379227133881930294'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/10/ultimato.html' title='a alma e a matéria'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-2033115931179092230</id><published>2009-10-01T18:33:00.000-03:00</published><updated>2009-10-01T18:35:02.675-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>jasmim-manga (6)</title><content type='html'>O jasmim, do alto de sua jasmineza, era muito suscetível a qualquer tipo de vento. Quando ainda pertencia ao jasmineiro, o vento batia levando a planta para lá e para cá, mas ela sempre voltava ao mesmo lugar instantes depois. Agora, independente como ele estava, era diferente: ao menor sinal de qualquer vento, era levado, e sabe lá Deus onde ia parar. Foi o vento que o levou pela primeira vez, naquela gloriosa tarde, ao centro de sua manga querida. Estando lá, ele não precisava se preocupar com as rajadas ventoríficas: aquecia-se e se prendia no interior da manga que era quente e cheio de sulcos onde podia prender-se. Quando, no entanto, estava longe dela, um ou outro vento forte impeliam-no para longe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Meu Deus onde foi parar o jasmim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dizia quem estivesse por perto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Isso sempre acontece daqui a pouco ele volta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e ia lá o jasmim traçando caminhos sempre diferentes, sempre de volta ao lugar de onde havia sido levado. Não à toa ficava tão feliz quando se chegava à manga: não tinha mais que se preocupar com a imprevisibilidade dos ventos. Imprevisibilidade era uma palavra que o jasmim não conhecia, porque jasmins se dão melhor com palavras pequenas como sol, folha... no máximo algo como quadrado; telefone, por exemplo, já complicava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas falemos dos ventos e do jasmim. Com o tempo, o jasmim aprendeu a se divertir com aquela imprevisibilidade dos ventos, ou seja, o fato de nunca se saber de onde eles vêm e para onde eles vão. Percebeu que isso poderia ser ótimo: ir flutuando ao sabor do vento, deslizando suave pelos espaços, sendo carregado. Isso o ajudava a fazer passar o tempo quando estivesse longe de sua bela manga. O jasmim agora assumia a vocação para a leveza que sempre teve. Divertia-se também, uma vez que pousava nos lugares aonde o vento lhe levava, se perdendo ao tentar encontrar o caminho de volta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manga, por sua vez, achou ótimo que o jasmim agora fosse levemente leve como sempre pôde ser mas se recusava. E aplaudia toda vez que, por algum acaso, o visse voando por aí.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-2033115931179092230?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/2033115931179092230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=2033115931179092230' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2033115931179092230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2033115931179092230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/10/jasmim-manga-6.html' title='jasmim-manga (6)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-8065756777924375038</id><published>2009-09-22T18:37:00.008-03:00</published><updated>2009-09-22T20:37:07.239-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>jasmim-manga (5)</title><content type='html'>A manga era muito inteligente. Sabia falar várias línguas, inclusive japonês. Por causa disso, tinha uma outra mania que o jasmim achava curiosíssima: às vezes, em uma frase só, misturava palavras de três ou quatro línguas diferentes. Como o jasmim só estava acostumado com as línguas latinas, ela evitava colocar palavras em japonês ou russo para não confudi-lo. Se em uma carta ela achasse mais bonito mandar beijos de manga em italiano, escreveria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Baci&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao que o jasmim agradecia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Grazie, bella&lt;/span&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(pois essas eram duas das poucas palavras que ele sabia em italiano, embora achasse essa a língua mais bonita de se pronunciar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu falava que a manga costumava misturar línguas em uma frase só. Isso se dava porque ela achava que as frases soavam melhor ou eram faladas de um jeito mais significativo em certas línguas. Por exemplo, ela amava a palavra “saudade” do bom e velho português, mas vez ou outra dizia para o jasmim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Tu me manques&lt;/span&gt;, meu belo jasmim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois achava belíssima essa expressão francesa também, que para ela lembrava “mancar”, “faltar um pedaço”. Assim, conseguia dizer que quando estava longe do jasmim era como se lhe faltasse uma parte de si. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jasmim no início ficava confuso com essa revolução nas línguas feita pela manga, mas depois começou a se acostumar. Também passou a estudar francês, já que era uma das línguas prediletas da manga. O inglês ela também usava bastante: quando queria ser elegante ao extremo, quando lembrava de uma expressão desses filmes hollywoodianos ou quando queria ser muito íntima e informal, falando de pertinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– &lt;span style="font-style:italic;"&gt;You know what? I’m so glad I found you&lt;/span&gt;, jasmim querido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o jasmim se derretia todo com aquela declaração da manga, estava também tão feliz de tê-la encontrado, de terem misturado seus cheiros... Ele por sua vez falava espanhol, uma das poucas línguas que a manga não falava tão bem, embora compreendesse algo. O jasmim achava ótimo pois o espanhol tinha diversas palavras para dizer "bonita", "linda": &lt;span style="font-style:italic;"&gt;guapa, hermosa, bella, encantadora, graciosa, preciosa&lt;/span&gt;, além de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;linda&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style:italic;"&gt;bonita&lt;/span&gt;, iguais ao português. Todas essas ele usava pois temia que ela se cansasse de ouvi-lo elogiando-a somente com os dois adjetivos do português. E a manga abria-se em sorrisos ao ouvi-lo falando assim ao pé do ouvido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ah meu jasmim quem dera eu saber também o espanhol&lt;br /&gt;– Eu te ensinarei minha manga é tão fácil, em troca você me ensina o italiano pois acho tão deleitável&lt;br /&gt;– Queria saber todas as línguas do mundo para ter a possibilidade de escoher as melhores expressões, te ensinaria todas jasmim certamente&lt;br /&gt;– E eu ouviria tudo cheio das atenções pois quando você fala sinto que&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a manga foi ficando vermelha de vergonha)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Sinto que são palavras verdadeiras, sinto-me um privilegiado pois você mais silencia e mais ri do que fala&lt;br /&gt;– Ó meu jasmim as palavras são para mim preciosíssimas não quero gastá-las à toa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e com isso o jasmim finalmente entendera os silêncios da manga. Agora, quando a via calada, abria um sorriso enorme, compreendendo que ela estava preparando belíssimas palavras que viriam em algum momento futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-8065756777924375038?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/8065756777924375038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=8065756777924375038' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8065756777924375038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8065756777924375038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/09/jasmim-manga-5.html' title='jasmim-manga (5)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-3929427761974563010</id><published>2009-09-09T04:33:00.003-03:00</published><updated>2009-09-09T04:40:05.388-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>jasmim-manga (4)</title><content type='html'>A manga agora viajava sempre, virara presidenta da associação de mangas e por isso vivia a visitar outros estados e até o exterior do país. Nem sempre o jasmim podia acompanhá-la. Toda vez que o jasmim e a manga se reencontravam depois dessas longas viagens era como se fosse a primeira vez, a manga envergonhada pelo olhar amoroso do jasmim, ele se perguntando o porquê de tanta timidez. Chegou à conclusão que a manga era tão incrível e graciosa que devia sentir mesmo vergonha por ser tão grandiosamente incrível e graciosa assim – num mundo cheio de cores pretas e brancas e de paisagens planas, ela era toda colorida, montanhosa, cheia das formas belas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que o jasmim sempre se esquecia e achava graça era uma mania muito peculiar da manga. Por vezes, ela ao invés de respirar dava risada. Trocava o respiro inspirar expirar pelo riso. Era uma risada rápida e curta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Hihi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que nada no mundo explicava. A manga era toda sorrisos. No começo o jasmim achava esquisito mas depois achou graça de ter pra si uma manga toda risonha assim e sorria toda vez que a manga esquecia de respirar e dava risada daquele jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tendo se reencontrado e dado risada à vontade, o jasmim disse à manga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Minha belíssima manga há ainda um bairro no Rio que você não conhece&lt;br /&gt;– Mas como é possível meu belo jasmim, já andamos a cidade inteira!&lt;br /&gt;– Há um bairro de nome Urca que dizem que quem entra lá nunca mais quer sair!&lt;br /&gt;– Jura?&lt;br /&gt;– Sim eu mesmo fui certa vez e foi só depois de dois dias que consegui sair de lá, precisando ser escoltado pelo meu jasmineiro inteiro&lt;br /&gt;– Ó jasmim mas e se isso for verdade que fazemos? Ficaremos lá para sempre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao que o jasmim não respondeu, deixando a pergunta em aberto, mostrando à manga qual ônibus deveriam pegar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(era um microônibus e portanto o cheiro de jasmim-manga se espalhou rapidamente, o motorista assobiava de felicidade) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e no ponto final a manga não conseguia descer do ônibus pois estava insegura que só. Finalmente venceu a timidez &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Jasmim não vai responder à pergunta que fiz?&lt;br /&gt;– Qual?&lt;br /&gt;– E se for verdade e nunca mais quisermos sair daqui? Ficaremos aqui para sempre? Preciso fazer minhas viagens você sabe&lt;br /&gt;– Querida manga viajar não é apenas contemplar novas paisagens mas ter novos olhos para olhar aquilo que já foi visto. Muitos enxergam, mas poucos veem de fato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(a manga puxou seu caderninho para anotar pois sentiu que aquilo que ele havia dito era de alta importância para as sociedades futuras)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Está certo vamos então&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e desceram do ônibus dando de cara com a vista deslumbrante da Baía de Guanabara, as árvores, o forte, a sombra e a mureta onde podiam se debruçar e até pedir comida no bar do outro lado da rua. Nunca mais queriam sair dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Seremos eu e você aqui jasmim todos os dias acordaremos olhando para essa vista maravilhosa&lt;br /&gt;– Ó sim minha manga e que bela vista só não mais bela que a que tenho quando estamos perto um do outro, já lhe disse isso não?&lt;br /&gt;– Sim mas nunca me canso de ouvir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e também nunca se cansavam de ver aquela vista, a cada dia encontravam algo novo, todas as manhãs trocavam seus olhos colocando uns novinhos em folha com os quais saiam pelo seu mundo da Urca, descobrindo, redescobrindo, ressignificando todas as coisas ao seu redor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-3929427761974563010?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/3929427761974563010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=3929427761974563010' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3929427761974563010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3929427761974563010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/09/jasmim-manga-4.html' title='jasmim-manga (4)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-9073166953815849086</id><published>2009-09-04T11:21:00.011-03:00</published><updated>2009-09-04T16:59:36.811-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='evento'/><title type='text'>Lina por escrito</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/SqEl5tQD1eI/AAAAAAAAAFk/b6jGd446HFs/s1600-h/econvite_LINA(2).jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 359px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/SqEl5tQD1eI/AAAAAAAAAFk/b6jGd446HFs/s400/econvite_LINA(2).jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5377621103386809826" /&gt;&lt;/a&gt;Cosac Naify, revista Noz e CAU/PUC-Rio convidam para o lançamento do livro&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Lina por escrito&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;uma coletânea de textos da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi. O lançamento será seguido de debate entre Maria Cristina Cabral (FAU/UFRJ), João Masao Kamita (PUC-Rio) e Silvana Rubino (Unicamp, organizadora da publicação), com mediação de Ana Luiza Nobre (PUC-Rio).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;terça-feira, 8 de setembro, às 18h&lt;br /&gt;auditório Padre Anchieta – PUC-Rio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais sobre o livro: &lt;a href="http://www.cosacnaify.com.br/loja/detalhes.asp?codigo_produto=1246&amp;language=pt&amp;showPromo=True"&gt;www.cosacnaify.com.br/loja/detalhes.asp?codigo_produto=1246&amp;language=pt&amp;showPromo=True&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Leia a resenha escrita por Maria Cristina Cabral especialmente pra revista Noz: &lt;a href="http://revistanoz.com/?p=134"&gt;www.revistanoz.com/?p=134&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apareçam!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-9073166953815849086?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/9073166953815849086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=9073166953815849086' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/9073166953815849086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/9073166953815849086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/09/lina-por-escrito.html' title='Lina por escrito'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/SqEl5tQD1eI/AAAAAAAAAFk/b6jGd446HFs/s72-c/econvite_LINA(2).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-6289907401951909462</id><published>2009-09-01T19:50:00.002-03:00</published><updated>2009-09-01T23:13:45.819-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>jasmim-manga (3)</title><content type='html'>A manga foi convidada para dar uma palestra na segunda conferência de mangas brasileiras que iria acontecer no mesmo lugar que a primeira. O jasmim não poderia ir junto. A cidade do Rio de Janeiro já estava tão acostumada com o cheiro de jasmim-manga que começaram as reclamações e especulações&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não pode ser meu Deus a cidade vai voltar a cheirar mal&lt;br /&gt;– Impossível &lt;br /&gt;– Acho que é mentira da televisão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas a manga teve mesmo que ir. O jasmim quando ficava com saudades dava pra cantar alto pelas ruas e todos nas calçadas ouviam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E agora que faço eu da vida sem você, você não me ensinou a te esquecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;essa e muitas outras canções que o jasmim lembrava quando a imagem da sua manga e o cheiro deles juntos lhe vinha à mente. O jasmim aproveitou para ir visitar o seu jasmineiro em Santa Teresa onde havia conhecido a manga. Chegando lá, receberam-no com confetes e lágrimas de jasmim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ó nosso amigo quanto tempo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(as outras pétalas falavam juntas em coro)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É verdade&lt;br /&gt;– Mas por que está tão triste e onde está a manga que você conheceu aqui?&lt;br /&gt;– Viajou&lt;br /&gt;– Pra onde?&lt;br /&gt;– Foi convidada a falar em um congresso de mangas numa cidade onde havia um rio fedorento mas que tornou-se cheiroso depois que estivemos lá&lt;br /&gt;– Meu amigo as viagens servem para sentir sentir saudades e logo depois matá-las&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o jasmim derramou lágrimas de alegria porque sabia que aquilo era verdade, sabia que de algum jeito as viagens por vir e as que já se passaram formariam juntas uma rede de vários caminhos, várias idas e voltas, onde eles se encontrariam e depois se separariam, sentiriam saudades, matariam essas saudades, até que pudessem viajar juntos, para depois se separarem e se reencontrarem mais uma, duas, três, quinhentas vezes. E sabia que na verdade viajar não era somente partir de um lugar para outro mas simplesmente pegarem a estrada e irem sempre em frente, sabendo que o caminho era o que mais importava, mais que a chegada, que tinham muitos rios para perfumar, que muitos lugares ainda precisavam sentir o cheiro deles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-6289907401951909462?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/6289907401951909462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=6289907401951909462' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6289907401951909462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6289907401951909462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/09/jasmim-manga-3.html' title='jasmim-manga (3)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-8849225032681536905</id><published>2009-08-27T18:22:00.002-03:00</published><updated>2009-08-27T18:40:53.912-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>jasmim-manga (2)</title><content type='html'>O jasmim e a manga agora cruzaram juntos a ponte aérea e deram de cara com o rio Tietê cheio das sujeiras e dos fedores que só um rio que passa no meio de uma cidade que nem São Paulo pode ter. Disseram juntos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Hum que cheiro ruim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(eles costumavam falar assim dobrado repetido)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e resolveram perfumar o rio inteiro. Passearam então de uma margem à outra, descascando tangerinas antigas que logo ficaram cheirosas, fazendo esculturas de lixo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Isso jasmim pra ficar igual àquelas do Vik Muniz sabe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rebrilhando botas e sapatos usados que ficaram novos e cheirando a novidade. Mas o cheiro maior, o que se sobrepunha a tudo, era o cheiro de jasmim-manga. Os peixes começaram a se sacudir de novo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(estavam paralisados haja vista aquela sujeira toda no rio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Estou me sentindo vivo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;diziam uns aos outros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Nunca se sentiu cheiro tão bom aqui por essas bandas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o jasmim e a manga ficaram muito contentes com aquela festança aquática de peixes que nunca haviam visto antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Está vendo jasmim essa alegria toda acho que nós a trouxemos&lt;br /&gt;– Minha manga querida e vistosa tenho certeza disso! Acho que precisamos celebrar ainda mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pegaram então o avião de volta e todos os passageiros sentiram aquele cheiro que já estava virando característico. Quando chegaram,  planejaram levar um pouco do mar do Rio de Janeiro especialmente aquele ali da pontinha do Arpoador pra capital paulista, que agora amavam como se fosse sua própria cidade, pois o jasmim havia conhecido lindos jasmineiros e a manga fora a um encontro sobre a nova espécie de mangas que havia surgido em Itaguera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(esta sendo uma cidade longe longínqua na Bolívia quase na fronteira com o Brasil)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e que diziam ser mais suculenta que a espécie brasileira, mas a manga descobriu que não era nada disso e que, na verdade, todas as mangas estavam mais unidas do que nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-8849225032681536905?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/8849225032681536905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=8849225032681536905' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8849225032681536905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8849225032681536905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/08/jasmim-manga-2.html' title='jasmim-manga (2)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-2467106939746111711</id><published>2009-08-12T00:56:00.001-03:00</published><updated>2009-08-12T00:59:27.430-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>carta para ana (6)</title><content type='html'>Jacaré dos Homens fica tão distante do rio, Ana, que tudo o que me resta são lembranças esfaceladas da lama em que ele se tornou, o soco do Joel naquele dia fatídico, a ausência de palavras. Nossa vida é feita de memórias? Hoje eu nado nelas como se nadasse no São Francisco e me lembrasse constantemente do seu vestido branco, do colar de conchas que lhe dei aquela vez. Talvez a memória seja um colar de conchas ou um rio mergulhável mas cheio de lama. Deus se lembrará, Ana?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-2467106939746111711?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/2467106939746111711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=2467106939746111711' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2467106939746111711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2467106939746111711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/08/carta-para-ana-6.html' title='carta para ana (6)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-9215464450621953435</id><published>2009-08-11T02:08:00.001-03:00</published><updated>2009-08-11T02:13:54.353-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>carta para ana (5)</title><content type='html'>Ana, minha vida é feita de silêncios, um após o outro. No trem nunca puxo conversa e se alguém puxa não dou bola, fico calada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Próxima estação Vila Madalena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e me levanto sem muita esperança, mais um trabalho, os Jardins, meu batom vermelho que comprei ontem na estação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Cinco reais dona leva agora se não alguém leva antes da senhora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana, você recebeu minha última carta? Precisava tanto ouvir o que você acha daquilo tudo, do meu namorado que se afasta, ontem comprei o batom vermelho e ele nem notou, quando perguntei ele&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;– Como vou notar Vitória você tem cada coisa que diferença faz se eu sei ou não a cor do seu batom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e como sempre me calei, queria que soubesse interpretar os meu silêncios mas ele não se importa, liga a televisão para assistir aquele programa cheio de mulheres com bundas enormes, não sei como não se dá conta que é tudo mentira, o que é ser mulher pra você, Ana?, é usar batom, é tomar pílula atrás de pílula, é por acaso sentir os seios cairem sem ter quem os segure, o sutiã velho, a maquiagem borrada pelas lágrimas, sentir-se delicada mas sozinha? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trem vira metrô, desembarco em mais uma estação, quantas foram as estações na minha vida?, quantas estações até a vida de alguém finalmente conseguir ir para frente, quantas estações até o céu e quem estará me esperando lá? Por quanto tempo continuarei em silêncio nessa vida, recusando as balas, os amendoins, as conversas. Já não sei, e estou bem assim. O metrô vira trem e chego finalmente em casa, foi mais um dia que passou, Ana, mais um dia e seus vazios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-9215464450621953435?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/9215464450621953435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=9215464450621953435' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/9215464450621953435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/9215464450621953435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/08/carta-para-ana-5.html' title='carta para ana (5)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-5176512079808509920</id><published>2009-08-08T13:05:00.001-03:00</published><updated>2009-08-08T13:07:30.364-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>carta para ana (4)</title><content type='html'>Ontem fui até o rio, Ana, ou o que costumava ser o rio, e atirei-me à lama que substituiu há algum tempo a água que lá pousava. Eu todo sujo, os meninos correndo gritando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tia tem um maluco lá no rio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e eu não sei mais se sou louco ou se sou normal, a mãe diz que sou o preferido, que só eu mesmo pra ficar ao lado dela, cega, as pessoas chegando até nossa casa pra vê-la&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Dona Neusa está tudo bem com o Joel? Ontem ele ficou rodando deitado no rio parecia um maluco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minha mãe sentando&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não mentira não pode ser o Joel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu me aproximando dela, perguntando o que havia acontecido, explicando que esse povo é que é doido e fica inventando história pra perturbar a gente, minha mãe me pediu que fosse à feira e comprasse dois quilos de batatas e alguns jilós, comprei meio quilo e um jiló mas disse à mãe que fiz tudo como ela pedira, o dinheiro acabou mais uma vez, Ana, a Vitória ingrata nem pra aparecer por aqui, nem pra mandar um dinheirinho, já deve estar rica lá em São Paulo, o Carlos nem quero pensar, tomara que nunca consiga ter aquele filho, só de pensar no que ele fez com você, Ana, coisa de animal, nunca vou perdoá-lo mesmo que você volte aqui me pedindo de novo, me dizendo que você consentiu, já disse e não sou homem de retirar minhas palavras, você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Joel olha ontem eu e o Carlos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem deixei você continuar, fui revoltado ao encontro do idiota que não entendeu nada quando recebeu um soco no meio do rosto e nunca mais lhe dirigi a palavra, Ana, nada de nada, nós dois na mesma casa se esbarrando, o Carlos tentando falar alguma coisa, eu mudo passando por ele sem nem olhar nos olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Joel olha ontem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem pudor, sem vergonha, hoje eu penso como você pôde, Ana?, depois de tudo aquilo, que nunca nos separaríamos, seu pai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Joel você é um filho pra mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;queria mesmo ser, queria ser filho dele, queria ser seu, eu dormia pensando em você, no seu biquini amarelo, pensava em nós dois em Pão-de-Açúcar, nosso casamento na Igreja Batista seria bonito e teria flores por todo lado, as damas de honra poderiam ser as suas sobrinhas, o arroz, eu olhando você entrar deslumbrante, o pessoal do coral cantando e minha mãe provavelmente não iria resistir, eu dentro de você, nossos filhos, tudo isso se perdeu, Ana, se perdeu quando você &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Joel olha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se foi, não te vi mais, seus olhos que me faziam lembrar a cor do São Francisco, a palma da sua mão branca, sua pele mulata que dava até medo de abraçar. Hoje tenho uma mãe cega, uma TV que não funciona, um radinho sem pilhas, aluguéis atrasados e mais o que, Ana?, mais o que se quando você se foi levou consigo metade de mim, a carroça e os burros, fiquei sentado no meio fio durante cinco dias, não entrava em casa, não respondia quando me falavam, no quarto dia quando começou a chover fiquei imóvel, estático, eu todo molhado sentado no meio fio, minha camisa verde clara se transformando em verde escura, a chuva que tantos esperavam mas eu não, o que costumava ser o rio agora com um pouco mais de água, o que lembrava-me de tudo aquilo mais uma vez, me afastei, quis ir pra qualquer lugar menos pro São Francisco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Joel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não quis ouvir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Jo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e hoje te escrevo porque preciso te ouvir. Pergunto-me se algum dia terei um destinatário, se terei seu endereço, Ana, e finalmente não rasgarei minhas cartas e minhas memórias dois dias depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-5176512079808509920?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/5176512079808509920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=5176512079808509920' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5176512079808509920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5176512079808509920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/08/carta-para-ana-4.html' title='carta para ana (4)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-7464631476477327039</id><published>2009-08-06T00:58:00.010-03:00</published><updated>2010-04-07T22:54:21.077-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradução'/><title type='text'>entre van gogh – salvador puig</title><content type='html'>"Chegar enfim &lt;br /&gt;à superficie das coisas,&lt;br /&gt;de mãos dadas com o ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ergo-me de baixo até minha pele&lt;br /&gt;– deveria dizer até meus olhos&lt;br /&gt;mas meus olhos são feitos de pele –&lt;br /&gt;para ver os girassóis,&lt;br /&gt;os rostos misericordiosos, os céus&lt;br /&gt;verdes, essas planícies,&lt;br /&gt;explosão de amarelo e um&lt;br /&gt;leve gosto de suor em rostos&lt;br /&gt;desfigurados por terem nascido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhos que funcionam como guias&lt;br /&gt;para ver, em detalhe,&lt;br /&gt;o que é verbo, figura,&lt;br /&gt;cor esquecida."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;PUIG, Salvador. “Entre Van Gogh” in: &lt;/span&gt;Escritorio. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Montevidéu: Linardi y Risso, 2006, p. 35. Tradução minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salvador Puig é um importante poeta uruguaio. Nascido em 1939, ainda está escrevendo. Publicou alguns de seus poemas em antologias coletivas no Brasil, mas nenhum livro seu foi traduzido e publicado aqui. &lt;/span&gt;Escritorio &lt;span style="font-style:italic;"&gt;é seu último livro. Abaixo, o texto original.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Llegar por fin&lt;br /&gt;a la superficie de las cosas,&lt;br /&gt;de la mano del aire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De abajo subo hasta mi piel &lt;br /&gt;– debería decir hasta mis ojos&lt;br /&gt;pero mis ojos son de piel – &lt;br /&gt;para mirar los girasoles,&lt;br /&gt;las caras de perdón, los cielos&lt;br /&gt;verdes, esas planicies,&lt;br /&gt;estallido de amarillo y&lt;br /&gt;tenue sabor a olor en rostros&lt;br /&gt;desfigurados por haber nacido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ojos que actúan como guías&lt;br /&gt;para ver en detalles&lt;br /&gt;lo que es el verbo, la figura,&lt;br /&gt;el color olvidado."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-7464631476477327039?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/7464631476477327039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=7464631476477327039' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7464631476477327039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7464631476477327039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/08/entre-van-gogh.html' title='entre van gogh – salvador puig'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-6664454970698025856</id><published>2009-08-03T15:53:00.005-03:00</published><updated>2009-08-27T18:38:54.111-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>jasmim-manga (1)</title><content type='html'>Entretanto fazia sol, havia todo um silêncio preambular, as árvores sacudiam, o bonde passava e a tarde entrava macia por entre as madeiras da pérgola. De cima o jasmim avistou a manga vistosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Posso cair sobre você? Está tão bonita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pensava em como faria aquilo, ele uma pétala de jasmim cair sobre uma manga imensa, inesgotável, profunda, cheirosa, cheia de sulcos, a manga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pode, gosto do teu cheiro, quando você vem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tardava porque procurava o melhor ângulo, esperando pelo vento certo que o faria cair bem no meio da manga partida em dois, mirava-a mais uma vez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Já vou já vou me espere por favor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até que deixou-se cair ficando longe das outras pétalas, e num movimento curvo atingiu preciso o centro da manga aberta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Este é o seu melhor ângulo já te disseram? Você é mais bonita vista de perto, tão perto quanto estou agora, e é tão calorosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a manga agradecia silenciosa como sempre e depois disse ao jasmim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você parece um desenho do Matisse sabe aqueles coloridos que ele recortava&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e enquanto isso seus odores se misturavam, ela gostava do jasmim e de como ele se encaixava nela. Alguém que estava por perto e não entendia que manga e jasmim podiam se juntar daquele jeito gritou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eca meleca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e outro alguém que estava ali fungou e disse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Que cheiro de jasmim-manga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e não o compreenderam nem seus amigos nem o resto do bairro de Santa Teresa naquela primeira tarde de primavera, o sol no auge de seu calor, a vista para o Outeiro da Glória, o bonde, as árvores sacudidas e o jasmineiro na pérgola agora sem uma de suas pétalas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-6664454970698025856?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/6664454970698025856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=6664454970698025856' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6664454970698025856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6664454970698025856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/08/jasmim-manga.html' title='jasmim-manga (1)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-6609964321777334176</id><published>2009-07-28T20:07:00.015-03:00</published><updated>2010-03-31T17:26:53.919-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradução'/><title type='text'>estado de caravana – tatiana oroño</title><content type='html'>"A vida seria um grande gole amargo, não fosse a escrita. Eu escrevo e reescrevo. Vou fazendo escala em meus rascunhos intermináveis. As teclas de deletar, cortar e colar trabalham mais que as outras vinte e tantas do alfabeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo “faço escala” mas penso “faço minha casa”. Não entendo por que escrevo diferente do que penso. Talvez porque, ao escrever, vou corrigindo o que penso, e desta maneira crio um espaço mais habitável, onde os pensamentos consigam se relacionar. Se sacrifico um pensamento isolado, se não o escrevo, é com o intuito de dar lugar a mais pensamentos, que possam então conviver, como seres humanos que precisam uns dos outros. Ou que se juntam para passar a noite. Um pensamento isolado é tão imóvel quanto um objeto – seja carretel, ladrilho, botão ou casca de ovo – e serve para qualquer coisa, menos para continuar escrevendo. Apenas junto com outros pensamentos ele servirá de proteção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As páginas, os rascunhos, protegem da vida. Que é imprevisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vive-se, no que diz respeito ao ofício de escrever, em estado de caravana. Vive-se e é preciso justificar essa oportunidade única. No Uruguai, uma mulher que escreva apesar dos filhos, da ditadura, do desemprego, do divórcio, da destituição, restituição e dos trâmites da aposentadoria, certamente esteve só. Não acumulou experiência porque, na verdade, não soube o que viria adiante. Não há conquista do Oeste, nem cruzadas, nem êxodo, nem nada que se pareça com um esboço inicial ou um mapa. Há episódios. Que são varridos por outros. Como rajadas de vento. Ainda que a memória se pegue a alguns deles e não solte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida vale pouco, quase nada, ou nada. Depende. A vida de uma mulher sozinha e com responsabilidades tem um valor escasso e oscilante. Como a caravana, quando a vemos ao longe, ficando cada vez menor, balançando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, olho tudo de perto e toco sempre que posso. Há pessoas que sabem o que fazem. Alguém lhes ensinou os mapas. Traçam planos e os trazem prontos. Conhecem o rumo. Os pontos de chegada. Sei disso não porque o dizem, mas exatamente pelo contrário. Olhar de perto permite-me distinguir entre eu e eles. Medir as diferenças. Pesar minhas desvantagens. Passar e passar novamente – como se isso se tratasse de um trabalho de passamanaria – os fios de enlace e desenlace que unem e separam. Levar em conta, numa escala previsível, a velhice, e seus adereços descosturados. Levar em conta as derrotas e seus cacos. E os anos que passaram como uma faixa que se enrola ao redor do corpo. Levar em conta os signos da escrita e trabalhá-los tal qual se faz em ponto-cruz. De olho. De olho fixo no ajuste das bainhas e na leveza recente de fios e tranças, em suas transparências de fundo. Escrever como bordar. Interrompendo a cada tanto. Retomando quando possível. Ser escritora porque não fui costureira. Porque a vida só faz escalas em sua duração. E não a excede. Como se ela percorresse uma página ou uma renda."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;OROÑO, Tatiana. "Estado de caravana", in &lt;/span&gt;La piedra nada sabe&lt;span style="font-style:italic;"&gt;. Montevidéu: Casa Editorial HUM, 2008, pp. 77-78. Tradução minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tatiana Oroño é uma escritora uruguaia contemporânea muito interessante. Também é professora de literatura e crítica literária. Conhecer o trabalho dela vale a pena. Agora o blog terá também, eventualmente, traduções minhas de textos que sejam inéditos em português. Abaixo, o texto original.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"La vida sería un largo trago amargo si no fuera porque se escribe. Yo escribo y reescribo. Voy haciendo escala en borradores de borradores. Las teclas de suprimir, cortar y pegar trabajan más que las veintitantas del alfabecto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escribo 'hago escala' pero pienso 'hago mi casa'. No sé por qué escribo distinto a lo que pienso. Será porque al escribir voy corrigiendo lo que pienso y de esa manera voy haciendo un espacio más habitable para que los pensamientos se relacionen. Si sacrifico un pensamiento aislado, si no lo escribo, es para hacerle lugar a más de uno. A la mayor cantidad de los que puedan convivir como gente que se necesita. O que se junta para pasar la noche. Un pensamiento inmóvil como un objeto – carretel, ladrillo, botón, cáscara de huevo – que sirve para algo sí, pero no para seguir escribiendo. Sólo si se intercala con otros pensamientos es que sirve para protegerse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Las páginas, los borradores, protegen de la vida. Que es imprevisible. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se vive, en lo relativo al oficio de escribir, en estado de caravana. Se vive y hay que justificar esa única oportunidad. Una mujer que escriba, en Uruguay, mientras pasan los hijos, la dictadura, el desempleo, el divorcio, la destitución, la restitución, los trámites de jubilación, es seguro que estuvo sola. No acumuló experiencia porque en realidad no se supo qué venía más adelante. No hay conquista del oeste, ni cruzadas, ni éxodo, ni nada que se parezca a un dibujo previo, a la página de una cartografía impresa. Hay episodios. Son barridos por otros. Como rachas del viento. Aunque la memoria se abrace a algunos y no los suelte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La vida vale poco, casi nada, o nada. Según. La vida de una mujer sola y con responsabilidades tiene un valor escaso y oscilante. Como la caravana, si se la mira mientras se va haciendo cada vez más chica, bamboleándose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pero yo miro de cerca y palpo siempre que puedo. Hay gente que sabe lo que hace. Alguien les enseñó los mapas. Trazan planes o los traen trazados. Conocen el rumbo. Los puntos de llegada. Me doy cuenta no porque lo digan, sino por lo contrario. Mirar de cerca permite discriminar entre ellos y yo. Medir las diferencias. Tomar en peso mis desventajas. Pasar y repasar como si se tratara de una labor de pasamanería los hilos de enlace y desenlace que unen y separan. Tomar en cuenta, escala previsible, la vejez, y sus cuentas desenhebradas. Tomar en cuenta las derrotas y sus añicos. Y los años corridos como una cinta que se arrollara alrededor del cuerpo. Tomar en cuenta los signos de escritura y labrarlos como una labor de punto. De ojo. De ojo puesto en el ajuste de los engarces y en la levedad reciente de hilos y torsiones, en sus transparencias de fondo. Escribir como si se bordara. Interrumpiendo cada tanto. Retomando cuando se puede. Ser escritora porque no fui encajera. Porque la vida sólo hace escala en su duración. Y no la desborda. Como si recorriera, ella, una página o una puntilla."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-6609964321777334176?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/6609964321777334176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=6609964321777334176' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6609964321777334176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6609964321777334176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/07/estado-de-caravana.html' title='estado de caravana – tatiana oroño'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-5731930885682215250</id><published>2009-07-24T23:54:00.018-03:00</published><updated>2009-07-28T23:56:49.691-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradução'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>paraty a pé (2)</title><content type='html'>Caminho compenetrado pelas ruas de Paraty. Meus olhos hesitam entre o chão de pedras irregulares e a beleza sépia das construções coloniais. Perdi as contas das vezes que tropecei. As pedras obrigam-me a andar devagar e, por vezes, parar para só então conseguir olhar para qualquer outro lugar que não o chão. Nublada, Paraty. Podendo olhar para o alto descubro que os telhados de Paraty têm flores, ramos. Fascina-me sua disposição em série, uma ao lado da outra, como as luminárias antigas que um dia já foram a gás mas hoje brilham com luz elétrica. Atenho-me a uma delas, que desponta sozinha em uma esquina. Esta é diferente. Partida. É lâmpada de uma das diversas igrejas da cidade e está partida. Estilhaçada. Pouco vidro lhe resta. Até aqui minhas fotos eram fotos-relâmpago de turista apressado que quer deglutir a cidade de uma só vez. Fico alguns instantes contemplando a luminária e tiro minha melhor foto, aquela luminária quebrada, partida. Penso que meus estilhaços mostram-se a seu lado na foto. Os meus estilhaços encrespados, amargos, jorrando sangue quente à beira da câmera. Só então reparo que, na foto, atrás dos estilhaços havia uma cruz, vazia. A cruz central daquela igreja à beira-mar. A placa de informações turísticas diz que a cruz é feita de estilhaços de ferro que foram reaproveitados por um ferreiro local, que vivera no início da República.&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Camino atento por las calles de Paraty. Mis ojos hesitan entre el suelo hecho en piedras oblicuas y la belleza sepia de las construcciones coloniales. Ya he perdido la cuenta de las veces que tropecé. Las piedras me hacen caminar despacio y, a veces, parar para sólo así lograr avistar algo más que el suelo. Nublada, Paraty. Ahora que puedo mirar a lo alto veo que los techos de Paraty posuen flores, ramas. Me encanta que se pongan una al lado de la otra, como las antiguas lámparas que un día se encendieron con gas pero hoy brillan tras la electricidad. Mi mirada para en una que se sostiene sola en una esquina. Esta es distinta. Rota. Es la lámpara de una de las muchas iglesias de la ciudad y está rota. Hecha pedazos. Poco vidrio le queda. Hasta ahora, mis fotos han sido imágenes hechas por un turista apurado que quiere comer la ciudad de una vez. Me quedo un tiempo contemplando la lámpara y saco mi mejor fotografía. Pienso que mis pedazos se muestran a su lado en la imagen. Mis pedazos rotos, amargos, de los cuales sale sangre caliente. Sólo después, al mirar la imagen en la cámara, veo que, detrás de los pedazos rotos, había una cruz, vacía. La cruz central de aquella iglesia en un frente marítimo. El cartel con informaciones turísticas dice que la cruz es hecha de pedazos de hierro que fueron reutilizados por un herrero local, que vivió al inicio de la República.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(autotraducción al español. Para M.M.)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-5731930885682215250?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/5731930885682215250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=5731930885682215250' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5731930885682215250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5731930885682215250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/07/paraty-pe-2.html' title='paraty a pé (2)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-6061482211934650809</id><published>2009-07-20T00:30:00.008-03:00</published><updated>2010-02-16T00:29:57.625-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='evento'/><title type='text'>cuba: a realidade de um sonho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/Sl4n-7OWoHI/AAAAAAAAAEs/I97dm9480gs/s1600-h/CUBA+2+MAIO+2007+501.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 267px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/Sl4n-7OWoHI/AAAAAAAAAEs/I97dm9480gs/s400/CUBA+2+MAIO+2007+501.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358764568620736626" /&gt;&lt;/a&gt;Começou na quinta e fica até dia 22 de agosto a exposição &lt;a href="http://www.atelierimaginarte.com.br/cuba/home.html"&gt;Cuba: a realidade de um sonho&lt;/a&gt;, com fotos de três fotógrafos, dentre eles meu pai, &lt;a href="http://www.flickr.com/photos/maluganimarcos/"&gt;Marcos Malugani&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–&lt;br /&gt;Galeria do Convento&lt;br /&gt;Rua Primeiro de Março, 101 – Praça XV – Centro&lt;br /&gt;segunda à sexta de 12h às 18h&lt;br /&gt;sábados de 10h às 14h.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-6061482211934650809?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/6061482211934650809/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=6061482211934650809' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6061482211934650809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6061482211934650809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/07/cuba-realidade-de-um-sonho.html' title='cuba: a realidade de um sonho'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/Sl4n-7OWoHI/AAAAAAAAAEs/I97dm9480gs/s72-c/CUBA+2+MAIO+2007+501.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-9088255497956246630</id><published>2009-07-18T00:12:00.003-03:00</published><updated>2009-08-08T13:07:50.749-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>carta para ana (3)</title><content type='html'>.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-9088255497956246630?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/9088255497956246630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=9088255497956246630' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/9088255497956246630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/9088255497956246630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/07/3-escuta-aquele-beijo-nao-diz.html' title='carta para ana (3)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-3998352607915989124</id><published>2009-07-15T00:43:00.003-03:00</published><updated>2009-08-08T13:08:02.594-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>carta para ana (2)</title><content type='html'>.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-3998352607915989124?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/3998352607915989124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=3998352607915989124' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3998352607915989124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3998352607915989124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/07/2-uma-pena-um-rio-tao-grande.html' title='carta para ana (2)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-6179403984977527234</id><published>2009-07-11T19:35:00.011-03:00</published><updated>2009-08-08T13:08:15.603-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>carta para ana (1)</title><content type='html'>.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-6179403984977527234?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/6179403984977527234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=6179403984977527234' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6179403984977527234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6179403984977527234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/07/acabou-se-pilha-do-radinho.html' title='carta para ana (1)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-4657759423976564289</id><published>2009-07-09T23:22:00.006-03:00</published><updated>2009-12-27T02:14:51.053-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>paraty a pé (1)</title><content type='html'>Às vezes visito uma cidade&lt;br /&gt;e tento fingir&lt;br /&gt;que não sou turista&lt;br /&gt;e decoro o mapa do metrô&lt;br /&gt;e vou ao Brooklyn&lt;br /&gt;mas nunca ao Empire&lt;br /&gt;State.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui não,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em Paraty é impossível&lt;br /&gt;nas pedras irregulares&lt;br /&gt;(difíceis de caminhar)&lt;br /&gt;nas ruínas&lt;br /&gt;nas casas,&lt;br /&gt;minhas fotografias mostram&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             azul&lt;br /&gt;preto&lt;br /&gt;             vermelho bala soft&lt;br /&gt;laranja ovo&lt;br /&gt;             amarelo sepia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me pesado&lt;br /&gt;carregando tanto&lt;br /&gt;e não páro&lt;br /&gt;para respirar&lt;br /&gt;e não tiro os olhos do&lt;br /&gt;chão&lt;br /&gt;e minhas mãos&lt;br /&gt;dóem&lt;br /&gt;com o peso da bolsa&lt;br /&gt;cheia&lt;br /&gt;de livros que comprei e não sei se algum dia terei tempo de ler.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-4657759423976564289?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/4657759423976564289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=4657759423976564289' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4657759423976564289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4657759423976564289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/07/paraty-pe.html' title='paraty a pé (1)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-8514122923454545983</id><published>2009-07-05T18:00:00.006-03:00</published><updated>2009-07-29T00:39:56.817-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>quando olhei a terra ardendo</title><content type='html'>Era o concerto de acordeom na Igreja Matriz de Paraty. Os turistas e moradores lotam os bancos. Algumas pessoas sentadas no chão, apoiando-se nas pilastras e no lado dos bancos. Parece-me mais leve e agradável a igreja assim (Proust preferia a catedral de sua Combray vazia, pois dizia que assim ganhava "um ar quase habitável"). Penso, contudo, que todos os que aqui estão também se sentem em casa. O som do acordeom ressoa preenchendo os espaços que vibram, vivos. Não se pronuncia palavra. A moça ao meu lado reza baixo e vejo seus lábios moverem-se lentamente. Tento adivinhar o que poderia estar dizendo, mas não alcanço. Talvez o acordeom deixe-a mais à vontade para falar com o Deus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dos sorrisos, das fotos e das conversas, as pessoas flutuam com a música. Turistas e moradores. Bach, Brahms e, logo após, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Asa Branca&lt;/span&gt;. Reza sofrida ao Deus do céu, por que tamanha judiação? O acordeom desmente a letra por não cantá-la. O Deus do céu é suave, não judia, puxa as pontas do mundo cheio de delicadezas, como quem dobra e desdobra um origami. Deus do céu na igreja branca com detalhes dourados e cor-de-rosa. O acordeom resvala doce nas paredes e a luz entra pelas clarabóias, mansa. Luz de dia nublado. Luz cinza. E a terra ardia pelo fogo suave do Deus do céu – amor, fogueira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosinha, não é mais o caso de chorar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-8514122923454545983?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/8514122923454545983/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=8514122923454545983' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8514122923454545983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8514122923454545983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/07/quando-olhei-terra-ardendo.html' title='quando olhei a terra ardendo'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-6166182375087098246</id><published>2009-07-01T01:05:00.009-03:00</published><updated>2010-04-29T01:17:24.235-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>outeiro</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;para Carol, antes que ela soubesse&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passamos pelo outeiro da Glória&lt;br /&gt;e você já foi &lt;br /&gt;Maria&lt;br /&gt;da Glória &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Vamos pelo Aterro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as Três&lt;br /&gt;Marias ainda escondidas&lt;br /&gt;olhavam-nos &lt;br /&gt;(graves)&lt;br /&gt;brilhavam&lt;br /&gt;sobre o capô &lt;br /&gt;negro&lt;br /&gt;do meu carro que deslizava leve sobre a avenida&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-6166182375087098246?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/6166182375087098246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=6166182375087098246' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6166182375087098246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6166182375087098246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/07/outeiro.html' title='outeiro'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-7040617757569492523</id><published>2009-06-27T01:17:00.003-03:00</published><updated>2009-10-24T01:37:19.831-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>passeio</title><content type='html'>À beira de nós &lt;br /&gt;toda paisagem &lt;br /&gt;se restringia a um&lt;br /&gt;mar &lt;br /&gt;dois &lt;br /&gt;mares&lt;br /&gt;e as bicicletas que deixamos na areia enquanto fomos mergulhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nossa volta&lt;br /&gt;molhamos toda a&lt;br /&gt;ciclovia e o &lt;br /&gt;vento &lt;br /&gt;deixou&lt;br /&gt;espalhadas&lt;br /&gt;nossas memórias em forma de grãos que perdemos pelo ar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-7040617757569492523?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/7040617757569492523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=7040617757569492523' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7040617757569492523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7040617757569492523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/06/passeio.html' title='passeio'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-1153927719970401393</id><published>2009-06-24T14:43:00.006-03:00</published><updated>2009-06-25T00:09:50.104-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>astérion, o minotauro</title><content type='html'>Eu corro infinitamente &lt;br /&gt;por labirintos de pedra –&lt;br /&gt;minha casa, minha mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas minhas rochas são&lt;br /&gt;minha memória, meus mortos, &lt;br /&gt;sóis que se erguem do chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Construí minha casa à mão:&lt;br /&gt;sou Astérion, rei dos mortos;&lt;br /&gt;tenho os vivos em minhas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;A cada nove anos entram na casa nove homens para que eu os livre de todo mal. &lt;/span&gt;(...)&lt;span style="font-style:italic;"&gt; A cerimônia dura poucos minutos. Cai um depois do outro sem que eu ensanguente as mãos.&lt;/span&gt; Nesta última vez, após ter livrado os oito primeiros de seus males, caí na bobagem de ouvir o último, que implorava para falar-me algo antes de receber o golpe fatal. Deixei-o. Disse-me que, se não o matasse, ensinar-me-ia a arte das letras, do alfabeto e da poesia. Aceitei, e o resultado é este poema acima. Fiz-o em redondilha maior, pois o homem (de sobrenome Bilac, se não me engano) dizia ser essa uma das formas mais populares de poesia. Mas achei tão ruim que, ao cabo, matei-o. Ainda mais por não ter conseguido, de jeito algum, que o último verso tivesse sete sílabas e que a rima desta estrofe não se desse com uma palavra repetida. Basta, não quero mais falar desta métrica com a qual tenho sonhado; esquemas de rimas, etc. Matei-o. Creio que foi melhor assim para ele. Deixei-o no terceiro terraço à esquerda da porta-maior, para sempre lembrar-me dele. Chamarei este terraço de “Terraço da Poesia” pois ali, junto com seu cadáver, enterro toda a minha intenção de tornar-me um poeta. Afinal, toda poesia é vaidade e vai sempre se repetir. Li um poeta que dizia que nada se cria, tudo se transforma. Pois não estou aqui para esse eterno repetir-se. Estou acima. Toda beleza decairá. Mas eu sou Astérion – um príncipe, acima dos mortais, e não deveria meter-me com esse tipo de distração. Volto para o meu labirinto como quem lava as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(inspirado no conto "A casa de Astérion" de Jorge Luis Borges)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-1153927719970401393?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/1153927719970401393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=1153927719970401393' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1153927719970401393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1153927719970401393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/06/asterion-o-minotauro.html' title='astérion, o minotauro'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-2216717211849688277</id><published>2009-06-22T19:26:00.001-03:00</published><updated>2009-06-22T19:28:56.091-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>tudo que é sólido desmancha no ar</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/SkAFWbc_2pI/AAAAAAAAAEk/qTU2Em_p97w/s1600-h/Tudo+que+%C3%A9+s%C3%B3lido+desmancha+no+ar.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/SkAFWbc_2pI/AAAAAAAAAEk/qTU2Em_p97w/s400/Tudo+que+%C3%A9+s%C3%B3lido+desmancha+no+ar.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350282240200792722" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-2216717211849688277?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/2216717211849688277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=2216717211849688277' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2216717211849688277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2216717211849688277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/06/tudo-que-e-solido-desmancha-no-ar.html' title='tudo que é sólido desmancha no ar'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/SkAFWbc_2pI/AAAAAAAAAEk/qTU2Em_p97w/s72-c/Tudo+que+%C3%A9+s%C3%B3lido+desmancha+no+ar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-7230501780725162609</id><published>2009-06-18T22:07:00.003-03:00</published><updated>2009-06-18T22:15:45.742-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>cruzeiro</title><content type='html'>Escrevo com as mãos secas e salgadas de mar. Dizem no cruzeiro que de noite haverá mais uma festa. Travessia. Desloco-me infinitamente pelos espaços vazios da proa, cheia de silêncios. A proa cheia de mim. Todos já estão lá dentro – não saberia dizer o que tanto festejam. Preparo-me para o mergulho. Escrevo com os peixes desatados, com os nós que amarramos entre nós. Escrevo atado, escrevo forte com as duas mãos juntas. Faltam as suas. Estas páginas têm guelras e a respiração é difícil fora d’água. Escrevi:&lt;br /&gt;um mar&lt;br /&gt;seu mar&lt;br /&gt;amares&lt;br /&gt;amores&lt;br /&gt;e permaneci calado como que esperando por um milagre. Em silêncio, mergulhei, com minhas páginas e nós. No infinito espaço entre eu e o mar, o ar frio congelou meu nariz. Estava voando e minhas asas transparentes batiam enfim. Pousei suavemente na água, escura como petróleo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite repousava tranquila sobre minhas costas. Nadei um pouco. Ao longe, avistei o Cruzeiro do Sul que reluzia com dificuldade atrás de algumas nuvens. Sem pudor, eu dançava com a noite a valsa e revirava-me docemente sobre a superfície lustrosa do mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-7230501780725162609?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/7230501780725162609/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=7230501780725162609' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7230501780725162609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7230501780725162609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/06/cruzeiro.html' title='cruzeiro'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-4618614932307361402</id><published>2009-06-15T00:41:00.008-03:00</published><updated>2009-07-20T00:44:49.382-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='evento'/><title type='text'>cine noz</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/SjXDVF3xGeI/AAAAAAAAAEc/_xb12P0TUO0/s1600-h/cinenoz-andarilho.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 283px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/SjXDVF3xGeI/AAAAAAAAAEc/_xb12P0TUO0/s400/cinenoz-andarilho.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5347394899693083106" /&gt;&lt;/a&gt;A revista Noz tem o prazer de convidá-los para a primeira edição do &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Cine Noz&lt;/span&gt; – filmes seguidos de debates com seus diretores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 junho, quarta às 19h (entrada franca)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Andarilho&lt;/span&gt; de Cao Guimarães&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;seguido de conversa entre Cao Guimarães e Ligia Saramago&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 junho, quarta às 19h (entrada franca)&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Mutum&lt;/span&gt; de Sandra Kogut&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;seguido de conversa entre Sandra Kogut e Otavio Leonídio &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;local&lt;/span&gt;: Instituto Moreira Salles – Rua Marquês de São Vicente, 476 Gávea – Rio de Janeiro &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;realização&lt;/span&gt;: revista Noz e CAU/PUC-Rio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais informações em &lt;a href="http://www.revistanoz.com/cinenoz"&gt;www.revistanoz.com/cinenoz&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Espero todos lá!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-4618614932307361402?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/4618614932307361402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=4618614932307361402' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4618614932307361402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4618614932307361402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/06/cine-noz.html' title='cine noz'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/SjXDVF3xGeI/AAAAAAAAAEc/_xb12P0TUO0/s72-c/cinenoz-andarilho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-4371082466657456807</id><published>2009-06-14T00:40:00.000-03:00</published><updated>2009-06-16T00:00:09.615-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>campanha anti-terrorismo no metrô de nova york</title><content type='html'>Stand clear&lt;br /&gt;of the closing&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;doors&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-4371082466657456807?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/4371082466657456807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=4371082466657456807' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4371082466657456807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4371082466657456807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/06/campanha-anti-terrorismo-no-metro-de.html' title='campanha anti-terrorismo no metrô de nova york'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-2260884118235259238</id><published>2009-06-04T00:11:00.007-03:00</published><updated>2009-06-05T00:32:49.249-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>estalactites</title><content type='html'>Junho chegou junto com o inverno. O frio toma conta das casas. Entra com o vento pelas frestas das janelas e deixa gelado o mármore das salas, fazendo as donas de casa tremerem. As famílias se agasalham. Em cada elevador ouve-se conversas-relâmpago a respeito da repentina mudança do tempo, dos resfriados etc. Lenços de papel em cada bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giovanna se sente melhor debaixo de dois quilos de cobertas, coberta até o nariz. A xícara com chá a seu lado fora uma lembrança da viagem a Bariloche. Grande besteira, pensa, imaginando por que trouxera tanta quinquilharia de lá. Sua mãe pergunta-lhe como vai o coração, o que tem feito, se está bem. Responde que sim e que tudo vai indo como sempre, sem grandes novidades. O telefone preto em cima da bancada, mudo há alguns dias. Promete ligar para os amigos que não fala há algum tempo. Giovanna carrega tantas promessas não-cumpridas que sente-se pesada. Prefere estar embaixo de dois quilos de cobertas. Seu nariz gelado. Sua mãe deixa o quarto com a sensação de que não conhece mais a filha. A pequena Gio era incrivelmente espoleta. Fazia a mãe passar vergonha de tão espontânea que era, reagia a qualquer pergunta com sua opinião, convicta demais para uma criança. A mãe de Giovanna pensa no que pode ter acontecido, porque a filha mudou tanto. Talvez a entrada para a faculdade. Talvez o término do namoro que durara alguns anos. Vai para a cozinha sem resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Giovanna sabe que não é mais espontânea como quando pequena. Resta saber quando foi que houve essa ruptura. Quando a violaram. Sente-se abusada. Não fora um abuso sexual, mas a sensação é parecida. Só não consegue lembrar quando foi. Transporta-se para os tempos de criança, a pequena Gio que era só sorrisos. Os sorrisos continuam até hoje, mas é diferente. Um namorado disse-lhe que se pudesse guardaria o sorriso dela dentro da carteira, e então sempre que a abrisse seria como se carteira estivesse sorrindo para ele. Grande bobagem, pensa Giovanna, um mês depois terminaria o namoro que nem sabia por que havia começado. Debate-se com todos esses pensamentos, promessas, exigências. Giovanna sabe que não é mais tão espontânea. Cada ação sua acontece somente após muitos pensamentos e possibilidades analisadas. Promete e promete. Julga-se capaz e incapaz. Tem dúvidas que nunca pôde sanar. Talvez por isso não consiga aceitá-las. Aceitar que tem dúvidas, que duvida de algumas coisas que o senso comum diz que é normal ou preferível. Aceitar que pode ter dúvidas e ainda assim viver parece impensável. Giovanna é as estalactites que quase chegam ao chão mas endurecem. Mulher. Tenta-se convencer que é mulher mas sente-se menina. Foi no momento da violação que endureceu e tornou-se estalactite. E desde então vive em cavernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O telefone preto rompe o silêncio e Giovanna se assusta. Ofereciam-lhe uma conta universitária com algumas vantagens imperdíveis. Já tenho conta, e desliga o telefone frustradíssima. Giovanna se frustra continuamente. Seus dias são marcados por frustraçõezinhas que a consomem até a alma. Expectativas frustradas. Ao sentar, o chá que estava a seu lado entorna todo no lençol novo. Na televisão não há novidade alguma. Sente que não tem nada a acrescentar no mundo, parece que tudo já foi dito. Giovanna possui muitos planos pela metade, planos não começados, projetos fracassados. Raramente tem forças para começar, que dirá continuar algo que começou ou que começaram por ela. Vai adormecer sem concluir nada. Mais um dia cheio até o último minuto. Compromissos com amigos, família, trabalho. Giovanna sente que não esteve em nenhum desses lugares que foi, mas ainda assim está cansadíssima. Exaurida. Como se as pessoas tivessem-na atravessado ao invés de simplesmente passarem em sua frente. Sugaram-na até a última gota. Antes de apagar a luz para dormir, Giovanna olha para o crucifixo que está atrás de sua cama desde que se entende por gente. Hoje lembrou-se dele. Fixada na madeira, uma estátua com um rosto igualmente exaurido, completamente sugado. Parece que todos os pesos do mundo estão sobre ele, pensa, e apaga as luzes. No escuro, Giovanna adormece aos pés de quem, talvez, a compreenda muito bem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-2260884118235259238?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/2260884118235259238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=2260884118235259238' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2260884118235259238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2260884118235259238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/06/estalactites.html' title='estalactites'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-6096946713037581388</id><published>2009-05-28T01:52:00.003-03:00</published><updated>2009-06-20T14:07:17.991-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>duas mãos</title><content type='html'>"Não entendo por que os ônibus dessa linha são tão velhos se os outros da mesma empresa já foram renovados", foi o que pensou, em meio aos sacolejos da viagem que se repetia todos os dias. O bebê em seu colo acabara de completar um ano e mamava com tanta vontade que chegava a doer. A moça do banco de trás estava de pernas cruzadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criança procurava algo para agarrar com suas mãos inquietas. Mãos de veludo, mãos que poderiam sustentar todo o planeta. Uma delas encontrou o seio quente da mãe, sua casa. A outra, que pendia para fora do assento, encontrou o pé da vizinha de trás, cuja perna cruzada projetava-se um pouco para a frente. Mãos que talvez encerrassem em si toda a ternura do mundo; por isso o sustentariam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carinho inusitado arrancou um sorriso da moça. A mão, porém, logo escorregou para a sola da sandália. "Está tão suja!", pensou a moça, que andara o dia inteiro pelo centro da cidade tentando achar um cartório que fizesse a petição. Com jeitinho descruzou a perna, apoiando os pés no chão. A mão órfã caiu sobre as costas do banco, que talvez nunca tivessem sido alisadas daquela maneira. Mãos que afagavam o infinito. Os infinitos dentro de duas mãos, sustentados. Equilíbrio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-6096946713037581388?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/6096946713037581388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=6096946713037581388' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6096946713037581388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6096946713037581388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/05/179.html' title='duas mãos'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-1720837646718169541</id><published>2009-05-20T17:36:00.005-03:00</published><updated>2009-05-20T22:12:22.020-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>2113</title><content type='html'>Entrei no ônibus com ar condicionado, mesmo sendo o dobro do preço das passagens normais. Valeria a pena, pelo menos eu usaria o casaco que levei comigo de manhã e até então não me havia sido útil. Cruzando a roleta, enxerguei os bancos vagos. Costumo olhar por alguns instantes as pessoas que estão sentadas ao lado de um banco vazio, esperando por alguém, algum desconhecido que mude suas vidas, quem sabe? Algumas sentam-se próximas ao corredor, talvez temendo um assalto. Eu nunca faço isso. Vi um senhor com a cabeça inclinada para frente, possivelmente dormindo. Aquela imagem despertou em mim uma ternura repentina, de modo que caminhei em direção ao banco disponível ao seu lado. O arranque do ônibus atirou-me com certa violência para o banco. Esbarrei no senhor, que levantou a cabeça por um instante e olhou ao redor. Teria lá seus oitenta anos. Setenta e sete, diria eu, para ser mais preciso. Pareceu-me de estatura média, carregava um nariz redondo e grande. Os poucos cabelos que lhe restavam eram bem brancos. Tinha muitas pintas espalhadas pelo rosto, marcado por muitas rugas, barba por fazer. Alguns segundos depois já voltara à posição de antes, em um sono prostrado. Lembrei-me de Orfeu – aquele senhor se entregava, ali, inusitadamente. Tanto peso de vida. Com o que sonharia? Com o que sonha uma pessoa nessa idade, que dorme assim em um ônibus? Teria sonhos ainda? Teria flores em seu quintal? Teria um quintal, ou seu apartamento em Copacabana daria para um muro? Não sei, não perguntei. Movia-se de acordo com as curvas, freiadas e arrancadas que fazia o ônibus. Estava entregue. Seu corpo ia e voltava, num movimento tão suave que dava gosto de ver. Foi em uma reta, sem arrancadas nem freiadas, que, de súbito, mas não sem graça, sua cabeça tombou para o lado. Apoiou-se em meu ombro, fazendo dele seu travesseiro. Não me movi; pareceu-me um dos instantes mais sagrados da minha existência. Aquele senhor apoiava em mim todo o seu peso de vida. Senti a bagagem de seu corpo pesado, rijo e firme apesar da idade. Não sei quanto tempo durou. Talvez apenas um minuto no relógio. Para mim, no entanto, eternidades. O ancião voltou sua cabeça olhando-me com olhos que se desculpavam e agradeciam, ao mesmo tempo. Saltei – por pouco não perco o meu ponto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-1720837646718169541?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/1720837646718169541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=1720837646718169541' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1720837646718169541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1720837646718169541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/05/2113.html' title='2113'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-2511909788418717213</id><published>2009-05-17T10:00:00.003-03:00</published><updated>2009-07-12T18:53:25.113-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>o primeiro eclipse</title><content type='html'>O Sol e a Lua sempre gostaram muito de passear pelos céus. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sol, aventureiro e brilhante, desfilava com alegria pela imensidão azul. De tanto andar de um lado para o outro, no fim do dia o seu amarelo ficava quase vermelho por causa do cansaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Lua, muito mais tímida e discreta, só saía à noite, no escuro. Era tão, mas tão envergonhada que às vezes aparecia só pela metade, e em alguns dias quase não se deixava ver. Os homens aqui debaixo se enganaram e começaram a dar nomes: Lua Crescente, Lua Minguante... como se fossem primas distantes da Lua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Lua e o Sol nunca tinham sido apresentados. Um dia, a Lua tomou coragem e apareceu no céu azul. Quase ninguém a viu, porque sua cor se confundia com o azul do céu naquele dia, que estava bem claro. A Lua, mesmo apagada, viu o Sol pela primeira vez, e se apaixonou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sol não podia acreditar no que estava vendo. Aquela musa branca desfilando ali bem perto dele! E como poucos a enxergavam, ele ficou feliz achando que só ele a admirava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clima no universo era de amor novo. As nuvens saíram de perto para não atrapalhar. Os dois maiores astros se beijaram – e o mundo, boquiaberto, assistiu ao primeiro eclipse da história.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-2511909788418717213?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/2511909788418717213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=2511909788418717213' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2511909788418717213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2511909788418717213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/05/o-primeiro-eclipse.html' title='o primeiro eclipse'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-1148824986885194199</id><published>2009-05-08T02:13:00.006-03:00</published><updated>2009-06-16T00:01:32.689-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>a ciclovia está molhada</title><content type='html'>Chovia grosso feito tromba d'água. Em casa, suas esperanças se resumiam a alguns fios e a uma janela semi-aberta. Horas depois já não chovia e ele pensava em trinta e cinco coisas ao mesmo tempo sem conseguir completar nenhum dos trinta e cinco raciocínios. Lembrou-se da recomendação de sua terapeuta para momentos assim, colocou os tênis e saiu para correr no calçadão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ciclovia estava relativamente vazia não só por já passar das nove da noite mas também pela chuva de antes. Poças e folhas que caíram com o vento. Corria e caminhava, alternando por não aguentar correr o tempo inteiro (o que para ele significava fracasso). O ritmo das coisas que vinham à sua mente que só aumentava e todos seus esforços que cada vez mais pareciam vãos. Suor e lágrimas e algumas baratas na pista – devem ter saído de algum bueiro por causa da chuva. Só de raiva pisou em duas delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas pessoas passavam. Queria viver suas vidas por elas porque a dele só não bastava. Dentro de sua cabeça os pensamentos de um casal que vinha mais à frente juntavam-se aos seus. O cheiro forte de maresia misturado com o do caminhão de lixo. Uma moça, bonita até, que passou olhando-o de rabo de olho. Mas de que adianta? Sente que corre todo desengonçado, as pernas doem nas articulações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E todos os vazios que aquela ciclovia trazia. O quanto vou correr de mim, que parece que nunca chego. Chegar aonde. É aqui, cinquenta minutos. Nada muito diferente. Acha que nesse ritmo nunca vai conseguir emagrecer. Os trinta e cinco pensamentos pareciam ir e vir em ritmo mais rápido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em casa, um banho quente. Água e sabão e mais lágrimas. Será que alguém já ficou de joelhos dentro do boxe? Nu. Pediu que todos os pensamentos fossem embora de uma vez. Impossível. Tantas e tantas imagens. E esse deus que mais parecia um inspetor de colégio com a palmatória na mão. A saída foi ligar a água fria. Jatos mais fortes na cara pra ver se acordava, se essa água me lavasse de tudo seria tão mais fácil. Mais forte: água que arrancava a sujeira e a pele. Melhor quente mesmo, mata as bactérias. A fumaça e o espelho todo embaçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De toalha enrolada ligou a televisão como se não tivesse mais nada que fazer. Como se as contas não estivessem gritando ali em cima da mesa, como se a vida fosse só aquilo. Mais fácil ver na tevê as coisas se resolverem e permanecer inerte. Inércia, palavra que irrita por si só. Já havia manchado o sofá novo, ninguém vai a lugar algum assim, alô, mãe, agora não posso falar, é o último capítulo da temporada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-1148824986885194199?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/1148824986885194199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=1148824986885194199' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1148824986885194199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1148824986885194199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/05/chuva.html' title='a ciclovia está molhada'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-5491865633925604234</id><published>2009-05-01T19:39:00.007-03:00</published><updated>2009-12-27T02:18:31.275-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>todos os rios o mar</title><content type='html'>1. &lt;br /&gt;Às margens do Sena&lt;br /&gt;uma pequena parisiense&lt;br /&gt;de &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ballon rouge&lt;/span&gt; na mão&lt;br /&gt;me diz:&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style:italic;"&gt;bonsoir, monsieur&lt;/span&gt;,&lt;br /&gt;todos os rios vão dar no mar"&lt;br /&gt;(e me estende seu balão enquanto&lt;br /&gt;a tarde vermelha entrava em Notre-Dame).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;br /&gt;Rio Nilo, água e memória,&lt;br /&gt;um agricultor estremece&lt;br /&gt;ao me contar:&lt;br /&gt;"vi Moisés nascido num cesto,&lt;br /&gt;suas águas eram amarelas –&lt;br /&gt;todos os rios vão dar no mar"&lt;br /&gt;(o choro do menino-príncipe se ouvia&lt;br /&gt;mesmo dentro das pirâmides).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;Uma piranha do Amazonas&lt;br /&gt;inquieta que nem faca&lt;br /&gt;mordisca perto do barco:&lt;br /&gt;"prefiro bois inteiros a capivaras,&lt;br /&gt;mas eles nunca aparecem por aqui.&lt;br /&gt;Todos os rios vão dar no mar."&lt;br /&gt;(alguns rios de tão grandes parecem&lt;br /&gt;o próprio mar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Calles con luz de patio&lt;/span&gt;,&lt;br /&gt;o Rio da Prata corta Montevidéu&lt;br /&gt;e Buenos Aires (e Borges no meio, talvez em outra margem).&lt;br /&gt;Ouve-se no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;buquebus&lt;/span&gt;:&lt;br /&gt;"Uruguai é província da Argentina"&lt;br /&gt;(suficiente pra instalar a briga –&lt;br /&gt;mas a picanha uruguaia todos sabem que é superior à vizinha,&lt;br /&gt;todos os rios vão dar no mar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. &lt;br /&gt;"O Canal do Panamá &lt;br /&gt;é &lt;span style="font-style:italic;"&gt;land art&lt;/span&gt;", foi o que &lt;br /&gt;algum artista americano desavisado propôs,&lt;br /&gt;mas toda rachadura é perda, &lt;br /&gt;todos os rios vão dar no mar, ainda que não seja rio – &lt;br /&gt;rachadura continental&lt;br /&gt;(Panamá é escala obrigatória pra quem voa Rio-Miami,&lt;br /&gt;os eletroeletrônicos saem mais em conta por lá).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ó mar salgado, quanto do teu sal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;são esperanças que vieram de todos os rios,&lt;br /&gt;quanto do teu sal &lt;br /&gt;era doce de rio&lt;br /&gt;quantos rios não vão dar no mar salgado&lt;br /&gt;quantos rios vão secar sertões – &lt;br /&gt;ainda assim, todos os rios vão dar no mar,&lt;br /&gt;nem que sejam seus rastros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-5491865633925604234?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/5491865633925604234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=5491865633925604234' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5491865633925604234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5491865633925604234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/05/todos-os-rios-o-mar.html' title='todos os rios o mar'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-7585818535636957013</id><published>2009-04-27T17:00:00.002-03:00</published><updated>2009-04-28T22:59:36.183-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>sr. küssen</title><content type='html'>Aconteceu há pouco tempo. Conheci o sr. Küssen um dia em um café, quando eu tentava escrever algo relevante. Nos três dias&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(1)&lt;/span&gt; que se seguiram, ele me disse algumas coisas que pretendo relatar aqui. Talvez o tempo me faça esquecer algo – a idade chega para todos. Mantive segredo por estar esperando que alguém descobrisse algo de mais concreto sobre o caso. Contudo, estando esgotadas as tentativas, resolvi relatar o que sei. O sr. Küssen veio até minha direção e inesperadamente pediu para se sentar. Começou dizendo que era escritor, embora nunca houvesse publicado um livro sequer. &lt;br /&gt;– Como o senhor pode ser um escritor se nunca publicou nada?&lt;br /&gt;– Escreve-se mundos e as palavras prefiro-as comigo – disse-me o ancião. Vivo indo de um mundo a outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal terminou a frase, levantou-se e saiu, deixando um cartão. Só depois notei que havia levado meu caderno também. Fui até sua casa no dia seguinte, um pequeno sobrado na Lapa, perto da subida para Santa Teresa. &lt;br /&gt;– Para quem você está escrevendo? – perguntou-me o sr. Küssen.&lt;br /&gt;– Para as pessoas, ou, quem sabe, para um possível editor...&lt;br /&gt;– Escreva para você mesmo que sairá melhor. Só li porcarias até agora, mas você tem jeito. Escreva o que você gostaria de ler. Escreva aquilo que lhe emociona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sr. Küssen mostrou-me alguns de seus escritos, ainda à mão. Eram as coisas mais bonitas que eu já havia lido, fato que tornou ainda mais inacreditável que tudo fosse inédito.&lt;br /&gt;– Um dia eu escrevi sem parar durante vinte e quatro horas – disse, por fim, percebendo meu silêncio de espanto – e o resultado é isso que você tem em suas mãos.&lt;br /&gt;– Vinte e quatro horas sem parar?&lt;br /&gt;– Escreva rápido e pense depois. Palavras que vêm do fundo são sempre melhores. Depois pense, edite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí. Sabia que tinha de ir embora e escrever algo. Quando tomei coragem para voltar, levei comigo um manuscrito.&lt;br /&gt;– Ainda não é bom. Você precisa olhar melhor para as coisas.&lt;br /&gt;– Como?&lt;br /&gt;– Veja, meu jovem: as palavras estão grudadas em cada pão com manteiga molhado no café com leite, em cada voo de um pombo qualquer que se esquiva de alguém na praça. Estão ali, só precisamos tirá-las de lá.&lt;br /&gt;– Obrigado.&lt;br /&gt;– Pelo quê?&lt;br /&gt;– Por dizer isso.&lt;br /&gt;– Então você não sabia? É tão óbvio! Basta olhar ao seu redor, e lá estão as palavras. Cada coisa pode explodir em mil palavras diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sr. Küssen tinha um olhar que nunca vi igual. Parece que enxergava as coisas por dentro. Dessa forma me olhava, sentado em sua poltrona cinza. Cochilou, e eu me retirei para minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei logo. A porta estava semi-aberta. O sr. Küssen não estava lá e as pilhas de manuscritos&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(2)&lt;/span&gt; que estavam em cima da mesa haviam sumido. No lugar de sua poltrona havia um livro de capa cinza cujo título era grafado em um alfabeto irreconhecível para mim. Não era hebraico, aramaico, nem muito menos hieroglifos ou qualquer coisa que eu já havia estudado. Não encontrei seu corpo, e também não o encontraram, depois, os detetives policiais que ficaram incumbidos do caso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia, trouxe o livro para casa. Seu interior era coberto por palavras que seguiam o mesmo tipo de grafia. Levei-o até a Biblioteca Nacional. Foi analisado pelos maiores peritos, estudado nas melhores faculdades. Foi objeto de teses de doutorado. Mas nunca alguém conseguiu descobrir o que aqueles signos queriam dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o mundo não esteja preparado para ouvir o que lá está escrito. Talvez. Quando aconteceu, como é notório, foi aquela falação toda em torno do mistério. Será toda a obra daquele homem fascinante? Sua biografia? Não sei, e, francamente, não me importo muito. Para quem quiser, o livro encontra-se na Biblioteca Nacional, estante 149-B, disponível para consulta. Basta procurar por KÜSSEN, M. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Sem título&lt;/span&gt;.&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(3)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Notas do editor:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(1)&lt;/span&gt; Os originais estavam manchados e não sabemos se a palavra é dias ou meses. Vendo-se o resto do texto, a rapidez dos acontecimentos faz supor que sejam dias, versão pela qual optamos. Porém a questão permanece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(2)&lt;/span&gt; Já começou a busca por esses manuscritos mencionados no texto e algumas provas parecem apontar para uma possível localização na Gamboa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(3)&lt;/span&gt; O autor deste texto é anônimo e o original foi encontrado no lixão de Gramacho, ano passado, cinquenta anos depois da primeira entrada do livro na Biblioteca Nacional. Estudos do carbono levam a crer que foi escrito dez anos após esta data. Encontrá-lo antes teria evitado algumas teses errôneas pelo caminho, embora não esclareça muita coisa a respeito do livro cinza. Contudo, as palavras que, ao que parece, vieram mesmo do sr. Küssen, são impagáveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-7585818535636957013?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/7585818535636957013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=7585818535636957013' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7585818535636957013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7585818535636957013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/04/sr-kussen.html' title='sr. küssen'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-2811136098908960893</id><published>2009-04-23T20:28:00.005-03:00</published><updated>2009-04-23T21:08:23.565-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>as lentes</title><content type='html'>As lentes existem e eu você e qualquer um não seríamos os mesmos sem elas. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;What am I to you?&lt;/span&gt;, essa pergunta que parece vir antes de qualquer outra coisa. Como se andássemos no meio de milhões de olhos atentos aos nossos passos atitudes pensamentos. Vigias por todos os lados e cercas. Viver assim ainda me mata, esse eu difícil de encontrar. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;As casas espiam os homens / que correm atrás de mulheres&lt;/span&gt;. Vivo sendo violado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Propor um jeito diferente de caminhar parece absurdo e ridículo. Eu olhando pra mim e não me importando com os olhos. Mas seria eu? Eu que tanto me importei, eu que me esforcei até cansar, eu que fui até a última gota d’água mas continua pingando. A infiltração que não tem jeito e a parede mofada sempre. Me romantizo comigo mesmo então, haja vista minha incompetência com os outros. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Enamorado de la vida, aunque a veces duela&lt;/span&gt;. E dói no mais profundo dos ossos que estalam sem parar, eu me movimentando pelos espaços do mundo e os estalidos sem fim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As expectativas caindo pelas tabelas. Só consigo escrever coisas pequenas assim, não me aguento tanto tempo. Imagina, um romance disso. Talvez por causa dos milhões de olhos por toda parte que querem e que demandam tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu silêncio consigo finalmente perceber a voz que me pergunta, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;onde estão seus acusadores?&lt;/span&gt; "Logo ali", respondo, mas olho e não os vejo mais. Foram embora e as pedras e as acusações jazem no chão. Eu, Deus e o mundo todo agora a sós. Logo descubro que não sei caminhar assim e então corro e volto a todos aqueles olhos e me tranquilizo e eles se acalmam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai ter um dia que eu não vou correr de volta mais. Nesse dia acho que todas as portas vão se abrir ao mesmo tempo, escancaradas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-2811136098908960893?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/2811136098908960893/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=2811136098908960893' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2811136098908960893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2811136098908960893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/04/as-lentes.html' title='as lentes'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-527037445227232957</id><published>2009-04-13T23:14:00.003-03:00</published><updated>2010-03-31T21:53:07.911-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>revelação ou a estória das estórias (2)</title><content type='html'>Mais à frente vi uma porta aberta no céu. “Que bonito!”, pensei, e gostei ainda mais quando ouvi que aquela voz do início me chamava para subir até lá: “Venha e lhe mostrarei mais algumas coisas”. Quando cheguei, vi um trono imenso, mais bonito que o de qualquer rei ou imperador que existe ou já existiu. Jesus soltou minha mão e sentou no trono, que é seu. Ao redor do trono havia um representante de cada raça de pessoa no mundo: negros, brancos, índios e muitas outras misturas bonitas. Um total de vinte e quatro. Eles representavam a família de Deus que está em todo lugar, e de todos os tempos: alguns pareciam antigos e usavam roupas de pele, outros trajavam lindas roupas egípcias, alguns tinham chapéus em cone e olhos puxados e assim por diante. Algumas roupas eu nem conhecia: calças que chamavam de jeans, por exemplo, e que eu achei engraçado porque eram justas em cima e largas na parte de baixo, pareciam sinos. O trono estava em cima de um mar, mas todo mundo conseguia andar por ali. A água era clara como o cristal. Ao redor também estavam quatro animais que eu nunca tinha visto. Na verdade, cada um era uma mistura de alguns dos animais que existem na terra. Cabeça de leão, corpo de boi... eles representam todos os animais da terra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei animado com todas aquelas pessoas e seres que pareciam felizes e eram muito interessantes. Poderia ficar o dia inteiro olhando pra eles. Todos cantavam uma música linda que eu nunca tinha ouvido. Essa música era tocada com flautas em dó maior, e dizia mais ou menos o seguinte (não me lembro da letra toda): &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Santo, Santo, Santo &lt;br /&gt;é o nosso Deus. &lt;br /&gt;Não há outro igual a ele!&lt;br /&gt;Ele que sempre existiu,&lt;br /&gt;que era,&lt;br /&gt;que é,&lt;br /&gt;e que sempre será.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aquele lugar se encheu com essa música. Depois vi um livro na mão de Jesus. Tinha páginas enormes e era escrito com ouro, mas o que dizia eu não soube ainda, embora parecesse muito importante. Ao que parece, só Jesus podia abrir o livro. Antes de abri-lo, aconteceu algo incrível. Jesus levantou-se e voltou a caminhar comigo: foi quando começou, de fato, nossa caminhada por toda história do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vi era muito triste, e pelo caminho inteiro meus olhos ficaram cheios de lágrimas. Vi homens matando uns aos outros. Guerras e mais guerras, que pareciam não ter fim. Vi como os homens faziam os outros passarem fome e destruíam o planeta com suas máquinas e indústrias. Por isso vendiam comida a um preço tão mas tão alto que ninguém podia comprar, só os ricos. E a fome aumentava mais ainda. Uns tinham muito, outros quase nada. Como se não bastasse, os homens perseguiam e matavam outros por causa da sua fé em Jesus. “Até quando isso vai ser assim?”, gritavam com tristeza alguns desses. Jesus pediu que eles esperassem pois ainda não era o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Terra gritava por causa do desrespeito com ela. E os homens nunca entendiam. Fazia muito mais calor que o normal, estava tudo desregulado! Ninguém via mais as estrelas, que haviam sumido do céu por causa de uma fumaça que eu descobri que se chamava “poluição”. As ilhas sumiam porque o mar também estava desregulado, as colheitas demoravam e o vento parecia não soprar. O mar tinha manchas escuras que pareciam sangue. Os animais morriam, as florestas estavam cinza de tantos incêndios, de tanta poluição; a água estava cada vez mais escassa, os rios já não davam conta e muitas pessoas morriam de sede. Os gafanhotos, por exemplo, tirados do seu hábitat natural, invadiam as plantações e comiam tudo. O mundo estava mesmo poluído. E agora, mesmo os poderosos, os reis e todos os ricos não tinham mais para onde correr e se escondiam, gritando com desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os anjos iam e vinham trazendo a Deus as orações daquelas pessoas que ainda se importavam. Eram muitas até. Elas sofriam com tudo isso, mas quem não se importava sofria mais ainda, pois achava que a culpa era dos animais, das águas que não prestavam, enfim, de qualquer coisa menos deles; e nem se arrependiam do mal que haviam feito ao planeta, às pessoas e à vida. Depois que vimos isso tudo, Jesus virou pra mim e disse: “Ah, João! Me entristece muito que as pessoas tenham tanta dificuldade de reconhecer sua própria culpa! O pior é que, já já, quando não sobrarem alternativas, vão culpar a mim...” E me disse isso chorando. Lembrei daquela vez, muitos anos atrás, que Ele havia chorado quando viu o estrago que a morte causou na família de um amigo seu, chamado Lázaro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois disso vi um anjo que tinha as cores do arco-íris por todo seu corpo e era imenso e lindo demais. Em sua mão havia um livrinho. Aquela voz que parecia cachoeira falou de novo comigo dizendo: “Vá, pegue o livro da mão do anjo”. Quando me aproximei, o anjo me deu o livro e disse: “Coma este livro.” “Como vou comer um livro?!”, pensei eu, mas logo obedeci pois quando o mistério é demasiado grande e maravilhoso a gente quer mais é obedecer. Aquele livro era doce no início, mas quando engoli me pareceu amargo e fiquei enjoado. E aquela voz falou comigo mais uma vez: “Tudo no mundo que eu criei era lindo e doce, mas as pessoas transformaram em amargura e perversão. Preciso que você escreva ainda mais um pouco sobre essas coisas...” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;(livre paráfrase de Apocalipse 4-6, 8-10)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-527037445227232957?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/527037445227232957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=527037445227232957' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/527037445227232957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/527037445227232957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/04/revelacao-ou-estoria-das-estorias-2.html' title='revelação ou a estória das estórias (2)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-7542887758316841576</id><published>2009-04-10T01:39:00.012-03:00</published><updated>2010-03-31T21:54:04.616-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>revelação ou a estória das estórias (1)</title><content type='html'>Me chamo João, ou “seu” João, que é como costumam dizer por aqui devido à minha idade. Na época em que aconteceu, eu estava preso numa ilha chamada Patmos. O nome já não era lá muito inspirador – Patmos sempre me lembrou tristeza, dor e saudades. A ilha era um deserto de pedras. Aquelas grades, aquelas construções... tudo tão cinza como os meus cabelos envelhecidos. Era inverno. E vocês sabem como são as prisões: lugares de solidão. Eu me sentia muito sozinho... Em um dia como outro qualquer, no meio das minhas cantorias (coisa que costumava fazer para afastar a tristeza), ouvi uma voz que me disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Faça poesia de tudo o que você vir e ouvir, de agora em diante.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz parecia um trovão, tão forte que até me assutei. Mas era também muito bonita. É que nem o espanto que temos quando nos deparamos com uma cachoeira, por exemplo: aquele barulho todo, a força das águas... e apesar disso é, sem dúvida, uma das cenas mais bonitas do mundo. Tudo o que é bonito dá vontade de obedecer. Peguei então meu caderninho e, de repente, em pleno inverno, &lt;br /&gt; tudo ao meu redor virou primavera, &lt;br /&gt; o sol brilhava mais forte do que nunca,&lt;br /&gt; os pássaros voltaram a compor músicas novas,&lt;br /&gt; e etcétera e etcétera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se não bastasse isso tudo, aconteceu a coisa mais impressionante que já havia acontecido comigo, e meus olhos custaram a acreditar que era verdade. Eu vi o próprio Jesus. Isso mesmo, Jesus em pessoa. Os olhos dele olhavam pra mim e brilhavam que nem as estrelas – você conseguirá entender como era esse brilho olhando pro céu numa noite sem nuvens. A voz dele parecia o canto dos pássaros, de tão suave. Depois de um tempo, ele abriu um sorriso e me disse algo que nunca vou esquecer: “– Meu querido João, eu estava quase morrendo de saudades de você. Que bom te ver.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, imaginem como eu fiquei depois de ouvir uma coisa dessas! O máximo que consegui foi dizer: “– eu também, Jesus, senti muita saudade de Você”. Sabem como é: em reencontros assim você fica meio sem saber o que falar. Depois disso, Ele me deu a mão e saiu comigo para passear. Mas era um passeio diferente: caminhávamos pelo passado, pelo presente e pelo futuro, tudo ao mesmo tempo. As coisas iam acontecendo e eu via o que estava por vir. E vi o fim de tudo, a Estória das estórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando isso começou, Ele parou de caminhar e me disse: “João, antes de te mostrar algumas coisas, eu queria mandar um recado especial para as igrejas do presente e do futuro. Por favor, anote para mim.” Por sorte eu já estava com o caderno na mão e comecei a anotar o que Ele ia falando. Achei que aquilo parecia um poema e por isso escrevi em versos. Ficou assim: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Escutem, escutem com atenção o que vou dizer,&lt;br /&gt; mantenham os olhos fechados mas a mente bem aberta. &lt;br /&gt; Usem a imaginação.&lt;br /&gt; Não sejam frios no amor; esquentem seus corações comigo.&lt;br /&gt; Não se impacientem por serem pobres ou por passarem dificuldades –&lt;br /&gt; estou com vocês pro que der e vier.&lt;br /&gt; Parem de falar uma coisa e fazer outra; &lt;br /&gt; as aparências não importam para mim. &lt;br /&gt; ‘O essencial é invisível para os olhos’, lembram?&lt;br /&gt; Parem de colocar cargas pesadas sobre os ombros das pessoas. &lt;br /&gt; Deixe que cada um seja livre, como eu os criei pra ser – &lt;br /&gt; só dessa forma poderão me conhecer.&lt;br /&gt; Existe algo que me entristece muito: pessoas que esquecem &lt;br /&gt; o que é o meu amor e o transformam em um monte de regras a serem cumpridas. &lt;br /&gt; Eu tenho as chaves de todas as portas. &lt;br /&gt; Quero que vocês sejam livres e entrem nas que quiserem!&lt;br /&gt; Sobretudo lembrem-se que eu sou o caminho, sempre, e isso bastará. &lt;br /&gt; Vivam o máximo de vocês;&lt;br /&gt; aproveitem a vida que eu lhes dou como presente.&lt;br /&gt; Às vezes vocês se acham fortes e acreditam que podem tudo, &lt;br /&gt; que enxergam tudo, mas na verdade estão cegos e nus. &lt;br /&gt; Vocês são feitos de pó... &lt;br /&gt; Comprem de mim a roupa para vestirem e o colírio para enxergarem. &lt;br /&gt; Eu vendo de graça!&lt;br /&gt; Vocês já ganharam o prêmio, pois eu o dei a vocês;&lt;br /&gt; basta ser criança o suficiente para receber esse presente sem pretensão...&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Aqui Ele fez uma pausa. Olhou bem fundo nos meus olhos como que pedindo que a frase seguinte tivesse algum tipo de destaque. E continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;span style="font-style:italic;"&gt;O Reino dos céus é daqueles que se tornam como crianças mesmo sendo velhos&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt; Este é o meu convite: vou dar um banquete fabuloso, como ninguém nunca viu. &lt;br /&gt; Tudo de mais saboroso que existe no mundo! &lt;br /&gt; E quero que todos vocês estejam lá.&lt;br /&gt; Eu sou aquele que bate na porta; &lt;br /&gt; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta eu entrarei e vamos jantar juntos. &lt;br /&gt; Estejam atentos para ouvirem as batidas na porta...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele terminou e viu que eu estava com lágrimas nos olhos. Tentei me justificar: “é que isso parece tão fácil, mas não vejo quase ninguém agindo assim.” Ao que Ele me respondeu: “João, entenda que as pessoas têm muito medo do que é simples e livre. Eu sei disso e por isso estou sempre voltando a esse assunto...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuamos nossa caminhada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(livre paráfrase de Apocalipse 1-3)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-7542887758316841576?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/7542887758316841576/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=7542887758316841576' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7542887758316841576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7542887758316841576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/04/revelacao-ou-estoria-das-estorias.html' title='revelação ou a estória das estórias (1)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-4169606527667161084</id><published>2009-04-07T00:11:00.005-03:00</published><updated>2009-07-01T00:49:51.165-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>foguete</title><content type='html'>A espera me mata (ou poderia até ecoar os anteriores com algo como “sentado num chafariz de praça”). Quatrocentos e cinquenta e sete segundos e mais uns tantos minutos sem atenção. E agora pra onde vou, acelerado nos seus quilômetros por minuto. E se você me deixasse respirar e se eu pudesse. Quando posso. A ver navios – e os meus navios que correm soltos pelo mar cheio de você. Mar e terra sem fim. Mar do nunca. As ondas cheias de espumas e sujeiras e peixes desossados (naufrágio é pouco).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou intervindo nos mundos e me frustrando e procurando. A procura que não tem fim. Achar caminho é meio de caminho em você. Você que é mais que rio, você que ri que parece uma sinfonia e se espraia. Mulher-elástico. Vai abraçar o mundo um dia e se eu ficasse de fora seria perda grande demais. Ali onde encontro meu espaço entre as invenções e a possibilidade de salvar o mundo de salvar a mim e Àquiles. Eu sempre desistindo mas agora não mais. Pudesse crer veria: o nascer-pôr-do-sol. Tudo junto porque o que me separa da paisagem já não existe. Você-paisagem. Meu corpo afetando a paisagem e as minhas paisagens internas que penduro. Paisagem-varal. Desenhar você é estar atento mas o enquadrar distancia em mirantes. Desenhar contigo. Desenhar como re-apresentar diferente e por outros lados. Eu-você-paisagem. Um. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mim, eu valeria. Por que o que não vale? O verbo valer que se rasga puxando e possui tudo o que nós contínhamos. Acho que te levaria pra Lua. Foguete – transporte mais inusitado, impossível. Paisagens e pedras mas a ausência de gravidade – ser mais leve com você. Voo (pelo menos por alguns instantes).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-4169606527667161084?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/4169606527667161084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=4169606527667161084' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4169606527667161084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4169606527667161084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/04/transporte-4-em-prosa-descabida-ate.html' title='foguete'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-8276801050700067012</id><published>2009-04-06T00:02:00.004-03:00</published><updated>2009-07-01T00:50:20.549-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>onomatopeia</title><content type='html'>fffffffffuuuuuuuuuuuuummmmmmmmmmmm&lt;br /&gt;(é a vida passando&lt;br /&gt;sem parar para &lt;br /&gt;esperar o passageiro&lt;br /&gt;que atrasou cinco minutos&lt;br /&gt;por causa da pasta &lt;br /&gt;de dente que acabou&lt;br /&gt;por causa do vaso &lt;br /&gt;da planta que esqueceu de regar&lt;br /&gt;por causa da pomba &lt;br /&gt;que cagou em seu paletó&lt;br /&gt;por causa)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fffffffffuuuuuuuuuuuuummmmmmmmmmmm&lt;br /&gt;(é a vida passando&lt;br /&gt;e o metrô está&lt;br /&gt;em obras)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fffffffffuuuuuuuuuuuuummmmmmmmmmmm&lt;br /&gt;(é a vida que passou&lt;br /&gt;e agora)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-8276801050700067012?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/8276801050700067012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=8276801050700067012' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8276801050700067012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8276801050700067012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/04/transporte-3.html' title='onomatopeia'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-4973606396368410104</id><published>2009-04-05T23:36:00.004-03:00</published><updated>2009-07-01T00:50:40.461-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>a cidade em rewind</title><content type='html'>Sentado de &lt;br /&gt;costas no trem &lt;br /&gt;a cidade&lt;br /&gt;vai em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;rewind&lt;/span&gt; –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;todo caminho &lt;br /&gt;é de volta. &lt;br /&gt;Telhados e&lt;br /&gt;diagonais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rasgam o céu &lt;br /&gt;cinza de São&lt;br /&gt;Paulo, traçam &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minha volta&lt;br /&gt;do Tietê &lt;br /&gt;pro Paraíso.&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-4973606396368410104?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/4973606396368410104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=4973606396368410104' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4973606396368410104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4973606396368410104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/04/transporte-2.html' title='a cidade em rewind'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-4123865950570113313</id><published>2009-04-04T16:55:00.004-03:00</published><updated>2009-10-24T01:38:35.866-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>transporte</title><content type='html'>Sentado sozinho &lt;br /&gt;no banco do ônibus –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cada parada&lt;br /&gt;cada porta &lt;br /&gt;que se abre&lt;br /&gt;é uma promessa,&lt;br /&gt;uma iminência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-4123865950570113313?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/4123865950570113313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=4123865950570113313' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4123865950570113313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4123865950570113313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/04/transporte-1.html' title='transporte'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-219031883719302908</id><published>2009-03-28T00:14:00.008-03:00</published><updated>2009-04-09T00:00:12.384-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='evento'/><title type='text'>lançamento noz 3</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/Sc2Wo_mytjI/AAAAAAAAAEU/2tnbEnRymeg/s1600-h/convite_3.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 284px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/Sc2Wo_mytjI/AAAAAAAAAEU/2tnbEnRymeg/s400/convite_3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318072366007498290" /&gt;&lt;/a&gt; Estão todos convidados! (cliquem na imagem ao lado para visualizar melhor o convite)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Noz é uma revista de arquitetura editada desde 2007 por um grupo de estudantes do Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio. Na contramão da tendência à especialização, a revista busca abordar diferentes campos temáticos fundamentais àqueles que pensam a cidade, a imagem e a construção. Sua linha editorial preocupa-se em enxergar a arquitetura sob diversas óticas, passando pela filosofia, artes plásticas, cinema, literatura e design. A revista não procura definir conclusões, mas reflete uma constante busca capaz de instigar reflexões variadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua primeira edição, o debate girou em torno do projeto de urbanização da Rocinha, da revitalização, da arquitetura imobiliária e da subjetividade da vida na cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Noz 2 debateu, a partir da importância da imagem no mundo contemporâneo, as consequências para a produção arquitetônica e o surgimento de cidades como Dubai, cujo processo de urbanização emergente direciona para a concretização de uma cidade cada vez mais espetacularizada e temática. A edição discutiu também o posicionamento do espaço público na cidade globalizada e as relações entre arquitetura e cenografia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terceira edição da revista, ao tocar as fronteiras da arquitetura, a idéia de paisagem surge como linha que circunscreve a discussão. Pensar a margem nos leva a pensar o que seria a paisagem sem um objeto e o objeto fora da paisagem. Paisagem e objeto dialogam e se entrecruzam por toda revista, encaminhando a questão para outros campos do saber. Esta edição conta com colaboradores como Josep Maria Montaner, Cadu, Alday Jover, Aires Mateus, Ana Luiza Nobre, Eucanaã Ferraz, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.revistanoz.com"&gt;www.revistanoz.com&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-219031883719302908?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/219031883719302908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=219031883719302908' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/219031883719302908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/219031883719302908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/03/lancamento-noz-3.html' title='lançamento noz 3'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/Sc2Wo_mytjI/AAAAAAAAAEU/2tnbEnRymeg/s72-c/convite_3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-379918788969605785</id><published>2009-03-24T00:46:00.005-03:00</published><updated>2009-08-03T17:15:58.207-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>escreviver (3)</title><content type='html'>.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-379918788969605785?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/379918788969605785/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=379918788969605785' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/379918788969605785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/379918788969605785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/03/escreviver-3.html' title='escreviver (3)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-2659755089440712690</id><published>2009-03-21T14:22:00.008-03:00</published><updated>2009-08-03T17:16:17.819-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>escreviver (2)</title><content type='html'>.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-2659755089440712690?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/2659755089440712690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=2659755089440712690' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2659755089440712690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2659755089440712690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/03/escreviver-2.html' title='escreviver (2)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-4765003437998067215</id><published>2009-03-13T18:38:00.004-03:00</published><updated>2009-08-03T17:16:49.286-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>escreviver (1)</title><content type='html'>.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-4765003437998067215?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/4765003437998067215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=4765003437998067215' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4765003437998067215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4765003437998067215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/03/escrever.html' title='escreviver (1)'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-1591706574410847441</id><published>2009-03-09T22:25:00.004-03:00</published><updated>2009-04-11T15:52:23.717-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>américas</title><content type='html'>Avenida das &lt;br /&gt;Américas à noite,&lt;br /&gt;cada poste que passa&lt;br /&gt;a oitenta quilômetros &lt;br /&gt;por hora é luz &lt;br /&gt;branca que escorre pros &lt;br /&gt;olhos,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os freios &lt;br /&gt;vermelhos piscam&lt;br /&gt;piscam&lt;br /&gt;e o que vem ali &lt;br /&gt;à frente depois&lt;br /&gt;do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Barrashopping&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;só Deus &lt;br /&gt;sabe,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tantos prédios&lt;br /&gt;condomínios&lt;br /&gt;cercas &lt;br /&gt;que eu &lt;br /&gt;já nem sei –&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;essa avenida parece &lt;br /&gt;um rio e &lt;br /&gt;seus barrancos&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-1591706574410847441?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/1591706574410847441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=1591706574410847441' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1591706574410847441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1591706574410847441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/03/avenida-das-americas-noite-cada-poste.html' title='américas'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-2584516185824071205</id><published>2009-03-06T00:26:00.004-03:00</published><updated>2009-04-08T23:48:28.679-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>calder</title><content type='html'>Alguns diziam escultura é pedra branca de onde se extraem formas escultura não se faz com arame escultura só tem movimento implícito arte não pode brincar (ponto final) mas o homem da camisa vermelha (escultura) colocou vida nos arames (móbile) e fez poesia viva e escultura e esculturou o ar e entreteceu as curvas (vírgula) linhas e vazios as formas simples que coroam os arames são estrelas cadentes no invisível do ar (fazer escultura como modo de viver um pouco mais) desenhar movimento puro movimentar-se é viver a eternidade (movimento sem fim)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/SbCZ5-4S4uI/AAAAAAAAAEE/v4tQ8HlVLUo/s1600-h/a15493.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 259px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/SbCZ5-4S4uI/AAAAAAAAAEE/v4tQ8HlVLUo/s400/a15493.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5309913182080525026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Vertical Foliage, 1941&lt;br /&gt;Folha de metal, arame e pintura&lt;br /&gt;53 1/2" x 66"&lt;br /&gt;Calder Foundation, New York&lt;br /&gt;A15493&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-2584516185824071205?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/2584516185824071205/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=2584516185824071205' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2584516185824071205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2584516185824071205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/03/calder.html' title='calder'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_XYa7ZSYV5iw/SbCZ5-4S4uI/AAAAAAAAAEE/v4tQ8HlVLUo/s72-c/a15493.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-3399794724071031239</id><published>2009-03-01T00:08:00.000-03:00</published><updated>2009-04-08T23:49:43.918-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>infância na praia</title><content type='html'>Quando eu era pequeno&lt;br /&gt;meu pai me dizia:&lt;br /&gt;vai, meu filho!&lt;br /&gt;Tomar banho de mar&lt;br /&gt;e soltar pipa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu sentado comigo &lt;br /&gt;na areia respondia:&lt;br /&gt;não, pai! &lt;br /&gt;Que o castelo&lt;br /&gt;desmancha todo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-3399794724071031239?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/3399794724071031239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=3399794724071031239' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3399794724071031239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3399794724071031239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/03/infancia-na-praia.html' title='infância na praia'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-2378377377900801117</id><published>2009-02-26T00:14:00.003-03:00</published><updated>2009-04-08T23:49:43.918-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>pássaro de gaiola</title><content type='html'>Outro dia&lt;br /&gt;um pássaro apareceu lá&lt;br /&gt;em casa&lt;br /&gt;entrou pela janela&lt;br /&gt;e voava pela sala&lt;br /&gt;sem encontrar a janela de onde veio,&lt;br /&gt;peguei ele com a mão e levei até o jardim&lt;br /&gt;“vai!”,&lt;br /&gt; mas ele deu meia volta&lt;br /&gt;e voltou&lt;br /&gt;queria entrar de novo&lt;br /&gt;levei-o de novo&lt;br /&gt;e outra meia volta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;então eu disse: &lt;br /&gt;“é pássaro de gaiola,&lt;br /&gt;não sabe viver livre&lt;br /&gt;deve ter fugido de alguma&lt;br /&gt;casa gaiola”&lt;br /&gt;e pegamos ele com a mão&lt;br /&gt;e inventamos uma gaiola &lt;br /&gt;(só até comprarmos uma de verdade)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era amarelo cor de gema&lt;br /&gt;e tinha umas manchas &lt;br /&gt;cinzas&lt;br /&gt;alguém disse que era um canário belga &lt;br /&gt;e que era fêmea&lt;br /&gt;dei um nome:&lt;br /&gt;Lóri&lt;br /&gt;(pássaro de gaiola precisa de nome&lt;br /&gt;para continuar ali)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pena que ainda não cantou&lt;br /&gt;nem um pio sequer&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-2378377377900801117?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/2378377377900801117/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=2378377377900801117' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2378377377900801117'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2378377377900801117'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/02/passaro-de-gaiola.html' title='pássaro de gaiola'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-4029389735069359636</id><published>2009-02-17T01:06:00.001-03:00</published><updated>2009-04-08T23:49:43.918-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>da janela</title><content type='html'>Da janela&lt;br /&gt;vejo &lt;br /&gt;as construções&lt;br /&gt;os prédios&lt;br /&gt;a janela:&lt;br /&gt;porta para o infinito desse mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da janela vejo&lt;br /&gt;os prédios com janelas&lt;br /&gt;as vidas nuas&lt;br /&gt;mil vidas&lt;br /&gt;olhando pela janela&lt;br /&gt;olham&lt;br /&gt;me olham&lt;br /&gt;quem sou eu?&lt;br /&gt;Enxergam o que eu não sei?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cortina corta&lt;br /&gt;os olhares&lt;br /&gt;todos os olhares&lt;br /&gt;a cidade se fecha&lt;br /&gt;e se apaga&lt;br /&gt;em mim&lt;br /&gt;de mim&lt;br /&gt;sem mim&lt;br /&gt;dentro de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-4029389735069359636?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/4029389735069359636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=4029389735069359636' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4029389735069359636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4029389735069359636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/02/da-janela.html' title='da janela'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-2188845330305682432</id><published>2009-02-13T00:33:00.003-02:00</published><updated>2009-04-08T23:49:43.919-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>se fizerem de minha vida um filme</title><content type='html'>Se fizerem de minha vida um filme&lt;br /&gt;quero a trilha sonora dos pássaros&lt;br /&gt;com sabiás e bem-te-vis,&lt;br /&gt;quero ser o herói &lt;br /&gt;e o anti-herói&lt;br /&gt;suprimidos em um só,&lt;br /&gt;quero ser filmado&lt;br /&gt;correndo pelos&lt;br /&gt;vales&lt;br /&gt;campos&lt;br /&gt;matas&lt;br /&gt;e flores,&lt;br /&gt;quero voar sem dublê,&lt;br /&gt;estar ao lado das estrelas&lt;br /&gt;e abraçá-las forte&lt;br /&gt;e dormir sobre as nuvens&lt;br /&gt;e cortar as pipas&lt;br /&gt;e tomar sol sem protetor&lt;br /&gt;e cantar&lt;br /&gt;cantar &lt;br /&gt;cantar&lt;br /&gt;com os pássaros&lt;br /&gt;e com os ventos&lt;br /&gt;e voar vendavais&lt;br /&gt;de céu &lt;br /&gt;de areia,&lt;br /&gt;num redemoinho sem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero que me filmem&lt;br /&gt;dando sentido a todas as coisas ao meu redor&lt;br /&gt;dando novos nomes a tudo&lt;br /&gt;fazendo novas palavras &lt;br /&gt;como um tecelão&lt;br /&gt;a fiar&lt;br /&gt;fiar &lt;br /&gt;fiar&lt;br /&gt;sua vida tapete,&lt;br /&gt;seu mistério&lt;br /&gt;sua história &lt;br /&gt;sua estória&lt;br /&gt;sem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o filme termine,&lt;br /&gt;as luzes se acendam,&lt;br /&gt;os casais se beijem por mais cinco minutos&lt;br /&gt;e as pipocas frias sejam jogadas nos lixos,&lt;br /&gt;que os funcionários da limpeza&lt;br /&gt;limpem suas lágrimas&lt;br /&gt;e sorriam&lt;br /&gt;e sorriam&lt;br /&gt;como nunca&lt;br /&gt;que sorriam como se tivessem visto&lt;br /&gt;sua própria vida&lt;br /&gt;refeita&lt;br /&gt;reluzindo&lt;br /&gt;em nova esperança,&lt;br /&gt;que os diretores ganhem o Oscar&lt;br /&gt;mas antes o Globo de Ouro&lt;br /&gt;e sorriam&lt;br /&gt;e sorriam&lt;br /&gt;como sempre&lt;br /&gt;que percam tudo depois&lt;br /&gt;menos o amor,&lt;br /&gt;que amem e se lembrem&lt;br /&gt;do tapete&lt;br /&gt;das pipas&lt;br /&gt;do abraço nas estrelas&lt;br /&gt;da cama de nuvens&lt;br /&gt;do mistério&lt;br /&gt;e voem, sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-2188845330305682432?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/2188845330305682432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=2188845330305682432' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2188845330305682432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2188845330305682432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/02/se-fizerem-de-minha-vida-um-filme.html' title='se fizerem de minha vida um filme'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-1475836115733332774</id><published>2009-02-11T01:03:00.004-02:00</published><updated>2009-04-09T01:01:47.671-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>veneza vinte e um</title><content type='html'>As chuvas têm sido espessas, tal qual o número de mortos e desabrigados. Vimos nas últimas semanas um estado submerso: Veneza do século vinte e um, desolada. Como sempre, nosso país e nosso mundo precisa apontar um culpado. Os santos foram deixados de lado visto o estado ter nome de santa. E como não restassem opções, um ilustre visitante português, além de lançar seu mais novo livro, apontou e atestou: “se Deus existe, certamente esqueceu-se de Santa Catarina.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma novidade. Desde a fome na África, a peste negra européia, os tsunamis e etc., a opinião geral converge quase sempre para um culpado: Deus. Quem mais? Ao culpá-lo, supõe-se que algo deste mundo Ele criou (ao menos as chuvas, os ratos e os mares). O curioso, no entanto, é que ninguém fala do que o homem criou, ou descriou: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as construções irregulares e mal fiscalizadas,&lt;br /&gt;a ausência de orientação do governo e políticas habitacionais,&lt;br /&gt;a exploração colonial e contemporânea,&lt;br /&gt;a falta de saneamento básico,&lt;br /&gt;o desrespeito com o planeta&lt;br /&gt;e com a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre muito mais fácil culpar o outro (e esta frase já é um chavão dos mais utilizados, em vias de tornar-se um clichê). Quando a culpa é de uma sociedade inteira, de um sistema, esse outro acaba sendo, invariavelmente, Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(essa crônica escrevi quando o assunto vinha sendo reportado diariamente nos noticiários)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-1475836115733332774?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/1475836115733332774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=1475836115733332774' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1475836115733332774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1475836115733332774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/02/veneza-vinte-e-um.html' title='veneza vinte e um'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-8794292432657751273</id><published>2009-02-04T14:25:00.005-02:00</published><updated>2009-04-08T23:49:15.050-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>zé, céu</title><content type='html'>Todas as tardes pareciam iguais pro Zé. Chamavam ele assim lá na rua onde morava, junto com seus dois irmãos. José do Nascimento Silva era seu nome todo, mas já era Zé desde que se entendia por gente. Aquele fim de tarde estava mais frio do que o normal para o mês de março. O céu tinha algumas nuvens cinzas mas não parecia que ia chover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, o céu, para o Zé, era só uma coisa que está muito acima de todos nós. Ele olhava as estrelas, a lua, o sol, e achava bom que eles estivessem ali pra iluminar as coisas do mundo. Estava quase impossível dormir por causa do frio, e o papelão que cobria os três irmãos não adiantava muito. O Zé reparou que o papelão vinha de uma editora; um dia, provavelmente, aquelas caixas estiveram cheias de livros. Ele já havia visto alguns livros na vida, quando seu primo o ensinara a ler. Mas o Zé sempre achava tudo muito chato, porque eram livros sobre política, economia e um monte de coisas sérias demais. Um dia, seu primo lhe explicou: “Zé, esses são os únicos livros que a gente tem aqui. E é importante aprender a ler, mais tarde você vai saber por que. Um grande escritor dizia que a  língua é a porta para o infinito.” O Zé ficou até entusiasmado com aquilo, mas nos dia seguinte o primo dele desapareceu e até hoje não voltou. Naquele dia o Zé chorou mais que as chuvas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem conseguir dormir, a cabeça do Zé lembrava de todas essas coisas que o deixavam triste e o faziam chorar de novo. Os irmãos dele já tinham pegado no sono e pareciam nem ouvir o barulho de alguns carros que passavam. Madrugada é quando a noite é mais forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o Zé não pensava nessas coisas. Não pensava que a noite podia ser forte. Que as estrelas podiam ser jóias de um pano que Deus um dia estendeu sobre a terra e chamou de céu. Que alguém se divertia pintando nuvens diferentes a cada dia em uma tela azul. Que chuva era quando as nuvens ficavam muito tristes com os acontecimentos aqui embaixo. O Zé não sabia da poesia profunda da natureza. Ele nunca tinha ouvido uma estória. Tudo para ele era sempre igual: as tardes, o sol indo embora, as noites quentes e frias, as manhãs ensolaradas de verão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não ia conseguir dormir mesmo, ele se levantou e foi mexer nas caixas de papelão que sobraram. Debaixo delas, o Zé encontrou um livro, novinho em folha. Que surpresa! Assustou-se com o tamanho do livro: devia de ter umas duzentas páginas, um livrão. Tinha uma capa linda, mas estava sem título. O Zé abriu na primeira página e leu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “A poesia existe porque nada é o que parece.&lt;br /&gt; A poesia é a alma do mundo,&lt;br /&gt; enxerga com os olhos do coração e&lt;br /&gt; transforma a vida em uma aventura.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que bonito isso!”, o Zé pensou, virando a página ansiosamente. Em letras grandes e bonitas estava escrito: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A partir de agora o mundo é todo seu para você inventá-lo. As estórias têm o poder de encontrar um sol em uma rodela de abacaxi... Tudo começa assim:” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirando rápido de tanta curiosidade, ele passou mais uma página. Havia uma única frase nesta, e o resto do livro estava todinho em branco. A frase parecia estar escrita com tinta de ouro, de tanto que brilhava: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Era uma vez...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Zé olhou para o céu. Ficou alguns minutos contemplando aquela imensidão escura. Entre as nuvens, a lua surgiu, cheia, deu um sorriso e uma piscadela de olho para o Zé. Ele então retribuiu com o maior sorriso que já tinha dado em toda sua vida...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-8794292432657751273?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/8794292432657751273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=8794292432657751273' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8794292432657751273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8794292432657751273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/02/ze-ceu.html' title='zé, céu'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-8094377588984107654</id><published>2009-01-31T01:05:00.004-02:00</published><updated>2009-04-09T01:01:47.671-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>frida</title><content type='html'>Passou a vida pintando o sete, o oito e o nove.&lt;br /&gt;Aos seis, a poliomelite deixou uma marca no seu pé e lhe conferiu o apelido &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Frida pata de palo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Aos dezoito, um acidente de ônibus a obrigou a várias cirurgias e a usar diversos coletes ortopédicos. Em sua longa recuperação no hospital, pintava com um cavalete adaptado à cama.&lt;br /&gt;Aos vinte um, conheceu seu marido, Diego Rivera. Com ele pintou o dez e o onze.&lt;br /&gt;Pintava, pintava. Deram-lhe o rótulo de surrealista, mas ela contestou: "pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade".&lt;br /&gt;Engravidou mais de uma vez, mas as sequelas do acidente não a deixaram ter filhos.&lt;br /&gt;Sua vida era um tumulto. Mas continuou pintando.&lt;br /&gt;Engajou-se no partido comunista, lutou.&lt;br /&gt;Apesar de muito debilitada, compareceu deitada em uma cama à sua primeira exposição individual no México, aos quarenta anos de idade.&lt;br /&gt;Aos quarenta e seis amputaram-lhe a perna direita até à metade, por conta de uma infecção. Em seu diário, escreveu: "Pés? Para que os quero, se tenho asas para voar?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-8094377588984107654?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/8094377588984107654/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=8094377588984107654' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8094377588984107654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8094377588984107654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/01/frida.html' title='frida'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-5658371841892202283</id><published>2009-01-25T17:53:00.003-02:00</published><updated>2009-04-08T23:49:15.051-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>o menino que nunca havia andado descalço</title><content type='html'>Era uma vez um menino que nunca havia andado descalço. Só em seu armário ele tinha vinte e oito pares de calçados: tênis, chinelos, sapatos, galochas que faziam &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ploft ploft&lt;/span&gt; na chuva e sandálias de todo tipo, cores e marcas. Desde pequeno seus pais lhe diziam que ele podia andar descalço, mas ele achava aquilo muito perigoso e preferia ficar sempre calçado. Quando ia dormir, deixava seus chinelos perto da cama para quando acordasse poder logo colocá-los. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele contava isso na escola, ninguém acreditava. Até o chamaram de maluco, mas ele foi se acostumando com aquilo e nem ligava. O tempo passou, ele foi crescendo mas não andava descalço de jeito nenhum. Seu maior sonho era ser atleta e por isso começou a correr. Seus pais viram aquilo e o presentearam com dois pares dps melhores tênis para corrida. O lugar que ele mais gostava de correr era o calçadão da praia. Em um dia muito quente de verão, quando acabou de correr, ele estava suando tanto que foi dar um mergulho no mar, de tênis e tudo! Foi só quando saiu do mar, depois de se refrescar, que se deu conta: havia esquecido os chinelos. Seus tênis, molhados, estavam imprestáveis para caminhar. Não teve jeito: tirou os tênis, torceu as meias e... estava descalço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela primeira vez ele sentiu a areia da praia. Ficou ali alguns minutos, horas: brincava de afundar o pé onde o mar molhava, ir pra areia fofa e fazer pé-à-milanesa... quando viu a hora, lembrou que tinha que voltar pra casa porque o almoço já devia estar esperando por ele. Ah, mas tudo era tão novo para seus pés! O asfalto que o obrigava a correr porque estava pelando, as pedras portuguesas que beliscavam de leve seus pés, o mármore da portaria do prédio que de tão geladinho dava vontade de deitar, o tapete da sala de casa que fazia cócegas nos pés, e tantas e tantas outras coisas. Deitado no tapete de casa, ele pensou que se pudesse passearia descalço pelo mundo todo. Se imaginou escalando as montanhas mais altas, passeando por planícies cheias de grama e flores... até às nuvens ele iria: imagina andar descalço por lá! Pensou em ir até à Lua, mas lembrou que lá tem tanta pedra que talvez fosse desconfortável... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seus pais chegaram e, quando o viram descalço, com os pés sujos de areia e cheios de bolhas, pularam de tanta alegria. Sentaram com ele no tapete e começaram a contar do dia em que aprenderam, juntos, que os vinhos e sucos de uva são feitos por pessoas descalças. Falaram de como as pessoas pegavam as uvas, colocavam todas num lugar bem juntinhas e pisavam nelas, para tirar o suco todo; depois, jogavam fora a casca ou a usavam pra outras coisas. Ele pensou que essa profissão devia ser a mais divertida que existe, e agora sonhava em ser pisador-de-uvas. Pisaria com tanta, mas tanta vontade e alegria que seriam os vinhos e sucos de uva mais gostosos do mundo todo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-5658371841892202283?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/5658371841892202283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=5658371841892202283' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5658371841892202283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5658371841892202283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/01/o-menino-que-nunca-havia-andado-descalo.html' title='o menino que nunca havia andado descalço'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-7606221480615154839</id><published>2009-01-19T17:08:00.002-02:00</published><updated>2009-04-08T23:49:43.919-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>sherazade</title><content type='html'>Sherazade,&lt;br /&gt;que passou a vida contando estórias&lt;br /&gt;(mil e uma estórias),&lt;br /&gt;virou por fim&lt;br /&gt;estória:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contar estórias até tornar-se uma&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-7606221480615154839?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/7606221480615154839/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=7606221480615154839' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7606221480615154839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7606221480615154839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/01/sherazade.html' title='sherazade'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-1011232986259634011</id><published>2009-01-15T00:46:00.005-02:00</published><updated>2009-08-03T17:17:07.363-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>3. a terra repleta de céu</title><content type='html'>.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-1011232986259634011?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/1011232986259634011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=1011232986259634011' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1011232986259634011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1011232986259634011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/01/3-terra-repleta-de-cu.html' title='3. a terra repleta de céu'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-6478087489344067054</id><published>2009-01-07T16:34:00.009-02:00</published><updated>2009-08-03T17:17:19.854-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>2. o jardim-altar</title><content type='html'>.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-6478087489344067054?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/6478087489344067054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=6478087489344067054' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6478087489344067054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6478087489344067054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2009/01/2-o-jardim-altar.html' title='2. o jardim-altar'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-3123783910182390770</id><published>2008-12-27T01:52:00.006-02:00</published><updated>2009-08-03T17:17:41.558-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prosa'/><title type='text'>1. um cappuccino gelado, por favor</title><content type='html'>.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-3123783910182390770?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/3123783910182390770/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=3123783910182390770' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3123783910182390770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3123783910182390770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/12/um-capuccino-gelado-por-favor.html' title='1. um &lt;span style=&quot;font-style:italic;&quot;&gt;cappuccino&lt;/span&gt; gelado, por favor'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-276771647820399761</id><published>2008-12-21T19:01:00.001-02:00</published><updated>2009-04-08T23:49:15.051-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>V. a grande novidade ou o brilho vermelho ou a estrela Mata-saudade ou o Deus-criança ou o recomeço</title><content type='html'>Foi então que, morrendo de saudades e de amor, o Deus resolveu nascer criança, pra lembrar os homens da criança que ainda existia dentro deles. E a grande novidade se espalhou por todos os cantos. Os anjos pararam de cantar – eles, ao contrário do resto das coisas, continuavam a cantar para o Deus – e em silêncio assistiram ao acontecimento mais grandioso de todos os tempos. Surgiu no céu uma nova estrela que os reis-magos (espécie hoje em extinção), experientes também em astronomia, nunca haviam visto. Chamaram-na estrela de Davi porque tinha um brilho vermelho como os cabelos do antigo rei. Mas os anjos preferiram chamá-la de estrela Mata-saudade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com ela o Deus matava a saudade que Ele estava do mundo e dos homens que um dia foram crianças e brincavam com Ele. Ela era vermelha porque aquele era um dia alegre onde o Deus agora tinha sangue correndo pelas veias e andava de novo perto dos homens. Para alguns, aquilo era bom demais pra ser verdade; para outros, uma grande baboseira. Mas o Deus prometeu que cada pessoa que visse e acreditasse iria nascer criança de novo, que nem Ele fez. Mesmo hoje a estrela ainda brilha forte, e quem a enxerga ganha de novo todos os mundos pra brincar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim que tudo recomeçou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-&lt;br /&gt;(desde já, um feliz Natal a todos ;)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-276771647820399761?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/276771647820399761/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=276771647820399761' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/276771647820399761'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/276771647820399761'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/12/v-grande-novidade-ou-o-brilho-vermelho.html' title='V. a grande novidade ou o brilho vermelho ou a estrela Mata-saudade ou o Deus-criança ou o recomeço'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-3365015128902340946</id><published>2008-12-19T17:28:00.002-02:00</published><updated>2009-04-08T23:49:15.051-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>IV. o esquecimento ou as estrelas cadentes ou a tristeza cinza das nuvens ou a invenção da palavra saudade</title><content type='html'>Mas as crianças se tornaram homens que se esqueceram do Deus. Nunca mais andaram com Ele pelas montanhas e horizontes, e as estrelas agora pareciam estar longe demais para que eles fossem passear entre elas. Foi aí que algumas estrelas começaram a cair, e mesmo hoje podemos ver as chamadas estrelas cadentes. As nuvens agora choravam uma tristeza cinza, quase preta. O sol e a lua se beijavam às escondidas, por vergonha do que estava acontecendo na terra; por isso o eclipse tornou-se uma coisa que só acontece quando eles esquecem e se beijam na frente de todo mundo, ou seja, muito raramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por muitos e muitos anos os homens esqueceram-se das estórias. E então, como havia dito, eles perderam todos os mundos que tinham para brincar. E assim passaram-se anos, anos atrás de anos. E o Deus sentia saudades daqueles tempos. Os homens também tinham saudades, só que não sabiam disso. Eles inclusive inventaram a palavra ‘saudade’ para descrever o sentimento mais triste e mais cheio de esperança que existe. Porque dentro deles ainda havia aquela criança que brincava com o Deus, mas eles não se davam conta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-3365015128902340946?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/3365015128902340946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=3365015128902340946' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3365015128902340946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/3365015128902340946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/12/iv-o-esquecimento-ou-as-estrelas.html' title='IV. o esquecimento ou as estrelas cadentes ou a tristeza cinza das nuvens ou a invenção da palavra saudade'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-1598827836126533276</id><published>2008-12-17T02:36:00.001-02:00</published><updated>2009-04-08T23:51:57.583-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>III. a concha ou o nascimento da primeira criança ou a explosão da vida</title><content type='html'>Tudo estava criado: céus, terra, mar, e todos os seres vivos cheios de vida que neles existem. E todos juntos cantaram durante um longo tempo para agradecer ao Deus. Foi a mais bela canção jamais cantada, e também a mais longa. Diz-se que durou quatro horas, cinco minutos e trinta e sete segundos. E os ouvidos do Deus se encheram de música e de alegria. Ele então se dedicou à sua criação mais fantástica: as crianças, sobre as quais já falamos algumas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim: com carinho a mão do Deus se fez concha, e nasceu a criança, como uma pérola guardada pelo calor úmido no interior da concha. O amor é o sentimento mais caloroso que existe, e como o Deus amava a criança! Toda a criação parou de cantar para em silêncio assistir ao que estava acontecendo. Foi tão impressionante que, depois do ocorrido, as nuvens brancas choravam de alegria, e o sol e a lua se beijaram – o mundo assistiu ao seu primeiro eclipse. E foi muito tempo depois que, quando ouviu falar desta história, uma criança escreveu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E não há melhor resposta&lt;br /&gt;que o espetáculo da vida:&lt;br /&gt;vê-la desfiar seu fio,&lt;br /&gt;que também se chama vida,&lt;br /&gt;ver a fábrica que ela mesma,&lt;br /&gt;teimosamente, se fabrica,&lt;br /&gt;vê-la brotar como há pouco&lt;br /&gt;em nova vida explodida;"*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele foi o maior espetáculo que o mundo jamais viu. E todos agradeceram ao Deus pela explosão da vida. Com o mundo inteiro para brincar, as crianças foram felizes e passeavam junto com o Deus pelas montanhas, mares, e horizontes. Brincavam de nadar no vento, voar no mar e andar por entre as estrelas do céu. Elas tinham o mundo inteiro, pois naquela época não existiam países, fronteiras e nem religiões. E foi assim que tudo começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*João Cabral de Melo Neto, “Morte e Vida Severina”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-1598827836126533276?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/1598827836126533276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=1598827836126533276' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1598827836126533276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1598827836126533276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/12/iii-concha-ou-o-nascimento-da-primeira_17.html' title='III. a concha ou o nascimento da primeira criança ou a explosão da vida'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-1721800065313276861</id><published>2008-12-13T23:34:00.005-02:00</published><updated>2009-04-08T23:53:06.043-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>II. o tapete que se chamava céu ou a fundação da arte</title><content type='html'>“Você, que em sua roupa&lt;br /&gt;desfalece de calor&lt;br /&gt;quando a terra fica amortecida&lt;br /&gt;sob o vento sul,&lt;br /&gt;pode ajudá-lo a estender os céus,&lt;br /&gt;duros como espelho de bronze?”&lt;br /&gt;(Jó 37:17-18, NVI)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Deus estava mesmo feliz com aquele mar todo cheio de seres vivos. Tanta foi a felicidade que Ele foi até seu armário e tirou de lá o mais belo dos seus tapetes. O tapete tinha dois lados: um era azul celeste e o outro preto, o preto mais preto que alguém já fez. E era lindo. Tinha também uma jóia de cada lado, que o Deus gostava de chamar de Sol e Lua. Eram muito mais bonitas que rubis, jaspes, diamantes, ouro ou prata. O Deus desenrolou aquele tapete que Ele ficara anos a fio tecendo e estendeu sobre o mar. E deu ao tapete o nome de céu. O encontro das duas coisas mais vastas que existem se chamou horizonte e é a coisa mais longe que existe, pois nunca chega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Deus achava os dois lados do tapete tão bonitos que não conseguia decidir qual iria deixar. Resolveu enfim que o melhor era usar os dois e ficar sempre virando. E assim houve dia e noite. Viu que a noite estava muito escura e logo recheou o lado preto de outras jóias, que depois foram chamadas estrelas. O lado azul Ele deixou vazio para a cada novo dia poder pintar nuvens brancas diferentes. E o tapete ficou mais bonito ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As crianças que Ele fez depois deram nomes às estrelas, porque gostavam de lembrar delas na noite seguinte. E sempre tentavam contar quantas eram, mas sempre perdiam a conta. De dia, elas brincavam de adivinhar o que o Deus estava pintando nas nuvens. E um dia começaram a pintar também. Gostaram tanto daquilo que chamaram de arte. Uma vez, uma criança artista disse: “quero fazer coisas para as quais seja divertido olhar.”* E o Deus ficou feliz porque viu que elas estavam realmente aprendendo com Ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Alexander Calder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-1721800065313276861?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/1721800065313276861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=1721800065313276861' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1721800065313276861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1721800065313276861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/12/o-tapete-que-se-chamava-cu-ou-fundao-da.html' title='II. o tapete que se chamava céu ou a fundação da arte'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-7636663148847346673</id><published>2008-12-10T23:34:00.007-02:00</published><updated>2009-04-08T23:53:06.043-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infanto-juvenil'/><title type='text'>I. mar mar vasto mar</title><content type='html'>"Eis o mar, imenso e vasto.&lt;br /&gt;Nele vivem inúmeras criaturas,&lt;br /&gt;seres vivos, pequenos e grandes.&lt;br /&gt;Nele passam os navios,&lt;br /&gt;e também o Leviatã,&lt;br /&gt;que formaste para nele&lt;br /&gt;brincar."&lt;br /&gt;(Salmo 104:25-26, NVI)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da ebulição criativa, vida saltando por cada poro, o Deus exalou vastidão e assim se formou o mar imenso e profundo. Não houve palavras nesse dia; todo mundo sabe que quando se está diante de algo tão imenso o melhor a fazer é apreciar. Mas logo o Deus viu que não fazia sentido tanta vastidão vazia, e por isso surgiram seres vivos cheios de vida que diminuiam então a imensidão. E o Deus criou o Leviatã, monstro marinho, e deu a ele o mar para brincar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo espírito, tempos depois, o Deus criou a criança, e deu a ela o mundo de presente para brincar. E foi surgindo criança atrás de criança, até que uma enfim constatou: “mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração”*. E então as crianças receberam o mundo do seu coração para brincar. E foram feitas muitas estórias, estórias atrás de estórias, dentro desse novo mundo. Inventaram as cores e os nomes dos bichos, até do Leviatã. Mas as crianças viraram homens que se disseram sérios o bastante e esqueceram as estórias. E então o homem perdeu todos os mundos que tinha pra brincar. Nem em Leviatã ele acredita mais, embora ele continue lá, brincando com o mar. E dizem que o Leviatã foi o pai dos surfistas, mergulhadores e de todos aqueles que gostam de banho de mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Carlos Drummond de Andrade, "Poema de sete faces".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-7636663148847346673?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/7636663148847346673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=7636663148847346673' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7636663148847346673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7636663148847346673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/12/mar-mar-vasto-mar.html' title='I. mar mar vasto mar'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-6434128476672448979</id><published>2008-11-20T02:33:00.012-02:00</published><updated>2010-02-16T00:27:22.996-02:00</updated><title type='text'>heidegger e a quadratura</title><content type='html'>Para o filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), a mais premente necessidade do ser humano é o habitar. Este vem mesmo antes do construir. Em um ensaio muito elucidativo, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Construir Habitar Pensar&lt;/span&gt;, ele mostra que o homem habita, por essência, a quadratura: um "polígono" cujas quatro pontas são céu / terra / divino / mortal, e essas pontas ligam-se por linhas que se entrecruzam. O homem habita o entre, ele é a fronteira por habitar a quadratura. Ele está, literalmente, com os pés na terra e a cabeça no céu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O habitar faz parte do ser e circunscreve-o. Ele se finca na poesia, no poetar-pensante. A existência é vista como um todo indivisível. A partir desse habitar, o ser humano pensa e constrói. Constrói sua vida, seus espaços, suas arquiteturas, seus "entres" e seus relacionamentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas minhas reflexões e devaneios, penso que esse habitar a quadratura nos foi destituído com a separação de Deus. Estar somente ligado à terra e ao que é mortal é um indício disso. O extremo oposto - uma vida nas alturas somente - não é, no entanto, a essência do ser. Ela está arraigada nessa mistura entre céu e terra, divino e humano, como uma dança entre os dois. Jesus foi e é essa dança: Deus e homem coexistindo sem conflitos, numa existência que transforma tudo. Ele é a materialização da própria quadratura. Nele acho meu pouso e guia: "O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si (...); eu, os teus altares, Senhor, Rei meu e Deus meu!" (Salmo 84:3) Na época deste salmista, o altar do templo era onde o divino entrava em contato com o que era mortal, onde ocorria a manifestação do próprio Deus que perdoava e se mostrava fiel. Nesses altares, nessas misturas, nessa dança eterna, eu habito seguro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(pequena pausa nos textos literários para essa reflexão filosófica, que foi muito importante pra mim. agradecimentos à Ligia Saramago que me ensinou essas coisas heideggerianas na aula de Estética)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-6434128476672448979?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/6434128476672448979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=6434128476672448979' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6434128476672448979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6434128476672448979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/11/heidegger-e-quadratura.html' title='heidegger e a quadratura'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-1942514143825584522</id><published>2008-11-18T22:50:00.002-02:00</published><updated>2009-05-03T00:28:20.775-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><title type='text'>montevideo</title><content type='html'>"Resbalo por tu tarde como el cansancio por la piedad de un declive.&lt;br /&gt;La noche nueva es como un ala sobre tus azoteas.&lt;br /&gt;Eres el Buenos Aires que tuvimos, el que en los años se alejó quietamente.&lt;br /&gt;Eres nuestra y fiestera, como la estrella que duplican las aguas.&lt;br /&gt;Puerta falsa en el tiempo, tus calles miran al pasado más leve.&lt;br /&gt;Claror de donde la mañana nos llega, sobre las dulces aguas turbias.&lt;br /&gt;Antes de iluminar mi celosía tu bajo sol beineventura tus quintas.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Ciudad que se oye como un verso&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Calles con luz de patio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Jorge Luís Borges, Luna de Enfrente]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-1942514143825584522?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/1942514143825584522/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=1942514143825584522' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1942514143825584522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/1942514143825584522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/11/luna-de-enfrente.html' title='montevideo'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-6011324097053397493</id><published>2008-11-10T00:06:00.006-02:00</published><updated>2009-04-17T20:29:43.305-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><title type='text'>uma aprendizagem ou o livro dos prazeres</title><content type='html'>"Nessa mesma noite gaguejara uma prece para o Deus e para si mesma: alivia minha alma, faze com que eu sinta que Tua mão está dada à minha, faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte e sim a vida, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que eu receba o mundo sem medo, pois para esse mundo incompreensível nós fomos criados e nós mesmos também incompreensíveis, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade e paciência comigo mesma, amém."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Clarice Lispector, Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, p. 113]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;um dos melhores livros que já li.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-6011324097053397493?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/6011324097053397493/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=6011324097053397493' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6011324097053397493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6011324097053397493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/11/clarice-lispector.html' title='uma aprendizagem ou o livro dos prazeres'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-4757804268106953581</id><published>2008-10-15T22:14:00.003-03:00</published><updated>2009-04-08T23:56:52.305-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='poesia'/><title type='text'>a terra repleta de céu</title><content type='html'>, estar vivo, estar consciente, a terra repleta de céu, viver o máximo, ser tudo, ser por inteiro, a vontade de ser é tão grande que até fico sem sono, viver o que não vivi esse tempo todo, completo aqui, agora, tudo, ontem fui à praia, queria o mar, queria-o dentro de mim, queria mergulhar, queria ser, subir ao céu e descer ao mar, ao mesmo tempo, com corpo-alma, adentrar no mistério de existir, de pertencer, de ser, “esta é a minha oração ao Deus que me dá a vida”, essa vida, pois até para orar preciso de corpo, o corpo se mistura ao espírito, estar no mar é viver, viver é mergulhar e também beber,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-4757804268106953581?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/4757804268106953581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=4757804268106953581' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4757804268106953581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4757804268106953581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/10/estar-vivo-estar-consciente-terra.html' title='a terra repleta de céu'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-4007512087193363745</id><published>2008-10-14T22:12:00.002-03:00</published><updated>2009-04-17T20:29:39.139-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><title type='text'>tecendo a manhã</title><content type='html'>"1&lt;br /&gt;Um galo sozinho não tece uma manhã:&lt;br /&gt;ele precisará sempre de outros galos.&lt;br /&gt;De um que apanhe esse grito que ele&lt;br /&gt;e o lance a outro; de um outro galo&lt;br /&gt;que apanhe o grito de um galo antes&lt;br /&gt;e o lance a outro; e de outros galos&lt;br /&gt;que com muitos outros galos se cruzem&lt;br /&gt;os fios de sol de seus gritos de galo,&lt;br /&gt;para que a manhã, desde uma teia tênue,&lt;br /&gt;se vá tecendo, entre todos os galos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2&lt;br /&gt;E se encorpando em tela, entre todos,&lt;br /&gt;se erguendo tenda, onde entrem todos,&lt;br /&gt;se entretendendo para todos, no toldo&lt;br /&gt;(a manhã) que plana livre de armação.&lt;br /&gt;A manhã, toldo de um tecido tão aéreo&lt;br /&gt;que, tecido, se eleva por si: luz balão."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[João Cabral de Melo Neto]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-4007512087193363745?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/4007512087193363745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=4007512087193363745' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4007512087193363745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/4007512087193363745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/10/tecendo-manh.html' title='tecendo a manhã'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-6955424146091896615</id><published>2008-09-25T22:24:00.003-03:00</published><updated>2009-04-17T20:29:39.139-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><title type='text'>procura da poesia</title><content type='html'>"(...) Penetra surdamente no reino das palavras.&lt;br /&gt;    Lá estão os poemas que esperam ser escritos.&lt;br /&gt;    Estão paralisados, mas não há desespero,&lt;br /&gt;    há calma e frescura na superfície intata.&lt;br /&gt;    Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.&lt;br /&gt;    Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.&lt;br /&gt;    Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.&lt;br /&gt;    Espera que cada um se realize e consume&lt;br /&gt;    com seu poder de palavra&lt;br /&gt;    e seu poder de silêncio.&lt;br /&gt;    Não forces o poema a desprender-se do limbo.&lt;br /&gt;    Não colhas no chão o poema que se perdeu.&lt;br /&gt;    Não adules o poema. Aceita-o&lt;br /&gt;    como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada&lt;br /&gt;    no espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega mais perto e contempla as palavras.&lt;br /&gt;    Cada uma&lt;br /&gt;    tem mil faces secretas sob a face neutra&lt;br /&gt;    e te pergunta, sem interesse pela resposta,&lt;br /&gt;    pobre ou terrível, que lhe deres:&lt;br /&gt;    Trouxeste a chave? (...)"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Carlos Drummond de Andrade]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;(bom para ler antes de escrever)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-6955424146091896615?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/6955424146091896615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=6955424146091896615' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6955424146091896615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6955424146091896615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/09/procura-da-poesia.html' title='procura da poesia'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-8127469802594772463</id><published>2008-09-08T18:56:00.004-03:00</published><updated>2009-04-17T20:29:39.139-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><title type='text'>o fotógrafo</title><content type='html'>"(...) Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.&lt;br /&gt;Fotografei o perfume.&lt;br /&gt;Vi uma lesma pregada na existência mais do que na pedra.&lt;br /&gt;Fotografei a existência dela.&lt;br /&gt;Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.&lt;br /&gt;Fotografei o perdão.&lt;br /&gt;Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.&lt;br /&gt;Foi difícil fotografar o sobre (...)"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Manoel de Barros]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-8127469802594772463?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/8127469802594772463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=8127469802594772463' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8127469802594772463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8127469802594772463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/09/o-fotgrafo.html' title='o fotógrafo'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-192054094692468962</id><published>2008-08-07T14:30:00.007-03:00</published><updated>2010-02-16T00:27:19.982-02:00</updated><title type='text'>um salmo em meio a uma jornada</title><content type='html'>O Senhor é o meu pastor nessa minha jornada para dentro de mim. Com Ele, nada me falta e eu não sinto falta de nada que precise abandonar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio de tanta confusão e erros que se repetem, Ele me leva para lugares verdes de repouso onde eu posso beber e comer tranqüilo – refrigera minha alma.&lt;br /&gt;Ele não me deixa perdido nessa caminhada interior, mas me guia no caminho que é certo e justo, por amor ao nome d’Ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo quando eu encontro trevas e morte dentro de mim, Ele continua do meu lado e me garante que eu não preciso ter medo. O cuidado e a constância do amor d’Ele me consolam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é o meu banquete em meio às minhas auto-acusações, vícios e pecados – meus inimigos. Ele cobre de honra a minha desonra, santifica a minha imundície. Ele me transforma, e o meu cálice transborda de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que na presença d’Ele existe amor e misericórdia suficientes pra cobrir todo pecado e me sustentar todos os dias da minha vida. Ele é o meu lar, pra sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;*(inspirado no Salmo 23 de Davi)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-192054094692468962?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/192054094692468962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=192054094692468962' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/192054094692468962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/192054094692468962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/08/um-salmo-e-uma-jornada.html' title='um salmo em meio a uma jornada'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-8167766342332959491</id><published>2008-05-12T00:17:00.006-03:00</published><updated>2010-02-16T00:27:22.997-02:00</updated><title type='text'>"Eu somente acreditaria em um Deus que soubesse dançar."</title><content type='html'>"Eu somente acreditaria em um Deus que soubesse dançar."&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Friedrich Nietzsche&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um certo Galileu - o mesmo que criou e coreografou a dança dos astros, estações e planetas - me convida a dançar pelo salão, também conhecido como vida. Ele vai me ensinando os passos... Entre uma rodada e outra, Ele pára e olha fixamente nos meus olhos: "- Sou louco de amor por você", Ele me diz, com um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, meio sem jeito e desengonçado, me deixo ser conduzido... e que paciência do Galileu! Eu caí, e caí feio. Mesmo assim Ele me levantou, e continuamos a dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a música estava perto do fim, eu já ensaiava passos mais certos. Afinal, Ele tinha me dito para não me preocupar com quem estava olhando - aquilo era entre eu e Ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, a música parou. A dança, no entanto, continuou. Mas agora era diferente: uma música nova começava, a mais doce que eu já havia escutado. A mesa estava servida, os convidados não paravam de chegar. Eles também sabiam dançar... e, pelo visto, aquela festa nunca ia acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;br /&gt;Eu acredito em um Deus que sabe dançar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-8167766342332959491?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/8167766342332959491/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=8167766342332959491' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8167766342332959491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8167766342332959491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/05/eu-somente-acreditaria-em-um-deus-que_12.html' title='&quot;Eu somente acreditaria em um Deus que soubesse dançar.&quot;'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-7257493486703045354</id><published>2008-04-19T23:52:00.003-03:00</published><updated>2009-05-10T21:16:31.315-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='citação'/><title type='text'>inteiro</title><content type='html'>"Para ser grande, sê inteiro: nada&lt;br /&gt;Teu exagera ou exclui.&lt;br /&gt;Sê todo em cada coisa. Põe quanto és&lt;br /&gt;No mínimo que fazes.&lt;br /&gt;Assim em cada lago a lua toda&lt;br /&gt;Brilha, porque alta vive"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Ricardo Reis (Fernando Pessoa)]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-7257493486703045354?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/7257493486703045354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=7257493486703045354' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7257493486703045354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7257493486703045354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/04/inteiro.html' title='inteiro'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-5182758922161357700</id><published>2008-04-09T16:26:00.014-03:00</published><updated>2010-02-16T00:26:36.535-02:00</updated><title type='text'>arquitetura que conta estórias</title><content type='html'>De certa feita, adentrei uma nova pequena cidade, dentro da cidade de São Paulo. As coisas que aconteceram a partir de então são difíceis de escrever, quanto mais de acreditar. Após atravessar o portão principal daquela cidadela, comecei a caminhar pela rua principal, um corredor fascinante. Ali a vida vicejava: crianças corriam por todos os lados, soltando pipas e brincando de esconder; alguns comentavam como a peça de teatro havia sido boa, outros afirmavam quão delicioso havia sido o almoço daquele dia, enquanto o cheiro de comida permeava a rua toda. Os livros saltitavam das estantes e eram lidos em silêncio em um desses galpões – aliás, já os havia mencionado? A rua estava cheia deles, cada um com seu gosto peculiar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente que não parava de aparecer por todos os lados, e juntos cantavam uma melodia diferente daquela das buzinas, dos gritos e palavrões da cidade lá fora, tão distante e tão próxima. Havia até um belo e imponente rio – que lembrava o São Francisco – dentro de uma dessas estruturas. Em outra, os artistas pintavam o sete, o oito e o nove, tudo ao mesmo tempo, pois o tempo já não mais importa quando se tem tempo para tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais à frente estava – pasmem – a praia. Shorts, biquínis, protetor solar, cangas, barracas e cadeiras. Havia também grandes cachoeiras metálicas dispersas por ali. Ao fim da praia, os imponentes fortes e a chaminé que, ao invés de fumaça, despejava flores por todos os lados. Infelizmente não cheguei a tempo de ver nenhuma batalha, mas um dos fortes parecia ter sido perfurado recentemente; esses canhões fazem mesmo um estrago e tanto. Contudo, a batalha parecia ter sido vencida, pois, ao entrar em um dos fortes – que o que têm de impenetráveis por fora têm de abertos e contínuos por dentro –, vi um aquário imenso diante de mim: toda sorte de animais marinhos estavam desenhados em suas paredes, e as pessoas adoravam brincar de adivinhar quais eram os nomes deles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subindo mais um pouco, um ruído de torcida vinha de longe: eram as quadras, uma em cima da outra, com motivos sazonais. Ao sair de uma delas abracei o outro forte, movido por certos tentáculos cinzas; não pude evitar, fui levado a fazê-lo. Lá descobri mais uma infinitude de atividades, do alfinete ao foguete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei no relógio e já havia perdido minha consulta no dentista, minha reunião no centro, mas pouco me importava. Contudo, o banco fecharia em poucos minutos e ainda precisava resolver um mundo de coisas por lá. Voltei pelo mesmo caminho, tentando imprimir em minha mente todas aquelas imagens, cores, cheiros, gostos e sons. Essa visita a cidadela ficaria marcada para sempre em mim, e quem poderá dizer quando voltarei? No entanto, como disse a sábia raposa ao pequeno príncipe, “eu lucro, por causa da cor do trigo”; por causa das inúmeras chaminés que me lembrarão aquela, mas nunca com flores saindo; por causa do rio Tietê que, contudo, nunca se assemelhará à exuberância do São Francisco; por causa das crianças que, todavia, creio serem muito mais felizes lá do que aqui fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arquitetura deveria estar preocupada em contar estórias. Lina Bo contou uma estória fantástica no SESC Fábrica da Pompéia, digna de Lewis Carroll – um país das maravilhas de Alice, ou talvez a verdadeira Nárnia de C.S. Lewis, ou ainda uma cidadela das narrativas medievais, como querem alguns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arquitetura deveria sonhar mais. Tendo passado as tentativas históricas da modernidade de salvar o mundo todo, talvez seja hora de lembrar que os sonhos têm esse poder transformador, se aliados à realidade. Na verdade, a arquitetura deveria sonhar acordada. Sonhar em ser um sopro de vento, uma lasca de luz, como disse Lina acerca do SESC, em cidades entulhadas, genéricas e desfiguradas como as de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arquitetura se preocupa com as histórias das pessoas. A história de uma pessoa é feita de retalhos que se acumulam em sua vida ao longo dos anos. O trabalho da arquitetura é reunir esses retalhos e fazer um cobertor digno (já que, no fundo, estamos sempre projetando abrigos).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, uma casa passa a ser a verdadeira extensão de seu morador. Uma escola deixa de ser um lugar impessoal para se tornar uma gigantesca contadora de estórias, cujos alunos adoram sentar a seus pés para ouvir. Os museus não mais cairiam na armadilha de serem um depósito de passado, mas ganham vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arquitetura passa a ser, então, a atividade de projetar espaços, criar contextos e provocar a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Um pouco do que penso a respeito do fazer arquitetura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotos do SESC Fábrica da Pompéia, SP:&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp3.blogger.com/_XYa7ZSYV5iw/R_0b-SKfJuI/AAAAAAAAACc/oW_U7bs7kpA/s1600-h/arq068_01_02.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187333102642341602" style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_XYa7ZSYV5iw/R_0b-SKfJuI/AAAAAAAAACc/oW_U7bs7kpA/s400/arq068_01_02.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp2.blogger.com/_XYa7ZSYV5iw/R_0bpCKfJtI/AAAAAAAAACU/OnSZpTUsZHo/s1600-h/arq068_01_07.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187332737570121426" style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_XYa7ZSYV5iw/R_0bpCKfJtI/AAAAAAAAACU/OnSZpTUsZHo/s400/arq068_01_07.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-5182758922161357700?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/5182758922161357700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=5182758922161357700' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5182758922161357700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/5182758922161357700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/04/arquitetura-que-conta-estrias.html' title='arquitetura que conta estórias'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_XYa7ZSYV5iw/R_0b-SKfJuI/AAAAAAAAACc/oW_U7bs7kpA/s72-c/arq068_01_02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-6939417169136930894</id><published>2008-03-24T15:24:00.002-03:00</published><updated>2010-02-16T00:26:46.756-02:00</updated><title type='text'>tapeceiro</title><content type='html'>Tapeceiro&lt;br /&gt;Grande artista&lt;br /&gt;Vai fazendo o seu trabalho&lt;br /&gt;Incansável, paciente&lt;br /&gt;No seu tear&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tapeceiro&lt;br /&gt;Não se engana&lt;br /&gt;Sabe o fim desde o começo&lt;br /&gt;Trança voltas, mil desvios&lt;br /&gt;Sem perder o fio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha vida é obra de tapeçaria&lt;br /&gt;É tecida de cores alegres e vivas&lt;br /&gt;Que fazem contraste no meio das cores&lt;br /&gt;Nubladas e tristes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você olha do avesso&lt;br /&gt;Nem imagina o desfecho&lt;br /&gt;No fim das contas&lt;br /&gt;Tudo se explica&lt;br /&gt;Tudo se encaixa&lt;br /&gt;Tudo coopera pro meu bem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se vê pelo lado certo&lt;br /&gt;Muda-se logo a expressão do rosto&lt;br /&gt;Obra de arte pra honra e glória&lt;br /&gt;Do Tapeceiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se vê pelo lado certo&lt;br /&gt;Todas as cores da minha vida&lt;br /&gt;Dignificam a Jesus Cristo&lt;br /&gt;O Tapeceiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;letra e música: Stênio Marcius&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(acho que essa é a melhor música do universo)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-6939417169136930894?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/6939417169136930894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=6939417169136930894' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6939417169136930894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/6939417169136930894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/03/tapeceiro.html' title='tapeceiro'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-8181829145853038655</id><published>2008-02-13T01:41:00.006-02:00</published><updated>2010-02-16T00:26:36.535-02:00</updated><title type='text'>"o meu sertão fez virar mar"</title><content type='html'>Jesus foi talvez o nome mais falado durante 15 dias numa cidade chamada Pão de Açúcar, no Alagoas. Podia-se ouvi-lo na praça, nas casas, na escola, no hospital, na rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem é esse Jesus de quem eu e mais dezesseis falamos com tanto entusiasmo nessas duas semanas nos sertão do Alagoas?&lt;br /&gt;É a Pessoa que mudou minha vida, de uma vez por todas. Jesus é a face mais humana de Deus. É o próprio Filho de Deus. Ele me salvou, quando eu não conseguia mais me levantar. Ele me mostrou que me ama de graça e que eu não preciso fazer nada pra merecer algo, afinal eu nunca conseguiria. O amor de Deus é de graça assim e, como uma criança que ganha um presentão e quer logo ir mostrar pros amigos, assim eu fui pra Pão de Açúcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O nome de Jesus é um perfume, o melhor de todos. Fomos na casa de uma menina que tinha se entregado a Cristo num dia que fomos fazer peças na praça, e a mãe dela disse que, naquele mesmo dia, ela tinha aberto o Novo Testamento que demos pra filha uns dias antes e de repente começou a sentir um perfume de rosas, que invadiu a casa toda, e ela não sabia da onde. Dissemos para aquela senhora que Deus queria entrar no lar dela assim, trazendo um novo perfume; Cristo levou alegria nova pr'aquele lar, e pessoas que não tinham esperança nenhuma voltaram a sonhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus nunca foi um cara de meio-termo. Ele revolucionou minha vida, hoje eu vivo pra Ele. Em Pão de Açúcar passava o rio São Francisco, e eu vivia dizendo pro povo lá que o amor de Deus era que nem o rio: se a gente ficasse na beira, só molhando os pés e olhando pro rio, nunca ia experimentar a refrescância e a imensidão desse amor, que nos cobre e nos transforma. Eu já mergulhei, e o convite de Deus sempre vai ser: vem mergulhar também. Garanto, é a melhor coisa do mundo. Mas o rio não puxa a gente da borda: Ele nos convida pro mergulho, mas é decisão nossa ir ou não. Muita gente em Pão de Açúcar decidiu mergulhar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jesus está vivo, e tinha muita gente lá que só lembrava dele morto na cruz. Se tivesse parado aí, nada teria feito sentido, e Jesus teria sido mais um mártir pra História. Ele ressuscitou, declarando que a morte estava morta. Ele não promete que nossa vida não vai mais ter tristezas ou decepções, mas afirma que vai estar junto com a gente em tudo. Jesus vive em mim e passou a fazer parte da história de muitas pessoas lá também. O Fábio, por exemplo. Conversei com ele na praça, quase que sem querer, porque ele entrou no meio de uma conversa que eu tava tendo com outras pessoas. Os olhos dele brilhavam quando eu e Luma falávamos do amor de Deus por ele. No final, ele disse que queria dexar que Cristo fosse a pessoa mais importante da vida dele, e abri-la pra Ele entrar. Nesse dia acho que teve festa de arromba no céu. Na outra semana, quando fomos na casa dele, a alegria com que ele nos recebeu foi impressionante, contando que já estava lendo a Bíblia, já tinha procurado uma igreja e até tinha conversado com a esposa sobre a decisão que ele tomara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre achei que Jesus tinha falado que a gente tinha que ser como crianças pra entrar no Reino porque elas eram inocentes, puras ou algo do tipo. Besteira! Pode-se ver já inveja, ciúmes e um monte de outras coisas mesmo em crianças pequenas. Reparem que Jesus disse que "quem não &lt;span style="font-style:italic;"&gt;receber&lt;/span&gt; o Reino como uma criança, nunca entrará nele." As crianças conseguem receber presentes de graça, sem achar que fizeram algo pra merecer. O presente de Deus pra nós é assim, de graça. Vivo maravilhado e assombrado com isso, que nem uma criança que recebeu um presente maior que ela mesma. Vivo querendo contar isso, porque foi o melhor presente que recebi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Graças a Deus por esses dias em Pão de Açúcar. Talvez nunca tenha vivido mais nesse modelo de criança que Cristo propõe como lá. Aprendi que o amor de Deus é hospitaleiro que nem o povo daquela cidade. Aprendi de novo que Deus realmente muda as vidas, faz milagres. Que a vida com Deus é livre. E o melhor: Ele não &lt;span style="font-style:italic;"&gt;precisa&lt;/span&gt; de mim, mas diz que me &lt;span style="font-style:italic;"&gt;quer&lt;/span&gt;. Ah, é demais pra minha cabeça! "Miguel, olha, Eu não preciso de você, sabe. Mas Eu te amo tanto que te quero como cooperador Meu nisso tudo que Eu to fazendo no universo. Vem mergulhar no Meu amor. Tá afim?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia eu disse: "sim, Deus, eu quero!" A pergunta sempre é essa. Jesus bate à porta da nossa vida. Deus sempre nos lança convites pra um banquete fabuloso que Ele nos tem preparado, pra um mergulho que vai mudar completamente nossas vidas. Pra todos que nunca experimentaram isso, fica aqui, reiterado, o convite feito pelo próprio Deus: "vem mergulhar você também".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele faz nosso sertão virar mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-8181829145853038655?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/8181829145853038655/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=8181829145853038655' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8181829145853038655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/8181829145853038655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2008/02/o-meu-serto-fez-virar-mar.html' title='&quot;o meu sertão fez virar mar&quot;'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-7770767934243238289</id><published>2007-12-24T18:41:00.002-02:00</published><updated>2009-01-09T17:55:17.758-02:00</updated><title type='text'>natal!</title><content type='html'>Deus, o Criador dos céus e da terra, se fez homem; nasce a fim de renascermos, vive para revivermos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me junto aos anjos que, não só no dia do nascimento d'Ele, mas de eternidade a eternidade o louvam com grande fervor. Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um feliz Natal a todos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_XYa7ZSYV5iw/R3AaNK_LVwI/AAAAAAAAABs/u3RZiwGrIu4/s1600-h/a.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5147643187674437378" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_XYa7ZSYV5iw/R3AaNK_LVwI/AAAAAAAAABs/u3RZiwGrIu4/s400/a.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana; font-style: italic;"&gt;Claudio Pastro - "Natal"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-7770767934243238289?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/7770767934243238289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=7770767934243238289' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7770767934243238289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/7770767934243238289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2007/12/natal.html' title='natal!'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_XYa7ZSYV5iw/R3AaNK_LVwI/AAAAAAAAABs/u3RZiwGrIu4/s72-c/a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8271244138983875175.post-2067526904607235483</id><published>2007-12-16T02:27:00.001-02:00</published><updated>2010-02-16T00:26:36.536-02:00</updated><title type='text'>vó</title><content type='html'>Um pouco antes da operação, estávamos na sala do pré-operatório com ela. Eu sentado do lado da minha avó conversando, fazendo carinho, tentando deixar ela tranqüila.&lt;br /&gt;Íamos orar, estavam todos já de olhos fechados, mas antes eu falei: "vó!" Ela abriu os olhos, eu segurei bem forte na mão dela e disse: "vó, finge que eu sou Jesus. Sabe, Ele tá aqui do lado da senhora assim, segurando a sua mão, e dizendo: 'dona Christina, pode descansar em mim agora. Sua vida está nas minhas mãos'."&lt;br /&gt;Ela concordou, e oramos.&lt;br /&gt;Depois da oração, eu precisava ir trabalhar, e disse pra ela: "vó, vai segurando na mão d'Ele que vai dar tudo certo. Até daqui a pouco!"&lt;br /&gt;Dei um beijo na testa dela e fui.&lt;br /&gt;De madrugada no mesmo dia, o médico veio falar que a cirurgia foi muito complicada, mas que ela ainda estava resistindo. Um pouco depois, ele veio de novo dar a notícia do falecimento dela.&lt;br /&gt;As palavras que eu disse pra ela antes da operação vieram à minha mente e nunca fizeram tanto sentido.&lt;br /&gt;De fato, ela descansou, a vida dela estava mesmo nas mãos de Jesus. Sei que ela dormiu pra acordar e Ele, com um sorriso no rosto e segurando-a pela mão, a levou pra casa, pro descanso.&lt;br /&gt;Até daqui a pouco sim, pois essa vida passa muito rápido, e na vida eterna sei que vou encontrá-la lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;--&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;br /&gt;Somos cidadãos de um lugar que cada vez mais descubro ser não uma cidade, mas uma pessoa: Jesus Cristo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em memória da minha vó Christina.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8271244138983875175-2067526904607235483?l=magicodesinventor.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/feeds/2067526904607235483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8271244138983875175&amp;postID=2067526904607235483' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2067526904607235483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8271244138983875175/posts/default/2067526904607235483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://magicodesinventor.blogspot.com/2007/12/v.html' title='vó'/><author><name>Miguel Del Castillo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14302109093213388046</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
